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Díli, 13 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Quase metade das crianças timorenses apresenta atraso de crescimento (stunting), e 17% em grau severo – valores praticamente inalterados desde 2016, quando a taxa de stunting era de 46%, depois de ter descido de 58% em 2009-10, segundo um estudo divulgado esta semana.
A prevalência de baixo peso para a idade (underweight) atinge 41% das crianças, com 12% em grau severo.
A magreza aguda (wasting) afeta 19% das crianças, depois de ter subido de 19% em 2009-10 para 24% em 2016 e voltar a descer.
O excesso de peso, por seu lado, baixou de 6% em 2016 para 2% em 2025-26, segundo o Inquérito Demográfico e de Saúde de Timor-Leste (TLDHS) 2025-26, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL, I.P.).
O inquérito mediu também o estado nutricional de 3.587 crianças com menos de cinco anos.
As disparidades municipais são acentuadas: Ermera regista a maior taxa de stunting (57%), seguido de Oecusse (57%) e Atauro (52%). Díli apresenta a taxa mais baixa (35%), seguido de Manatuto (35%) e Manufahi (37%).
A escolaridade da mãe está associada à nutrição infantil: entre as crianças cujas mães não têm educação, 58% têm atraso de crescimento, contra 34% entre as crianças cujas mães têm educação superior à secundária.
O mesmo estudo mostra que apenas 52% das crianças timorenses entre os 12 e os 23 meses receberam o esquema vacinal básico completo, uma percentagem praticamente inalterada nos últimos quinze anos.
O indicador desceu de 53% em 2009-10 para 49% em 2016, antes de subir ligeiramente para os 52% atuais.
A percentagem de crianças que não receberam qualquer vacina baixou de 23% para 15% no mesmo período, mas o objetivo de cobertura universal continua distante.
Por antigénio, 84% das crianças entre os 12 e os 23 meses receberam a vacina BCG contra a tuberculose, 68% completaram as três doses da vacina pentavalente (DPT-HepB-Hib) e 64% receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo-rubéola.
Segundo o esquema nacional, que inclui também doses de poliovírus inativado, pneumocócica e rotavírus, apenas 35% das crianças entre os 12 e os 23 meses estão totalmente vacinadas.
Entre as crianças de 24 a 35 meses, que deveriam já ter recebido o reforço de DPT e a segunda dose de sarampo-rubéola, a cobertura completa cai para 24%.
Existem disparidades acentuadas entre municípios. Oecusse regista a cobertura mais baixa de vacinação básica (41%), seguido de Bobonaro (36%). No extremo oposto, Atauro apresenta 72% e Lautem 56%.
A posse de cartão de vacinação (LISIO) influencia fortemente os resultados: entre as crianças cujo cartão foi visto pelos entrevistadores, 74% estão totalmente vacinadas com os antigénios básicos, percentagem que cai para 3% entre as crianças sem registo de vacinação.
No que respeita a doenças comuns, 22% das crianças com menos de cinco anos tiveram febre nas duas semanas anteriores ao inquérito, 14% tiveram diarreia e 1% apresentou sintomas de infeção respiratória aguda.
Foi procurado aconselhamento ou tratamento para 65% das crianças com febre, 62% das crianças com diarreia e 76% das crianças com sintomas respiratórios.
Entre as crianças com diarreia, 57% receberam sais de reidratação oral (SRO), 49% receberam suplementos de zinco, mas apenas 27% receberam a combinação recomendada de SRO, zinco e alimentação continuada.
Quanto à amamentação, 59% das crianças nascidas nos últimos dois anos foram amamentadas na primeira hora de vida, e 55% das crianças com menos de seis meses são exclusivamente amamentadas – uma ligeira subida face aos 50% registados em 2016.
Apenas 19% das crianças entre os 6 e os 23 meses recebem uma dieta com diversidade mínima recomendada, enquanto 28% consomem alimentos pouco saudáveis e 19% consomem bebidas açucaradas diariamente.
O TLDHS 2025-26 foi conduzido entre 29 de setembro de 2025 e 31 de janeiro de 2026, com uma amostra de 12.880 agregados familiares, pelo INETL, em colaboração com o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças, com apoio técnico do Programa DHS da ICF e financiamento do Governo de Timor-Leste, UNFPA, UNICEF, DFAT da Austrália, Programa Mundial de Alimentação e Banco Mundial.
FIM
Escrito por RafaFM
Desnutrição crónica afeta quase metade das crianças timorenses vacinação estagnada nos 52%
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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