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Lyon, França, 23 de outubro de 2026 (RAFA) – Uma operação policial coordenada pela Interpol em 21 países levou à detenção de 1.462 suspeitos de cibercrime em África, à desativação de 10.909 redes maliciosas e à recuperação de mais de 105 milhões de dólares (USD).
A Operação Serengeti III decorreu entre 29 de junho e 31 de agosto de 2026 e visou fraude informática, “ransomware”, burlas por comprometimento de correio eletrónico empresarial, burlas em linha e extorsão digital.
As autoridades identificaram 65.929 vítimas e ligaram a atividade criminosa a perdas superiores a 385 milhões de dólares, informou a Interpol em comunicado.
Antes da operação, investigadores de 20 países africanos e dos Estados Unidos receberam informações sobre domínios suspeitos, endereços IP e infraestruturas de comando e controlo associados a redes criminosas.
A ação contou com o apoio de parceiros do setor privado, que forneceram informação, análise técnica e conhecimento operacional.
A operação decorre num contexto em que o Relatório de Avaliação da Ameaça Cibernética em África 2026, da Interpol, indica que a inteligência artificial está a facilitar cada vez mais a cibercriminalidade no continente e que as perdas financeiras continuam a aumentar.
“As redes de cibercrime operam sem respeito por fronteiras, explorando a tecnologia para atingir vítimas a uma escala sem precedentes”, afirmou o diretor de Cibercrime da Interpol, Neal Jetton. “A Operação Serengeti III reforça uma mensagem clara: embora o cibercrime seja cada vez mais transfronteiriço, a cooperação internacional continua a ser uma das ferramentas mais eficazes para desmantelar redes criminosas, recuperar bens e proteger as comunidades de danos digitais.”
No Uganda, as autoridades desmantelaram duas redes de fraude transnacionais e detiveram 365 estrangeiros ligados a esquemas sofisticados de fraude em investimentos e pensões que visavam vítimas na Ásia.
Os investigadores descobriram um modelo rotativo de centros de chamadas, com comunicações previamente escritas, plataformas de negociação falsas e sítios fraudulentos para enganar reformados com oportunidades de investimento inexistentes.
Em Angola, foram desmantelados dois centros ilegais de mineração de criptomoedas, com nove detidos e mais de 2.000 equipamentos de mineração apreendidos, além de seis estações ilegais de transformação de energia. Só a infraestrutura elétrica apreendida foi avaliada em mais de um milhão de dólares.
Na Nigéria, foi detido o responsável por uma operação de “phishing” e de comprometimento de correio eletrónico empresarial, que recolheu credenciais de “software” e acumulou cerca de 2,1 milhões de endereços de correio eletrónico. Foi também recuperado um automóvel de luxo, suspeito de ter sido comprado com dinheiro do crime. Uma investigação distinta no país, sobre um esquema internacional de fraude em investimentos promovido através de aplicações de mensagens, levou a mais uma detenção e revelou a circulação de mais de 2,4 milhões de dólares em fundos suspeitos, em grande parte branqueados através de criptomoedas.
Noutros países, as autoridades desmantelaram um esquema de aplicações móveis de empréstimo fraudulentas na Tanzânia, desarticularam uma rede de fraude na importação de veículos através das redes sociais no Gabão e detiveram 30 suspeitos ligados a uma operação de cibercrime na República do Congo. Várias investigações continuam ativas, com as autoridades a tentarem identificar mais suspeitos, rastrear fundos ilícitos e analisar provas digitais apreendidas.
A operação teve o apoio de entidades como Group-IB, Kaspersky, Fortinet, Team Cymru, Uppsala Security, Cybercrime Atlas, Meta, Global Anti-Scam Alliance e a Autoridade Reguladora dos Correios e Telecomunicações do Zimbabué, e foi cofinanciada pelo projeto Global Action on Cybercrime Enhanced (GLACY-e), iniciativa conjunta da União Europeia e do Conselho da Europa.
Participaram Angola, Benim, Camarões, Congo, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Essuatíni, Gabão, Gâmbia, Gana, Quénia, Moçambique, Nigéria, Ruanda, Senegal, África do Sul, Tanzânia, Uganda, Estados Unidos, Zâmbia e Zimbabué.
Sediada em Lyon, a Interpol é a maior organização internacional de polícia do mundo e liga 196 países-membros.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
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