Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Paris, 10 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – Uma coligação de seis países anunciou um novo pacote de sanções coordenadas contra colonos e colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, numa escalada de pressão diplomática sobre Israel.
A ação conjunta da Austrália, Reino Unido, Canadá, França, Noruega e Nova Zelândia surge perante a persistente vaga de violência contra palestinianos no território e a aceleração da construção de colonatos nos últimos quatro anos.
Os chefes da diplomacia dos seis países emitiram um comunicado conjunto em que afirmam que “colonos extremistas e violentos, com o apoio dos seus simpatizantes, continuam a atacar palestinianos e a violar os seus direitos humanos”.
“Durante demasiado tempo os colonos violentos agiram com quase total impunidade, e a expansão dos colonatos e a criação de novos postos avançados continuam com o apoio e a facilitação do governo de Israel”, refere o comunicado.
Entre as medidas individuais mais significativas, a França proibiu a entrada no seu território do ministro das Finanças israelita Bezalel Smotrich, líder do partido religioso de extrema-direita Sionismo Religioso e figura central na expansão agressiva dos colonatos israelitas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, acusou Smotrich de “promover ativamente” a anexação da Cisjordânia, a expansão dos colonatos, o restabelecimento de colonatos em Gaza e políticas destinadas ao colapso económico da Autoridade Palestiniana.
“Estas são políticas que a esmagadora maioria da comunidade internacional não pode aceitar”, afirmou Barrot, precisando que Paris proibiu também a entrada de quatro líderes de organizações de colonos e de 21 colonos acusados de atos de violência direta contra palestinianos.
Smotrich ordenou recentemente a expulsão de uma aldeia palestiniana na Cisjordânia ocupada, tendo declarado que a medida constituía uma resposta a relatos de que poderia ser alvo de mandados de detenção do Tribunal Penal Internacional, em Haia.
O TPI não divulga publicamente mandados de detenção nem pedidos relacionados.
O Reino Unido anunciou sanções contra seis entidades e um conjunto de indivíduos envolvidos no financiamento de colonatos ou na prática de atos de violência.
A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, declarou perante a Câmara dos Comuns ter visado “alguns dos indivíduos mais notórios, as entidades de colonatos mais significativas e as figuras extremistas do gabinete israelita que incitam estes atos”.
As sanções britânicas surgem num contexto de crescente debate no Reino Unido sobre a natureza das relações com Israel, incluindo pressão parlamentar para suspender licenças de exportação de armamento.
Em reação, o ministério dos Negócios Estrangeiros israelita classificou as sanções como “medidas vergonhosas” que “apenas servem para alimentar o antissemitismo”.
O embaixador israelita em Paris, Joshua Zarka, foi mais além, argumentando que as sanções poderiam revelar-se contraproducentes.
“Sancionar entidades governamentais ou ligadas ao governo não ajuda de forma alguma. Pelo contrário, acaba por ajudar os extremistas”, afirmou Zarka à AP na véspera do anúncio.
As novas sanções inserem-se numa tendência crescente de pressão ocidental sobre Israel.
Nos últimos meses, a União Europeia aprovou medidas semelhantes contra líderes do Hamas e organizações e líderes de colonatos israelitas.
A comunidade internacional considera de forma esmagadora que a construção de colonatos israelitas nos territórios ocupados é ilegal ao abrigo do direito internacional e constitui um obstáculo à paz.
O governo israelita, dominado por líderes e apoiantes dos colonatos, supervisionou uma aceleração significativa da construção de novas habitações nos territórios ocupados nos últimos quatro anos.
Em paralelo, a Cisjordânia tem registado uma vaga de violência de colonos contra palestinianos, com os agressores raramente sujeitos a qualquer punição pelas autoridades israelitas.
As sanções agora adotadas são, porém, de âmbito limitado: não equivalem às sanções abrangentes impostas a países como o Irão ou a Rússia e não afetam o comércio geral entre os países signatários e Israel, incluindo o fornecimento de armamento – uma distinção que críticos consideram insuficiente face à gravidade da situação no terreno.
Mais de 700.000 israelitas vivem atualmente na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel à Jordânia em 1967 e reclamados pelos palestinianos para um futuro Estado independente.
FIM
Escrito por RafaFM
Seis países impõem novas sanções a colonos israelitas na Cisjordânia
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt