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Díli, 9 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Governo de Timor-Leste e a Conferência Episcopal Timorense (CET) definiram o programa detalhado da trasladação dos restos mortais de três bispos que serviram a diocese de Díli ao longo das décadas da administração portuguesa, com as cerimónias centrais previstas entre um e dez de setembro em Díli, Manatuto e Lautém.
Em causa está a trasladação dos féretros de D. Jaime Garcia Goulart, D. José Joaquim Ribeiro e do Monsenhor Martinho da Costa Lopes, figuras centrais da história da Igreja Católica em Timor-Leste ao longo de mais de quatro décadas.
O plano operacional, a que a RAFA.TL teve acesso, foi elaborado em conjunto pela Comissão Organizadora do Governo e pela Comissão Organizadora da Igreja, estabelecendo 22 etapas que se iniciam em Portugal no mês de julho, com a transferência dos féretros dos locais onde estão atualmente sepultados para Lisboa.
A primeira fase do processo decorre inteiramente em território português.
A 01 de julho, os restos mortais de D. José Joaquim Ribeiro serão trasladados de Évora para Lisboa. A oito do mesmo mês, é a vez dos restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart, transferidos de Ponta Delgada, nos Açores, para a capital portuguesa.
A quinze de julho, proceder-se-á ao levantamento dos restos mortais do Monsenhor Martinho da Costa Lopes no cemitério de Carnaxide.
Segundo o programa, os processos administrativos relativos à trasladação dos três prelados de Lisboa para Díli estarão concluídos na primeira semana de agosto, com a selagem das urnas pelas autoridades policiais portuguesas prevista para 22 do mesmo mês.
Ainda em Portugal, a 17 de agosto, a Sé Catedral de Évora acolherá uma missa de ação de graças em memória dos três prelados, presidida pelo Arcebispo de Évora, Dom Francisco José Villas-Boas Senra de Faria Coelho, com a participação de fiéis timorenses.
No dia 19, celebrar-se-á missa de ação de graças em honra de D. Jaime Garcia Goulart, presidida pelo Bispo de Angra. Está ainda prevista para esse dia a aprovação da resolução do Governo que atribuirá o nome de Monsenhor Martinho da Costa Lopes à Ponte sobre a Ribeira de Lacló.
O transporte aéreo dos restos mortais dos três prelados de Lisboa para Díli está previsto para o período entre 28 e 30 de agosto, com uma cerimónia de despedida oficial no Aeroporto Humberto Delgado antes do embarque.
A comitiva oficial que acompanhará o translado será constituída por Dom Leandro Maria Alves, Secretário-Geral da CET, pelos familiares dos bispos, e por representantes do Governo e do Estado timorense, designadamente do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, do Ministério da Administração Estatal e da Presidência da República.
Ainda antes da chegada dos féretros vindos de Portugal, a trinta e um de agosto, a urna de D. Alberto Ricardo da Silva – bispo de Díli entre 2004 e 2015, sepultado no Cemitério dos Padres em Matoa – será trasladada para a Esplanada de Tasi-Tolu, onde se iniciará o velório contínuo com missas e momentos de oração.
A chegada dos féretros ao Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato está prevista para 01 de setembro, com a comitiva a ser recebida na escadaria da aeronave pelo Presidente da CET e pelo Primeiro-Ministro.
Concluída a cerimónia protocolar e cultural de acolhimente, inicia-se uma procissão solene em direção à Esplanada de Tasi-Tolu.
Entre 02 e 04 de setembro, os restos mortais de Monsenhor Martinho da Costa Lopes percorrerão o interior do país, numa peregrinação de profundo significado simbólico para as comunidades que o recordam como um dos mais corajosos defensores dos direitos humanos do povo timorense durante a ocupação indonésia.
A 02 de setembro, a urna de Monsenhor Martinho da Costa Lopes será levada da Esplanada de Tasi-Tolu para a Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Laleia.
No mesmo dia, os restos mortais de D. Jaime Garcia Goulart serão transladados para o Instituto Superior de Filosofia e Teologia (ISFJT) em Fatumeta, regressando a Tasi-Tolu no período da tarde. Em Mehara, no distrito de Lautém, está prevista a cerimónia de inauguração de um monumento às quinze horas.
A 03 de setembro, os restos mortais de Monsenhor Martinho da Costa Lopes seguirão de Laleia para Manatuto, onde será realizada a cerimónia de atribuição oficial do seu nome à ponte da cidade, em conformidade com resolução governamental aprovada para o efeito.
Os restos mortais serão recebidos pelos leais moradores segundo a cultura local. No dia seguinte a urna regressará a Díli.
A 05 de setembro, está prevista uma visita solene dos restos mortais de Monsenhor Martinho da Costa Lopes à sua antiga residência em Lahane, seguida de missa na Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Balide.
Os dias 07 e 08 de setembro serão reservados, na Esplanada de Tasi-Tolu, para homenagens oficiais e institucionais, com a participação dos titulares e ex-titulares dos órgãos de soberania, membros do Governo, deputados do Parlamento Nacional, corpo diplomático, representantes dos partidos políticos, estudantes e público em geral.
A 09 de setembro, junto à Catedral de Díli, terá lugar a cerimónia de inauguração do Monumento e Jardim de Homenagem, espaço memorial dedicado aos bispos, padres e religiosos que contribuíram para a luta da independência nacional. No mesmo dia, às dezassete horas, será inaugurado em Tasi-Tolu o monumento ao Papa São João Paulo II.
A cerimónia final está marcada para 10 de setembro, com a missa presidida por Dom Vírgilio Cardeal do Carmo da Silva, Arcebispo Metropolitano de Díli e Presidente da CET, seguida das intervenções do Pró-Presidente da CET e do Presidente da República José Ramos-Horta.
Após a bênção final, os restos mortais serão trasladados para a Sé Catedral de Díli, onde serão definitivamente inumados com a saudação cultural Dadolin e o rito de lançamento de pétalas Kari Aifunan.
O processo de trasladação, orçado em 600 mil dólares, é coordenado pela Comissão Interministerial criada por despacho do Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão em março, presidida pelo ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral.
Entrou na diocese a 09 de dezembro de 1945, encontrando-a devastada e com a maior parte das estruturas pastorais em ruínas como resultado da ocupação japonesa.
Durante o período em que esteve à frente da diocese, o número de católicos passou de cerca de 30 000 para mais de 150 000, e o número de alunos das escolas missionárias subiu de 1 500 para 8 000.
Resignou em 1967 por motivos de saúde e regressou aos Açores, onde faleceu a 15 de abril de 1997, tendo sido sepultado no cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada.
Profundamente perturbado pelas mortes em massa dos timorenses durante a invasão indonésia de dezembro de 1975, entrou em colapso nervoso e pediu a sua resignação ao Papa Paulo VI em maio de 1977, pedido que lhe foi concedido em outubro desse ano.
Regressou a Portugal, onde viveu até falecer em Évora, a 27 de julho de 2002.
Monsenhor Martinho da Costa Lopes, administrador apostólico de Díli entre 1977 e 1983, é a figura mais politicamente marcante do trio.
O seu nome está associado a uma reorientação histórica da Igreja timorense para a cultura local. Durante os anos em que liderou a diocese, a Igreja cresceu a um ritmo nunca visto em séculos de atividade missionária portuguesa.
Face à ocupação indonésia, tornou-se um dos mais corajosos defensores dos direitos humanos do povo timorense.
Denunciou o recrutamento forçado de 50 000 homens e rapazes para formar uma cadeia humana destinada a esmagar a resistência da Fretilin, e condenou publicamente o exército indonésio pelo massacre de 500 mulheres e crianças no Santuário de Santo António, em Lacluta, em setembro de 1981.
Pressionado pelas autoridades indonésias, acabou por abandonar Timor em junho de 1983 e instalar-se em Portugal, onde faleceu.
FIM
Escrito por RafaFM
Trasladação dos restos mortais dos bispos de Timor tem calendário definido
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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