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Díli, 19 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão afirmou na segunda-feira que a preservação da memória da resistência é condição essencial da soberania nacional, num discurso proferido no Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT), um dos espaços dessa memória.
“Enquanto houver memória, haverá identidade. Enquanto houver identidade, haverá soberania. Enquanto houver soberania, haverá futuro. E enquanto houver povo timorense, o espírito da resistência viverá sem fim”, declarou o Chefe do Governo.
Xanana Gusmão falava perante veteranos, familiares de heróis e jovens timorenses reunidos num espaço que descreveu como “a Casa Sagrada da memória nacional”, por ocasião do lançamento do livro “Vida da Resistência – A Longa Marcha para a Independência de Timor-Leste”, da autoria de Rosa Amaro, e com prefácio de Kay Rala Xanana Gusmão, tem como pano de fundo a autobiografia dos elementos do Grupo 8 de Maio de Ermera.
A obra retrata a luta destes homens, entrecruzando-a com a história de Timor-Leste, desde os alvores da democracia na ilha e durante os 24 anos de ocupação indonésia, nas diversas fases que assumiu a resistência ao invasor.
Centrando-se na maior parte da vida e do espaço de acção destes homens em Ermera, o livro procura retratar as múltiplas ligações e os imensos companheiros que com eles se cruzaram no caminho e, de alguma forma, trazer para a luz do dia os heróis anónimos que ajudaram a construir a independência do país.
A autora, Rosa Amaro, licenciada em História é docente do projeto dos Centros de Aprendizagem e Formação Escolar de Timor-Leste (PCAFE) desde 2017.
A obra resulta, nas suas próprias palavras, da concretização de “um desiderato assumido na decisão de partir para terras de Timor-Leste – a recolha de testemunhos dos protagonistas anónimos da luta pela independência”, publicada sob o selo do AMRT e da Ligasaun.
Xanana Gusmão disse que o livro “representa a vida dessas pessoas. Retrata o seu sofrimento. Evoca a sua coragem. É memória transformada em património nacional”, advertindo para a urgência do trabalho de recolha de testemunhos.
“Cada testemunho ainda por recolher representa uma voz da resistência que se perde. Cada veterano que parte leva também uma memória única da luta. Os documentos perdidos representam uma parte da nossa identidade nacional que desaparece. Cada silêncio representa uma história que não poderemos contar às gerações futuras”, declarou.
Xanana Gusmão dedicou uma parte significativa do discurso ao papel da língua portuguesa na luta de libertação.
“A língua portuguesa ocupa um lugar especial na história da nossa resistência. Foi através desta língua que Timor-Leste falou ao mundo. Foi esta língua que levou a causa timorense às Nações Unidas, às organizações internacionais e aos países amigos. A língua portuguesa tornou-se símbolo de identidade, de resistência e de continuidade histórica do Estado timorense”, afirmou.
O Primeiro-Ministro recordou que a proibição do uso do português pelo invasor indonésio acabou por ter o efeito contrário ao pretendido. “Quando o invasor proibiu o uso do português, o povo timorense continuou a falar em segredo. Continuou a resistir em português. Assim, a língua portuguesa tornou-se uma língua de resistência”, sublinhou.
Xanana evocou a conferência de Maubai, em março de 1981, como momento fundador da sobrevivência da resistência. “Quando tudo parecia à beira do colapso, foi aí que ficou claro que Timor-Leste só podia sobreviver se colocasse a Unidade Nacional acima de todas as divisões”, afirmou, descrevendo o encontro não como uma mera reorganização militar, mas como “um renascimento nacional”.
FIM
Escrito por RafaFM
e sem identidade não há soberania PM considera que sem memória não há identidade
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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