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Suu Kyi fala pela primeira vez em mais de cinco anos com o filho, numa chamada de 20 minutos

todayOutubro 23, 2026 6

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Bangkok, 23 de outubro de  2026 (RAFA) – A antiga líder de Myanmar Aung San Suu Kyi, detida, falou na quinta-feira durante 20 minutos com o filho Kim Aris, na primeira chamada telefónica entre ambos em mais de cinco anos.

Aris anunciou a conversa na sua página de Facebook. “Hoje consegui, finalmente, falar com a minha mãe, Daw Aung San Suu Kyi, ao fim de mais de cinco anos. Voltar a ouvir a sua voz significa mais do que as palavras podem exprimir”, escreveu.

A porta-voz do Presidente de Myanmar, Min Aung Hlaing, Khaing Khaing Soe, confirmou a chamada na aplicação Telegram. Suu Kyi encontra-se em prisão domiciliária num local não revelado da capital, Naypyidaw, e Aris falou a partir da embaixada de Myanmar em Londres.

Suu Kyi está detida desde fevereiro de 2021, quando um golpe militar derrubou o seu Governo eleito.

Cumpre atualmente uma pena de 18 anos de prisão em regime de prisão domiciliária, depois de condenada por crimes que os seus apoiantes e organizações de direitos humanos consideram politicamente motivados.

Não é vista em público desde o golpe, e o seu paradeiro e estado de saúde têm sido em grande parte mantidos longe do conhecimento público.

Aris, o mais novo dos dois filhos que Suu Kyi teve com o falecido marido, o académico britânico Michael Aris, vive em Londres e lançou, com outros ativistas pela democracia de Myanmar, uma campanha online para exigir provas de que a mãe está viva e de boa saúde.

Na quinta-feira, lembrou que Suu Kyi tem 81 anos e está “injustamente detida” e pediu aos apoiantes que “continuem a falar até que ela seja libertada”.

“A minha mãe e todos os presos políticos têm de ser libertados imediata e incondicionalmente. A liberdade não é negociável”, escreveu.

Em agosto, um representante do Comité Internacional da Cruz Vermelha visitou Suu Kyi, no primeiro contacto conhecido com uma organização humanitária internacional independente desde a sua detenção.

Na segunda-feira, o Governo apoiado pelos militares disse ter entregue a Suu Kyi dois livros enviados pelo rei Carlos III do Reino Unido, com um envelope selado e correspondência diplomática.

O anúncio desse gesto e da chamada de quinta-feira parecem fazer parte de uma ofensiva de charme para ganhar legitimidade diplomática.

Min Aung Hlaing, que liderou a tomada do poder pelos militares em 2021, procura pôr fim ao isolamento internacional imposto após a destituição e prisão de Suu Kyi e projetar um regresso à normalidade, depois de ter realizado eleições no início deste ano.

Os críticos consideram que o ato eleitoral não foi livre nem justo e que serviu para consolidar o domínio dos militares.

O Governo parece, ainda assim, avançar na recuperação de relações mais cordiais com os países vizinhos e até com os Estados Unidos, um dos mais duros críticos do regime e um dos principais impulsionadores das sanções internacionais.

Entretanto, os militares continuam a travar uma guerra violenta contra guerrilhas pró-democracia e grupos rebeldes étnicos.

A comunidade internacional, incluindo os parceiros de Myanmar na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), tem pedido a libertação de Suu Kyi e o acesso ou o contacto com ela como parte dos esforços para resolver a crise política do país, mas o Governo rejeitou esses apelos.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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