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Xanana Gusmão presta homenagem a Padre João Felgueiras, “grande defensor dos direitos do povo Maubere”

todayJulho 4, 2026 116 1

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Díli, 04 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro timorense, Kay Rala Xanana Gusmão, visitou hoje o velório do Padre João Felgueiras para prestar a sua homenagem ao missionário jesuíta, falecido na sexta-feira em Díli aos 105 anos.

Em mensagem divulgada hoje, Xanana Gusmão descreveu o Padre Felgueiras como “um grande defensor dos direitos do povo Maubere” e “educador da juventude e timorense de coração”. O chefe do Governo sublinhou que o religioso “entregou a sua vida inteira por Timor-Leste”, considerando-o “um extraordinário exemplo de carinho e de doação pelo próximo”. Dirigindo-se pessoalmente ao Padre Felgueiras, classificou-o como “um herói de entrega” e “um mártir deste povo”, desejando-lhe descanso “em paz, na bênção de Cristo, nosso Senhor”.

João de Vasconcelos Baptista Felgueiras nasceu a 9 de junho de 1921 nas Caldas das Taipas, concelho de Guimarães, sendo o oitavo de nove irmãos. Entrou na Companhia de Jesus em 1954 e, após estudos de Filosofia em Braga e de Teologia em Burgos, foi ordenado sacerdote a 30 de julho de 1950, em Oña, Espanha. Antes de partir para Timor-Leste, exerceu funções em Braga e em Lisboa, tendo sido também reitor do Colégio Apostólico da Imaculada Conceição, em Cernache, entre 1962 e 1967.

Chegou a Timor-Leste ainda sob administração portuguesa, em 1971. Quando a Indonésia invadiu o território em 1975, optou por permanecer, apesar dos riscos pessoais e das recomendações para o abandonar, mantendo a sua missão pastoral e acompanhando de perto as vítimas do massacre de Santa Cruz, a 12 de novembro de 1991.

Faleceu cerca das 17h30 de sexta-feira, numa clinica em Dili. Em 2011, tinha-lhe sido atribuída a nacionalidade timorense, em reconhecimento dos seus serviços ao país. Ao longo da vida, recebeu três condecorações de chefes de Estado: a Ordem da Liberdade, atribuída em 2002 pelo então Presidente português Jorge Sampaio; a Insígnia da Ordem de Timor-Leste, conferida em 2016 pelo então Presidente Taur Matan Ruak; e a Grã-Cruz da Ordem de Camões, entregue em 2022 por Marcelo Rebelo de Sousa. Em setembro de 2024, durante a visita apostólica do Papa Francisco a Díli, o Pontífice saudou-o pessoalmente num encontro com membros da Companhia de Jesus.

O legado do sacerdote jesuíta estende-se ainda à criação do FACSI – Fundo de Ajuda Caritativa Social da Companhia de Jesus – Comunidade Amigos de Jesus, responsável pela atribuição de bolsas de estudo a centenas de jovens timorenses, alguns dos quais viriam a assumir cargos de relevo no Estado e na sociedade civil. O seu nome permanece ainda ligado ao Centro Juvenil Padre António Vieira e à Escola Amigos de Jesus, em Díli.

O Governo timorense manifestou, em comunicado, “o seu mais profundo pesar” pela morte do padre jesuíta, considerando que o seu legado “permanecerá para sempre ligado à história de Timor-Leste” através de “uma vida de serviço, coragem, solidariedade e dedicação”. O executivo destacou também o contributo do religioso “para a formação de sucessivas gerações de timorenses e para a preservação do idioma português”, mesmo nos anos em que a sua utilização era proibida, durante a ocupação indonésia.

O Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Porta-Voz do Governo, Ágio Pereira, citado no comunicado, afirmou que o executivo apresenta “as suas mais sentidas condolências à Companhia de Jesus, à Igreja Católica, aos seus familiares, amigos, antigos alunos e a todo o povo timorense”, associando-se “à dor da sua partida” e prestando homenagem à memória de um homem que fez de Timor-Leste “a sua pátria de missão e de coração”.

Segundo aviso divulgado pelos jesuítas de Timor-Leste, a Missa Exequial do Padre João Felgueiras realiza-se na terça-feira, dia 7 de julho, na Sé Catedral de Díli, com o horário alterado para as 10h00.

Após a cerimónia religiosa, o cortejo segue para Hera, onde decorrerá a cerimónia de sepultamento.

FIM

Escrito por RafaFM

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