Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Uma vaga conservadora de proporções históricas está a redefinir o mapa político da América Latina, impulsionada pelo aumento da violência e da extorsão em vários países da região, entre outros fatores.
A popularidade do modelo securitário do Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o efeito catalisador do apoio explícito do Presidente norte-americano Donald Trump a candidatos de direita, estão segundo a AP a reverter a hegemonia progressista que havia dominado o continente no início da década.
Das sete eleições presidenciais realizadas ou previstas na região em 2026 – na Bolívia, no Chile, em Honduras, na Costa Rica, no Peru, na Colômbia e no Brasil -, a direita venceu nas quatro que já se realizaram, e os candidatos conservadores lideram as sondagens nas restantes.
Uma vitória de De la Espriella na Colômbia reforçaria um bloco em que governos de direita e centro-direita já controlam a Argentina, a Bolívia, o Chile, a Costa Rica, o Equador, El Salvador, Honduras e o Paraguai.
Na Colômbia, o advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella surpreendeu ao vencer a primeira volta das eleições presidenciais de 31 de maio com 43,74% dos votos, contrariando as sondagens que apontavam para uma vitória do candidato progressista Iván Cepeda, senador e herdeiro político do Presidente Gustavo Petro.
A segunda volta está marcada para 21 de junho, num confronto entre a visão da extrema-direita e a continuidade do projecto de esquerda do actual executivo.
De la Espriella, conhecido pela alcunha de “El Tigre” e apoiante declarado de Trump, posicionou-se como um outsider que promete mão dura contra o crime.
O resultado do segundo turno deverá definir uma encruzilhada para a América Latina num momento em que a região se inclina crescentemente para candidatos que defendem abordagens militarizadas ao combate ao crime organizado.
No Peru, a segunda volta de 7 de junho opôs Keiko Fujimori, filha do ex-Presidente Alberto Fujimori, ao candidato de esquerda Roberto Sánchez.
O resultado mantém-se em empate técnico, com a direita e a esquerda boliviana e chilena já confrontadas com protestos e quedas nas sondagens de aprovação pouco após assumirem o poder, o que sugere que os eleitores tendem a estar “continuamente insatisfeitos com quem votaram quatro anos antes”.
Segundo o Latinobarómetro, a proporção de latino-americanos que se identificam com o centro-direita é, desde 2024, a mais elevada em mais de duas décadas, levando cientistas políticos a falar de uma possível “viragem conservadora” de proporções históricas.
Uma vaga comparável às grandes transformações regionais anteriores – as ditaduras militares dos anos 1970, a vaga de democratização dos anos 1980 e a “maré rosa” de esquerda do início dos anos 2000.
No Chile, porém, a governação de Kast já enfrenta os limites da retórica populista.
Passados quase três meses de mandato, o governo organizou apenas dois voos de deportação após ter prometido expulsar imediatamente mais de 300.000 imigrantes sem estatuto legal, e o próprio Kast acabou por admitir que a promessa de deportações em massa havia sido “uma metáfora”.
Em junho, numa alocução nacional, adotou um tom mais comedido: “Governar significa assumir a responsabilidade pela realidade, especialmente quando é difícil. Estou a proceder passo a passo porque isto não acontece de um dia para o outro.”
Para analistas do Atlantic Council, mais do que uma conversão ideológica, o que motiva os eleitores latino-americanos é o sentimento anti-incumbente e o medo face à insegurança – o que sugere que a vaga conservadora poderá ser tão frágil quanto a “maré rosa” que a precedeu.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt