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PM questiona porque tantas metas do desenvolvimento nacional continuam por atingir

todayMaio 25, 2026 39

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Díli, 25 de maio  de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro Kay Rala Xanana Gusmão lançou hoje um desafio direto aos parceiros de desenvolvimento de Timor-Leste, questionando a eficácia conjunta da cooperação ao longo dos últimos 15 anos.

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“Se todos dizemos que estamos a implementar o PED – Governo e parceiros – por que razão tantas metas continuam por atingir?”, interpelou Xanana Gusmão na abertura da Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento (TLDPM 2026), no auditório do Ministério das Finanças, em Díli.

“É isto que vos peço hoje: uma reflexão conjunta sobre a nossa responsabilidade comum para corrigir o rumo da implementação”, disse.

Xanana Gusmão referiu-se em concreto a um relatório que vai ser hoje apresentado e que analisa a primeira década e meia de implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED) 2011-2030, reconhecendo que “a maioria das metas previstas no PED ainda não foram alcançadas”, apesar dos esforços de sucessivos Governos.

“Iremos verificar que apesar de avanços importantes, a maioria das metas previstas no PED ainda não foram alcançadas. Temos de, por isso, até 2030, focarmo-nos em acelerar a sua implementação e transformar o progresso em resultados mensuráveis na vida das pessoas”, disse.

O primeiro-ministro comprometeu-se a conduzir a fase final do PED “com mais disciplina, responsabilidade e foco em resultados”, acrescentando que “reconhecer as lacunas e os constrangimentos identificados no relatório será fundamental para atingir as metas quantificadas para 2030”.

Xanana Gusmão, que liderou a formulação inicial do PED em 2011, enquadrou o plano não como um documento de governo, mas como um legado coletivo, cuja continuidade ao longo de diferentes executivos “é sinal de maturidade institucional e da consciência de que o desenvolvimento exige visão, coerência e persistência”.

Ao longo deste período, reconheceu, o país enfrentou “choques económicos globais, eventos climáticos extremos, pressões sociais e demográficas e transformações no contexto regional e internacional”. Momentos, disse, em que o PED “ofereceu estabilidade, ou seja, permitiu ajustar o caminho, sem nunca perder o rumo”.

Para concretizar o compromisso de aceleração, o Governo apresentou o Planeamento de Médio Prazo 2027-2030, descrito como um roteiro para atingir o estatuto de país de rendimento médio-alto, diversificar a economia não petrolífera, promover crescimento mais inclusivo e “transitar de um modelo assente na despesa pública para um modelo impulsionado pela produtividade e pelo investimento privado”.

“Peço-vos que usem os dados do Relatório de Monitorização do PED para aferir as metas que permanecem incompletas, ou mesmo não alcançadas, e que, a partir daqui as estratégias de cooperação sejam afinadas, para obtermos juntos resultados concretos”, disse.

O chefe do Governo sublinhou ainda a sua convicção sobre a natureza do poder político.

“Acredito que um Governo só é verdadeiramente forte quando governa sustentado numa ampla base de cooperação. É na aliança estratégica com os parceiros de desenvolvimento e com a sociedade civil que o Governo encontra a sua maior legitimidade, os conhecimentos e competências coletivas e a capacidade real de transformar o país”, vincou.

O primeiro-ministro defendeu com vigor a aposta na economia azul, enquadrando-a como uma questão não apenas económica, mas de soberania nacional. “A nossa luta pela delimitação de fronteiras marítimas não é apenas uma questão política, mas antes, uma questão de soberania nacional: o direito dos timorenses em usufruir dos benefícios económicos, sociais, culturais e ambientais integrados no nosso espaço marítimo nacional”, declarou.

Aprovada em fevereiro deste ano, a Política e Plano de Ação para a Promoção de uma Economia do Mar Resiliente e Sustentável 2025-2035 estabelece o roteiro para transformar o oceano timorense numa “fonte de desenvolvimento sustentável, de inclusão social e de resiliência ambiental”. O IX Governo Constitucional assume, com esta política, a visão de “transformar o nosso mar – que é identitário, económico e geopolítico – numa fonte de desenvolvimento sustentável”.

O chefe do Governo foi além do discurso económico, apelando a uma dimensão cívica e geracional.

“Podemos e devemos ser um laboratório vivo do oceano no Sudeste Asiático”, afirmou, referindo-se à posição de Timor-Leste no coração do Triângulo de Coral. “Esta posição não é apenas um privilégio geográfico, confere-nos também um dever: o dever de proteger, de cuidar e de agir.”

Xanana enumerou as ameaças que já hoje afetam a região: “as alterações climáticas, que aquecem as nossas águas e fazem subir o nível do mar; a poluição que sufoca a vida marinha; e a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, que retira do mar mais do que ele consegue repor”, alertando que “estes danos são muitas vezes irreversíveis” e que “nenhuma nação consegue enfrentá-los sozinha”.

O primeiro-ministro defendeu que a conjugação de esforços em áreas como a biotecnologia marinha, as energias renováveis, os créditos de carbono e os blue bonds “poderão fazer de Timor-Leste um novo exemplo internacional no domínio da economia azul”, concluindo com uma afirmação de fundo.

“A economia azul é, para Timor-Leste, não só uma estratégia de sobrevivência, mas de desenvolvimento e de resiliência climática”, disse.

ASEAN: integração ao serviço do desenvolvimento

O primeiro-ministro saudou a adesão formal à ASEAN, concretizada na 47.ª Cimeira em Kuala Lumpur em outubro passado, classificando-a como “mais um marco histórico no nosso percurso de 24 anos de Estado independente” e resultado de “um longo processo de preparação interna, de diálogo franco com os nossos vizinhos e parceiros, e de um compromisso firme com os valores, regras e mecanismos que estruturam a comunidade regional do Sudeste Asiático”.

Para os timorenses, afirmou Xanana, pertencer à ASEAN “representa fazer parte de uma ‘família humana’, com a qual nos identificamos e com a qual queremos crescer e prosperar”, mas também uma plataforma para “defendermos a nossa identidade, a nossa cultura e o nosso meio ambiente, particularmente o marinho”.

O chefe do Governo abordou igualmente as dimensões de segurança coletiva, sublinhando que “só através da cooperação estreita entre os países da região será possível proteger os cidadãos da ASEAN das crises externas e combater, com respostas coordenadas, o crime transnacional, o tráfico de seres humanos e o cibercrime, ameaças que minam a estabilidade regional, enfraquecem o Estado de direito e comprometem o desenvolvimento sustentável”. Sobre as alterações climáticas, foi direto: “Acredito que investir em adaptação e resiliência, em infraestruturas seguras, em sistemas de alerta precoce e em modelos de desenvolvimento sustentável, como é exemplo a economia azul, é também investir na segurança das pessoas.”

No encerramento, Xanana Gusmão evocou o percurso desde a primeira Conferência de Doadores em Tóquio, em 1999, para sublinhar que “a resiliência de Timor-Leste não é apenas fruto da determinação do nosso povo”, sendo também “resultado da amizade, solidariedade e apoio que recebemos dos nossos parceiros, desde a luta pela independência até à construção e consolidação do Estado e da Nação”.

“Vamos provar ao mundo, uma vez mais, que a nossa resiliência supera as nossas fragilidades. E que a nossa ação coordenada supera quaisquer obstáculos ao desenvolvimento sustentável”, concluiu o primeiro-ministro.

FIM

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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