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Díli, 03 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Plano de Ação Nacional para a Indústria Transformadora 2026-2031 (PANIT), publicado esta quarta-feira no Jornal da República, defende que as autoridades industriais “não devem tomar qualquer medida” para retomar a exploração comercial do sândalo, recomendando antes que o foco se centre na recuperação da espécie.
A medida, refere o documento, deve-se ao facto da espécie ser considerada “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza.
O documento reconhece que “o sândalo se reveste de particular importância para Timor-Leste”, com um historial de exploração como recurso valioso por nações estrangeiras desde a chegada de comerciantes portugueses e holandeses, que o transportavam para a China e a Índia em troca de seda destinada à Europa.
Recorda que o sândalo foi “a principal mercadoria” de exportação do território até ao surgimento do café, em meados do século XIX.
A situação da espécie agravou-se drasticamente durante o período de ocupação indonésia, quando, segundo o PANIT, “uma empresa que monopolizou o mercado produziu grandes quantidades de óleo de sândalo e abateu as árvores, levando à quase extinção do sândalo na altura em que Timor-Leste conquistou a independência” em 2002.
Face a este historial, a exportação de sândalo foi proibida ainda no período de administração transitória da ONU, em 2000, sendo a “Importância do Sândalo como Planta Emblemática de Valor Nacional” reiterada pelo Governo em 2015, com uma resolução que estabeleceu proteção especial, proibição de abate e venda, e a criação do Dia Nacional do Sândalo e da Floresta.
O documento nota que o sândalo é “uma espécie semi-parasita” de crescimento lento – pode demorar 30 anos até o cerne atingir espessura economicamente útil – e que atualmente apresenta “uma baixa taxa de sobrevivência devido a árvores hospedeiras inadequadas e a práticas silviculturais inapropriadas”.
Ainda assim, persiste “um mercado negro de contrabando de sândalo para a Indonésia”, alimentado por argumentos de quem defende o levantamento da proibição de exportação, citando a competitividade de preços face à Austrália e a dificuldade de fiscalizar áreas montanhosas remotas.
O PANIT rejeita, no entanto, essa tese.
“Tendo em conta a necessidade de considerar o contexto histórico único de Timor-Leste, é difícil aceitar argumentos que tolerem o contrabando.”
A conclusão do plano é direta: “as autoridades industriais não devem tomar qualquer medida relativamente ao sândalo, mas sim concentrar-se na recuperação da espécie”, com reforço da fiscalização contra o comércio ilegal até que exista consenso na opinião pública e sejam seguidos “os procedimentos adequados” para eventualmente levantar a proibição.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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