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Ramos-Horta preside a último adeus a Lú-Olo no Jardim dos Heróis – “o teu povo não te esquecerá”

todayJunho 26, 2026 74

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Metinaro, 26 de junho  de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente José Ramos-Horta presidiu hoje às cerimónias fúnebres de Francisco Guterres “Lú-Olo” no Jardim dos Heróis, em Metinaro, numa última homenagem ao antigo Presidente da República, combatente das FALINTIL e símbolo da resistência timorense.

“Hoje Timor-Leste silencia-se diante da partida de um dos seus filhos mais dedicados”, afirmou Ramos-Horta perante os membros dos órgãos de soberania, dirigentes da FRETILIN e familiares do falecido, num curto discurso em que traçou o percurso de uma vida inteiramente dedicada à causa da independência.

“Lú-Olo pertence à geração dos nossos heróis nacionais – aqueles que ensinaram que a liberdade não é um presente, mas uma conquista feita de suor, sacrifício, derramamento de sangue, coragem e perseverança”, disse.

Ramos-Horta percorreu as várias etapas da missão histórica de Lú-Olo: combatente das FALINTIL, líder político da resistência, dirigente da FRETILIN, Presidente da Assembleia Constituinte, Presidente do Parlamento Nacional e, por fim, Presidente da República.

“Foi um homem de convicções firmes, que nunca se afastou do ideal maior de uma pátria livre, soberana e desenvolvida”, vincou.

O presidente evocou a dimensão geracional do legado de Lú-Olo.

“Para muitos timorenses, ele representa a geração que acreditou quando tudo parecia impossível. A geração que sonhou com um país livre, lutou por esse sonho e resistiu quando a esperança parecia desaparecer”, recordou.

Ramos-Horta deixou um apelo às gerações mais jovens, vincando uma mensagem de continuidade.

“Ele continuará a ser uma inspiração para as novas gerações: a prova viva de que é possível sonhar mas é necessário lutar muito, dia e noite, para realizar o sonho”, afirmou.

O chefe de Estado encerrou o seu discurso com uma citação do Livro do Eclesiastes – “o pó volta à terra, como era, e o espírito volta a Deus, que o deu” – e uma promessa em nome do Estado à família enlutada: “O vosso sofrimento é partilhado por toda a Nação.”

“Descansa em paz, Filho de Timor-Leste. O teu povo não te esquecerá”, concluiu Ramos-Horta.

O carro funerário com o caixão de Lú-Olo chegou ao recinto cerca das 15:20 onde foi recebido com cânticos religiosos, mas também vivas ao ex-Presidente da República.

Depois, coube a Vidal de Jesus Riak Leman, presidente do Conselho dos Combatentes da Libertação Nacional, e antigo secretário da região 4 das FALINTIL, a leitura do Decreto do Presidente da República (68/2026) que delibera o sepultamento de Lú-Olo em Metinaro.

“A sua trajetória, marcada pela continuidade entre a luta armada, a resistência política, a transição para a independência e o exercício das mais altas funções do Estado, confere-lhe um lugar de excecional relevo na história nacional”, refere o decreto.

“É concebido ao saudoso ex-Presidente da República, Francisco Guterres Lú-Olo o direito a honras fúnebres de Estado e ao sepultamento no Cemitério do Jardim dos Heróis da pátria em reconhecimento da sua participação destacada na luta de libertação nacional e dos eminentes serviços prestados ao Estado e ao povo timorense. Fica igualmente autorizada a realização da cerimónia fúnebre e do respetivo sepultamento no talhão do quadro especial, no cemitério especial”, conclui o diploma.

Foi num quase silêncio absoluto que Lú-Olo foi sepultado, com o som de salvas de tiros a ser depois ecoado por vários vivas ao ex-Presidente e abraços comovidos da viúva e dos filhos.

A cerimónia fúnebre foi acompanhada por vários dirigentes e individualidades nacionais, por representantes do Corpo Diplomático e por uma grande multidão, muitos dos quais chegaram ao espaço horas antes, espalhando-se por onde era possível.

Ao longo do percurso até Metinaro, o carro fúnebre com o caixão de Francisco Guterres Lú-Olo foi acompanhado por cidadãos anónimos que acenaram, lançaram flores ou rezaram, em homenagem ao ex-Presidente da República.

FIM

Escrito por RafaFM

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