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Líderes mundiais reúnem-se na ONU sob a sombra de guerras, divisões e receios sobre a inteligência artificial

todaySetembro 21, 2026 4

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Nova Iorque, 21 de setembro de  2026 (RAFA) – A 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas arranca esta semana marcada por conflitos armados em vários continentes, choques climáticos e temores crescentes sobre os riscos de uma inteligência artificial sem controlo.

A reunião de alto nível, que junta cerca de 130 chefes de Estado e de Governo a partir de terça-feira (quarta-feira em Timor-Leste), decorre sob o peso de guerras no Irão, em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Congo e em Myanmar, sem que exista uma resposta clara sobre a capacidade dos líderes mundiais para as travar.

À lista de desafios somam-se o agravamento do aquecimento global, as desigualdades entre nações e os choques na economia mundial causados pelo bloqueio de rotas de transporte marítimo e cadeias de abastecimento.

O futuro da própria ONU também estará em debate.

Aos 81 anos, a organização continua estruturada em torno das potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, com Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França a deterem poder de veto no Conselho de Segurança.

Os 193 Estados-membros já acordaram um pacote de reformas alargado, mas a sua implementação continua incerta.

Nos bastidores, discute-se também quem sucederá a António Guterres, cujo segundo mandato de cinco anos como secretário-geral termina a 31 de dezembro, sem que tenha emergido um sucessor claro.

Entre os oradores de destaque contam-se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente francês, Emmanuel Macron, que discursam na terça-feira, após a intervenção inaugural de Guterres.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, falam na quarta-feira.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, discursa na quinta-feira, dia em que o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, impedido de viajar aos Estados Unidos pela segunda vez consecutiva por recusa de visto, intervirá por vídeo.

Entre as ausências mais notadas contam-se o presidente chinês, Xi Jinping – que se reúne com Trump em Washington na quarta-feira e envia um vice-presidente à ONU -, o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente indiano, Narendra Modi, que também desistiu de participar.

O embaixador francês junto da ONU, Jérôme Bonnafont, defendeu que é “extremamente crítico” que os líderes mundiais reafirmem esta semana o apoio ao multilateralismo, “num momento de tanta polarização”.

Timor-Leste está representado nesta sessão pelo Presidente da República e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, que chefia a delegação timorense numa visita oficial aos Estados Unidos que se prolonga até dia 25 de setembro.

Ramos-Horta discursa na Assembleia-Geral na quarta-feira, dia 23, hora de Nova Iorque – já quinta-feira, dia 24, em Timor-Leste -, onde apresenta as posições do país sobre os principais temas da agenda internacional e reafirma o compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas.

Nesse mesmo dia, participa como orador no painel de alto nível “Reaffirming the UN’s Promise of Peace – Using the Power We Have” e tem bilaterais marcadas com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e com o primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Matthew Cooper Wale, além de participar na Mesa Redonda Norte-Sul sobre regionalismo e multilateralismo, organizada pela Foreign Policy Community of Indonesia.

“As Nações Unidas foram fundadas na promessa de paz, dignidade e igualdade para todos os povos. Ao tomar o nosso lugar na 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, reafirmamos a nossa fé inabalável no multilateralismo e o nosso compromisso em ser uma voz pelas pequenas nações, pelas crianças, pelos jovens, pelas mulheres e raparigas, e por um mundo governado pela justiça e pelo direito internacional. Timor-Leste pode ser um país pequeno, mas as nossas aspirações, como as de todas as nações, não têm limites”, afirmou Ramos-Horta, citado no comunicado da Presidência da República.

A agenda do Presidente na ONU inclui ainda, na segunda-feira, dia 21 (terça-feira, dia 22, em Timor-Leste), a atribuição da Ordem de Timor-Leste ao mediador e académico nigeriano Babafemi A. Badejo, antigo chefe de gabinete de Ramos-Horta na Guiné-Bissau quando este foi representante especial do secretário-geral da ONU entre janeiro de 2013 e junho de 2014.

Na altura José Ramos-Horta tinha o estatuto de subsecretário-geral, sendo o único timorense a exercer um cargo de tão alto nível na organização.

No mesmo dia, o Presidente reúne-se com a ativista paquistanesa e Nobel da Paz Malala Yousafzai, para discutir a defesa da educação das raparigas.

Na terça-feira, dia 22 (quarta-feira, dia 23, em Timor-Leste), dia da abertura oficial da 81.ª sessão, subordinada ao tema “Restoring trust, managing transformation: a United Nations that delivers for all”, Ramos-Horta tem uma bilateral com o Presidente da República Checa, Petr Pavel, discursa na reunião de alto nível “Beyond 2030: Renewing the Global Commitment to End Poverty in All Its Dimensions” e reúne-se com a presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric.

Na quinta-feira, dia 24 (sexta-feira, dia 25, em Timor-Leste), o Presidente viaja para Washington, numa visita de um dia, onde se encontra com o senador Chris Coons, presidente da Comissão de Orçamento do Senado, e com o diretor interino do Peace Corps, Christopher Landau, no âmbito do reforço da cooperação na área da segurança e defesa.

Na sexta-feira, dia 25 (sábado, dia 26, em Timor-Leste), encerra a visita com bilaterais com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o secretário assistente Michel George, e o representante do Grão-Imã de Al-Azhar e secretário-geral do Conselho Muçulmano dos Sábios, o juiz Mohamed Abdel-Salam.

A ONU atravessa um ano difícil, marcado pela marginalização nos principais dossiês de paz e segurança internacional, no Médio Oriente e na Ucrânia, e por dificuldades financeiras agravadas pelo não pagamento, por parte dos Estados Unidos, de milhares de milhões de dólares em contribuições em atraso.

Segundo Richard Gowan, do International Crisis Group, a ONU já não está “em queda livre” como em 2025, mas permanece “presa a uma crise permanente”.

Washington pagou recentemente 725 milhões de dólares da sua contribuição para o orçamento regular deste ano, o suficiente para manter o direito de voto dos Estados Unidos na Assembleia-Geral, um sinal de que a administração Trump pretende manter-se na organização.

A inteligência artificial ganhou também um lugar central na agenda.

Dias antes da cimeira, líderes de três grandes empresas do setor alertaram para o risco de perda de controlo humano sobre a tecnologia e pediram uma pausa no seu desenvolvimento, mas Trump rejeitou as preocupações como “uma fraude” e defendeu a continuação dos avanços para manter os Estados Unidos à frente da China.

O Conselho de Segurança da ONU agendou uma reunião de alto nível sobre inteligência artificial para quarta-feira à tarde, além de um encontro já previsto sobre a Ucrânia com Zelensky na manhã do mesmo dia.

Será a última Assembleia-Geral de Guterres como secretário-geral.

Segundo o próprio, o mundo atravessa “uma era de profunda incerteza” e enfrenta “três ameaças existenciais”, o que torna a cooperação internacional “mais necessária do que nunca”.

Jornalista: António Sampaio (Com agências)

 

 

Escrito por RafaFM

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