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Nova Iorque, 7 de outubro de 2026 (RAFA) — Timor-Leste defendeu nas Nações Unidas uma arquitetura financeira internacional que considere melhor as vulnerabilidades estruturais dos países em desenvolvimento, incluindo os impactos das alterações climáticas e as restrições económicas dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
Esta posição foi apresentada pelo Representante Permanente de Timor-Leste junto das Nações Unidas, Dionísio Babo, durante o debate geral da Segunda Comissão da 81ª Assembleia Geral da ONU, dedicado ao financiamento do desenvolvimento sustentável numa economia global em transformação.
“Para Timor-Leste, o financiamento do desenvolvimento sustentável é uma questão de resiliência nacional, justiça social e oportunidades intergeracionais”, afirmou o embaixador.
Timor-Leste, que é simultaneamente um País Menos Desenvolvido e um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, tem apresentado progressos nos últimos anos, mas continua a enfrentar limitações relacionadas com o seu pequeno mercado interno, capacidade produtiva, dependência de importações e exposição aos impactos climáticos, segundo Babo Soares.
O diplomata destacou ainda o papel das receitas provenientes da exploração dos recursos naturais no financiamento do desenvolvimento nacional e dos serviços públicos.
“O nosso desafio é transformar estas receitas em capacidade produtiva duradoura e em oportunidades para as gerações futuras, salvaguardando simultaneamente a sustentabilidade fiscal, uma vez que estes recursos finitos e não renováveis se esgotam gradualmente”, afirmou.
No seu discurso, Timor-Leste defendeu a implementação efetiva do Compromisso de Sevilha e o reforço da representação dos países em desenvolvimento nos processos de decisão financeira internacional.
Babo Soares afirmou que o acesso ao financiamento concessional deve considerar não só o rendimento dos países, mas também as suas vulnerabilidades estruturais, os riscos climáticos e as necessidades de desenvolvimento, utilizando o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional. “Reduzir os custos de financiamento, simplificar o acesso e reconhecer melhor a vulnerabilidade ajudariam a expandir o investimento onde é mais necessário”, afirmou.
Timor-Leste defendeu ainda que a previsibilidade dos donativos e o cumprimento dos compromissos da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (AOD) continuam a ser indispensáveis.
Ao mesmo tempo, o país reconheceu a importância das responsabilidades internas, defendendo o reforço da mobilização de receitas, a gestão das finanças públicas e a transparência nos processos de contratação pública.
Quatro propostas para financiar o desenvolvimento
Babo Soares apresentou quatro áreas que Timor-Leste considera importantes para complementar as fontes tradicionais de financiamento do desenvolvimento.
A primeira envolve um maior papel para os bancos multilaterais de desenvolvimento através de financiamento misto, garantias e apoio à preparação de projetos.
Para Timor-Leste, acrescentou, é particularmente importante garantir financiamento a longo prazo a custos acessíveis para investimentos produtivos e empresas nacionais viáveis.
A segunda proposta envolve instrumentos financeiros inovadores, incluindo títulos temáticos ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e mecanismos voluntários de troca de dívida por desenvolvimento ou acção climática.
Segundo o diplomata, estes instrumentos devem mobilizar recursos em condições acessíveis, responder às prioridades nacionais e evitar a criação de encargos de dívida insustentáveis.
A terceira proposta passa por uma cooperação internacional mais forte em matéria fiscal, com o objetivo de combater a evasão e a elisão fiscal e os fluxos financeiros ilícitos.
A quarta proposta é a redução dos custos das remessas, a expansão das finanças digitais inclusivas e a criação de condições favoráveis ao investimento da diáspora.
A educação, a saúde e a agricultura entre as prioridades
Entre as áreas prioritárias de Timor-Leste estão a educação, a saúde, a agricultura sustentável, a segurança alimentar, as energias renováveis e as infraestruturas resilientes.
O representante timorense destacou ainda a importância da conectividade digital, das competências profissionais e do acesso ao financiamento para as pequenas empresas, em particular para criar oportunidades para as mulheres, os jovens e as comunidades rurais.
De acordo com Babo Soares, a adesão de Timor-Leste à Organização Mundial do Comércio e à ASEAN abre também novas oportunidades para o comércio, o investimento e a integração regional.
“A Agenda 2030 continua a ser a nossa promessa partilhada. Cumpriremos essa promessa com financiamento acessível, implementação responsável e solidariedade”, concluiu.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Timor-Leste defende financiamento mais acessível para países vulneráveis na ONU
todayOutubro 22, 2026 88 2
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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