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Timor-Leste apresenta ASEAN como escudo contra instabilidade geopolítica no Indo-Pacífico

todayMaio 25, 2026

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Díli, 25 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O primeiro-ministro considerou hoje que a adesão de Timor-Leste à ASEAN representa uma resposta estratégica para enfrentar em conjunto os desafios globais, abrindo grandes oportunidades para o desenvolvimento nacional.

“A ASEAN não é só uma plataforma privilegiada para aprofundar a nossa integração económica, diversificar o comércio e o investimento, modernizar infraestruturas, fomentar qualificações e criar emprego para os jovens”, afirmou Kay Rala Xanana Gusmão.

“É, também, uma oportunidade para defendermos a nossa identidade, a nossa cultura e o nosso meio ambiente, particularmente o marinho.  E é uma oportunidade, em plena tensão geopolítica, para unirmos esforços para enfrentar os grandes desafios globais – da segurança regional à segurança alimentar, energética, tecnológica e climática”, disse.

O chefe do Governo falava no discurso de orientação da Reunião de Timor-Leste com os Parceiros de Desenvolvimento (TLDPM), realizada no auditório do Ministério das Finanças, em Díli, sete meses após a adesão formal do país à organização, concretizada na 47.ª Cimeira da ASEAN em Kuala Lumpur, em outubro de 2025.

O primeiro-ministro admitiu que Timor-Leste “continua a precisar” do apoio dos parceiros internacionais para cumprir as obrigações decorrentes da adesão ao bloco, nomeadamente para desenvolver “uma maior disciplina institucional, uma maior coerência de políticas, uma maior capacidade de execução e uma diplomacia mais preparada e profissional”.

“Timor-Leste não está sozinho na Carta da ASEAN. O apoio dos nossos parceiros na adesão à ASEAN não é apenas uma nota de rodapé”, afirmou, classificando a conquista da adesão como “também mais uma vitória da cooperação internacional”.

O chefe do Governo apelou igualmente ao reforço do apoio externo para “a formação dos nossos quadros e para a capacitação dos nossos jovens, os futuros líderes do país e da região”.

Além da dimensão estratégica, Xanana Gusmão sublinhou o significado identitário e humano da integração regional.

“Para os timorenses, pertencer à ASEAN representa fazer parte de uma ‘família humana’, com a qual nos identificamos e com a qual queremos crescer e prosperar”, declarou, sublinhando que a adesão representa igualmente “uma oportunidade para defendermos a nossa identidade, a nossa cultura e o nosso meio ambiente, particularmente o marinho”.

O primeiro-ministro recordou que esta aspiração tem raízes na própria fundação do Estado timorense.

“Desde 2002, que a adesão à ASEAN é uma aspiração estratégica partilhada por diferentes gerações de lideranças nacionais e enraizada na vontade do nosso povo de promover a paz e a estabilidade, também com os vizinhos mais próximos”, afirmou.

No plano da segurança coletiva, o chefe do Governo alertou para ameaças que transcendem as fronteiras nacionais.

“Só através da cooperação estreita entre os países da região será possível proteger os cidadãos da ASEAN das crises externas e combater, com respostas coordenadas, o crime transnacional, o tráfico de seres humanos e o cibercrime, ameaças que minam a estabilidade regional, enfraquecem o Estado de direito e comprometem o desenvolvimento sustentável”, disse.

Xanana Gusmão abordou as vulnerabilidades climáticas da região com particular ênfase, alertando que “cheias, secas, tempestades tropicais, subida do nível do mar e degradação ambiental” ameaçam “vidas, meios de subsistência e fontes alimentares”, forçam “deslocações internas e transfronteiriças” e aumentam “o risco de tensões sociais e conflitos”.

O primeiro-ministro defendeu que investir em “adaptação e resiliência, em infraestruturas seguras, em sistemas de alerta precoce e em modelos de desenvolvimento sustentável, como é exemplo a economia azul, é também investir na segurança das pessoas”, concluindo que “através dos mecanismos da ASEAN estamos todos mais protegidos”.

Na frente energética e alimentar, reconheceu que “o aumento dos preços dos combustíveis agrava a insegurança alimentar, sobretudo em países importadores como Timor-Leste”, mas comprometeu o país a contribuir para a solução regional.

“Timor-Leste está empenhado em desenvolver o seu setor energético e petrolífero para contribuir para a segurança energética coletiva da ASEAN. O nosso objetivo comum é construir um sistema energético mais seguro, diversificado e sustentável para a nossa região”, afirmou.

O chefe do Governo apresentou o percurso histórico de Timor-Leste como uma mais-valia concreta para a comunidade regional, invocando “a experiência acumulada no âmbito do direito internacional, da reconciliação e do diálogo nacional e internacional”, bem como “uma sociedade civil dinâmica e uma cultura de debate público que refletem, de forma concreta, a liberdade conquistada com grandes sacrifícios”.

“É precisamente essa experiência acumulada, aliada à vitalidade da nossa juventude e ao compromisso de consolidar instituições firmes, abertas e inclusivas, que desejamos colocar ao serviço da nossa comunidade regional no seio da ASEAN”, declarou Xanana Gusmão, confirmando que Timor-Leste assumirá a Presidência da ASEAN em 2029.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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