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Lisboa, 26 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, alertou hoje para o que considera ser a crescente fragmentação global, num processo de erosão do direito internacional, defendendo uma renova aposta no multilateralismo para responder aos conflitos do planeta.
“Infelizmente, o sistema construído ao longo de décadas, ainda que imperfeito de cooperação, diálogo e regras comuns, está a ser corrompido por uma combinação perigosa de desinformação, impulsividade, populismo e desconfiança generalizada nas e das instituições», disse Xanana Gusmão em Lisboa.
O histórico líder timorense falava na Aula Magna da Universidade de Lisboa após receber o Prémio Professor Doutor Jorge Miranda: Constituição e Direitos Humanos, que dedicou aos «mártires da pátria» e aos milhares de timorenses que lutaram pela independência do país.
A homenagem, disse, “não recai sobre mim, mas na jornada coletiva de um povo que lutou, sofreu e perseverou para conquistar a liberdade, a dignidade e o direito de decidir o seu próprio destino”.
O primeiro-ministro alertou para a fragmentação do consenso internacional, perante um crescente número de conflitos e o “peso da guerra e dos interesses económicos”, evidenciando-se a incapacidade de colocar “a tolerância acima do ódio, o diálogo acima da arrogância e a reconciliação acima das diferenças”.
Recordando que “o mundo enfrenta hoje mais de 61 conflitos armados ativos num contexto geopolítico que alguns chamam de grande fragmentação”, Xanana Gusmão referiu-se, entre outros, à “nação esquecida deste século XXI”, o Saara Ocidental, defendendo a implementação das resoluções das Nações Unidas que preveem um referendo de autodeterminação.
Referiu ainda, com “profunda preocupação”, as crises humanitárias na Palestina, Ucrânia, Síria, Iémen, República Democrática do Congo, Sudão e Haiti, salientando que as principais vítimas continuam a ser civis, mulheres e crianças.
“Os princípios, as normas internacionais devem ser respeitadas e aplicadas por todos e não apenas por alguns, nem apenas por um momento”, avisou.
Ao receber a distinção, Xanana sublinhou que
Recordando a história, Xanana Gusmão referiu-se ao papel fundamental de Portugal durante os anos de lutam contra a ocupação indonésia.
“Após décadas de ocupação e de graves violações de direitos fundamentais, o povo de Timor-Leste nunca deixou de acreditar num futuro de justiça, paz e soberania e liberdade”, frisou Xanana
“Não recebemos uma única arma, uma única bala, nem qualquer treino militar ou estratégico, mas recebemos o escudo, ou talvez a arma mais fundamental de todas: a solidariedade internacional e muito particularmente a solidariedade do povo português”, disse.
O Prémio Professor Doutor Jorge Miranda foi criado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa para distinguir personalidades que se destacam na defesa dos valores constitucionais, da democracia e dos direitos humanos.
Além do próprio Jorge Miranda, a cerimónia contou com a presença do reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, do presidente do Tribunal Constitucional, José João Abrantes, do procurador-geral da República, Amadeu Guerra, e da secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim.
Xanana Gusmão encontra-se em Portugal desde sábado para uma visita oficial durante a qual se reuniu com o Presidente da República, António José Seguro, visitou a sede da CPLP e manteve encontros com responsáveis das áreas da justiça e do ensino superior.
Num momento inesperado e no final da cerimónia, Xanana Gusmão acabou a fazer uma roda com os académicos da Faculdade de Direito que o estavam a homenagear solenemente, incluindo Jorge Miranda, ao som do coro da UL que cantava em tétum.
FIM
Escrito por RafaFM
PM timorense lamenta fragmentação global e defende mais multiculturalismo
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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