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Xanana Gusmão pede combate reforçado à tuberculose e às doenças não transmissíveis na abertura da 79.ª Sessão da OMS

todaySetembro 7, 2026 37

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Díli, 7 de setembro de 2026 (RAFA) – O primeiro-ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, defendeu hoje um combate reforçado à tuberculose, às doenças não transmissíveis e às mortes evitáveis de mães e crianças, na abertura da 79.ª Sessão do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Sudeste Asiático em Díli.

Xanana Gusmão associou os progressos do país na saúde ao percurso de Timor-Leste rumo à liberdade, recordando que “o nosso povo suportou o conflito, o deslocamento, a fome e a doença” e que “a sua coragem, e a solidariedade de amigos em todo o mundo, ajudaram-nos a chegar à independência”.

Referindo o Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030, sublinhou que “o desenvolvimento do país depende do desenvolvimento do nosso povo”, com a saúde a ocupar “um lugar central” nessa estratégia, ao serviço de “uma população saudável, bem-educada e qualificada”.

O discurso foi transmitido por vídeo já que o primeiro-ministro, que se encontrava na Indonésia desde a semana passada, não conseguiu regressar a tempo a Díli devido aos sucessivos cancelamentos de voos na região provocados pelas cinzas do vulcão Anak Krakatau.

Citando a campanha da OMS “Walk the Talk” (“Caminhar e Agir”) para a saúde, propôs às delegações “caminhar, falar e agir juntos pela saúde”, saudando a inclusão, no programa do dia seguinte, de uma sessão de atividade física como “uma boa oportunidade para pôr a nossa mensagem em prática”.

O chefe do Governo destacou os dois principais marcos de saúde pública do país – a eliminação da filariose linfática e a certificação como país livre de malária, obtida em julho do ano passado -, atribuindo estas conquistas “aos profissionais de saúde, voluntários comunitários, famílias e funcionários públicos, com o apoio da OMS e dos nossos parceiros”.

Resultados, disse, que “mostram o que o esforço nacional sustentado e a cooperação internacional podem alcançar”.

Mas admitiu que é preciso “ser honestos quanto à distância que ainda separa muitas famílias dos cuidados de que precisam”, uma vez que, apesar de os serviços públicos de saúde serem gratuitos, “uma família num suco remoto pode ainda enfrentar uma viagem difícil, custos de transporte e tempo afastada do seu sustento”.

Destacou ainda o programa nacional de saúde integrada, o Programa Integrado de Saúde, como um instrumento para “aproximar os serviços das comunidades”, cuja promessa “deve ser levada por diante através de cuidados primários fiáveis e ligações eficazes com os hospitais”.

Xanana apontou a tuberculose, a malnutrição, as mortes evitáveis de mães e crianças e o “fardo crescente” das doenças não transmissíveis como os principais desafios pendentes, defendendo que “todas as pessoas com tuberculose devem ser diagnosticadas rapidamente, tratadas eficazmente e apoiadas até completarem o tratamento, sem discriminação ou dificuldades”. Quanto às doenças não transmissíveis, disse serem necessários “alimentos mais saudáveis, menos tabaco e consumo nocivo de álcool, mais atividade física, diagnóstico precoce e tratamento fiável”.

E vincou ainda que a saúde mental deve ser tratada “com a mesma seriedade e compaixão” que as doenças físicas.

Segundo o primeiro-ministro, “os dispositivos médicos, o diagnóstico, a saúde digital e a inteligência artificial podem levar conhecimento especializado a comunidades remotas e ajudar os profissionais de saúde a tomar decisões atempadas”.

O chefe do Governo defendeu também a proteção de mães, recém-nascidos e adolescentes como “um investimento no nosso futuro”, sublinhando que “as mulheres e raparigas devem receber cuidados respeitosos e ter voz nas decisões que afetam a sua saúde”.

Na sua intervenção destacou ainda o papel das comunidades e das instituições religiosas na prestação de cuidados, afirmando que “as famílias, os líderes comunitários, a Igreja e outras comunidades de fé, e os voluntários de saúde ajudam a sustentar a confiança e o cuidado” e podem ” ajudar os serviços a chegar a pessoas cujas necessidades são demasiado facilmente esquecidas”.

Recordando a experiência timorense de reconciliação, disse que ensinou ” o valor de escutar, da paciência e do respeito mútuo”, qualidades que, segundo Xanana, “importam também na saúde pública”, defendendo “discussões francas sobre o que está a funcionar, onde estamos a falhar e o que podemos aprender uns com os outros”.

Defendeu ainda a solidariedade regional com os países mais vulneráveis, afirmando que “caminhar juntos também significa estar ao lado de países com menos recursos, e de comunidades afetadas por conflitos ou emergências”, sublinhando que a região “é mais forte quando todos os países têm capacidade para proteger o seu povo”.

O primeiro-ministro defendeu que o objetivo comum dos trabalhos do Comité deve ser “que nenhuma pessoa seja privada da possibilidade de uma vida saudável por causa do local onde nasceu, onde vive ou do que pode pagar”, e que “o conhecimento partilhado através deste Comité deve chegar ao centro de saúde e à cabeceira do doente”.

Defendeu ainda o reforço da cooperação entre instituições de formação e hospitais na região, através de “mais tutoria e intercâmbio” e do apoio a “serviços especializados que reforcem a capacidade nacional”.

Os ministérios da Saúde precisam da “parceria dos responsáveis pelas Finanças, Educação, Agricultura, água, infraestruturas e ambiente”, com a mais alta liderança política a ajudar a unir esses esforços.

Sobre a gestão de recursos, afirmou que os países devem manter presentes “as mesmas perguntas práticas: o que vai mudar para as pessoas, quem vai levar o trabalho por diante e como saberemos que está a ter sucesso”, reconhecendo o papel técnico do organismo internacional. “Timor-Leste valoriza a liderança técnica da OMS e o seu apoio ao desenvolvimento nacional da saúde.” Destacou também a pertença de Timor-Leste à ASEAN como “mais uma oportunidade para contribuir para a cooperação” na região mais alargada.

Terminou apelando a que os participantes levem consigo, no regresso aos seus países, “a determinação renovada de servir os vossos povos”.

“Caminhemos juntos, para que compreendamos as vidas por trás das nossas decisões. Falemos juntos, com honestidade, respeito e vontade de aprender. Ajamos juntos, para que os nossos compromissos se transformem em cuidados com que as pessoas possam contar”, disse.

FIM

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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