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Surto de Ébola no Congo sobe para 782 casos e 181 mortos, rastreio de contactos deteriora-se

todayJunho 15, 2026 13

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Kinshasa, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O número de casos confirmados de Ébola na República Democrática do Congo subiu para 782, com 181 mortes, anunciou domingo o Ministério da Saúde congolês numa publicação na plataforma X, num surto que se agrava pela queda acentuada na cobertura do rastreio de contactos.

Cinquenta e seis pessoas recuperaram da doença. A taxa de mortalidade atual situa-se nos 23%.

O surto atual é causado pelo raro vírus Bundibugyo, variante do Ébola para a qual não existe vacina nem tratamento aprovados – ao contrário do vírus Zaire, responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores registados no Congo.

O número real de casos é tido como superior ao confirmado: o surto só foi oficialmente declarado a 15 de maio, semanas depois de se estimar que tenha começado, e a cobertura do rastreio de contactos desceu para 56%, uma quebra acentuada em relação à semana anterior.

O surto concentra-se na província oriental de Ituri, que representa mais de 90% dos casos. Casos adicionais foram registados nas províncias de Kivu Norte e Kivu Sul, e a epidemia já se alastrou ao Uganda.

As condições no terreno dificultam seriamente a resposta. Perto de um milhão de pessoas foram deslocadas por conflitos armados em Ituri, segundo o escritório humanitário das Nações Unidas, e os milhares de mineiros artesanais que circulam regularmente entre locais remotos da região, rica em minerais, constituem um vetor difícil de rastrear.

A vastidão da província, com florestas densas, estradas precárias e aldeias remotas que podem exigir dias de viagem para serem alcançadas, agrava as dificuldades logísticas.

Acrescem ataques a profissionais de saúde por parte de residentes, ceticismo local em relação às equipas médicas e zonas de conflito armado activo que condicionam o acesso ao terreno.

No plano internacional, o mês passado autoridades norte-americanas anunciaram a intenção de enviar americanos expostos ao Ébola no estrangeiro para uma nova instalação no Quénia – na base aérea de Laikipia, com capacidade para 50 camas de quarentena – em vez de os repatriar para os Estados Unidos. A decisão gerou protestos no Quénia e acabou por ser suspensa pelos tribunais locais.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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