Destaques

Novo acionista maioritário da Timor Telecom comprometido com investimento para reforço da empresa

todayJunho 3, 2026 143 2 5

Fundo
share close

Díli, 03 de junho  de 2026 (RAFA.TL) – O CEO da ETO, empresa que é desde maio o acionista maioritário da Timor Telecom, disse hoje que a empresa está empenhada em fortalecer o investimento na operadora para a consolidar como a primeira do mercado de telecomunicações em Timor-Leste.

“O nosso maior objetivo é levar a Timor Telecom, como primeiro operador do país e primeira empresa constituída após a independência, ao patamar em que deve estar. Estamos convictos e confiamos no nosso povo. Acreditamos que teremos o seu apoio para continuar a investir e oferecer o melhor serviço a toda a comunidade e à sociedade”, disse Nilton Gusmão em declarações à RAFA.

“A empresa, como sabem, enfrentou várias dificuldades durante os últimos 10 anos, e hoje estamos aqui como um dos acionistas e vamos fazer todos os possíveis para levar a empresa ao patamar que merece”, sublinhou.

Nilton Gusmão disse que a ETO está preparada para realizar os investimentos necessários para modernizar a rede e os sistemas de informação, melhorar a qualidade de serviço e assegurar que a Timor Telecom se mantém como um operador relevante e competitivo.

“O investimento que nos propomos realizar na Timor Telecom não é insignificativo. Temos consciência de que o mercado exige capacidade técnica, velocidade de resposta e ofertas competitivas. Vamos trabalhar com a equipa de gestão para apresentar à ANC, em breve, um plano concreto de inovação e modernização. A nossa presença neste setor é de longo prazo”, referiu.

Os investimentos, recordou, têm de ser ponderados num contexto em que o mercado timorense conta com dois outros operadores de telecomunicações móveis e fixas, associados a gigantes internacionais do setor e um número crescente de fornecedores de serviços de internet (ISPs).

“Estamos aqui para trabalhar e fazer o melhor pela empresa, para oferecer o melhor serviço ao nosso povo. Esse é o nosso maior objetivo”, afirmou, recordando que a TT é uma empresa mista, com participação do Estado e do setor privado.

O Grupo Esperança Timor Oan, Lda. (ETO) concluiu em maio deste ano, a aquisição da participação detida pela operadora brasileira Oi na Timor Telecom, S.A. (TT), além das participações de outros acionistas minoritários, tornando-se o novo acionista maioritário da primeira e mais antiga empresa de telecomunicações de Timor-Leste.

A operação teve um valor de cerca de 15 milhões de dólares, englobando cerca de 11 milhões de dívida detida pela PTIF, empresa do universo Oi, com o restante correspondente ao capital da empresa.

Globalmente, a ETO adquiriu as ações detidas pela Oi e pela TPT, assumindo uma totalidade de 57,06% do capital da Timor Telecom. Os restantes acionistas são o Estado de Timor-Leste, que detém 20,59%, a VDT Operator Holdings (Macau), que detém 17,86%, e o empresário timorense Júlio Alfaro, que controla 4,49%.

Nilton Gusmão falava à RAFA depois de se reunir com a Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, num encontro em que também participou o CEO da Timor Telecom, Vitor Cardoso.

“Nas cerimónias do dia 20 de maio, conversei brevemente com a presidente do Parlamento, que manifestou descontentamento em relação à Timor Telecom. Decidimos fazer uma visita de cortesia para apresentar os novos acionistas à presidente e o novo projeto para o futuro da Timor Telecom”, explicou Cardoso.

Vitor Cardoso explicou à RAFA que uma equipa de auditoria da KPMG Portugal está, neste momento, a fazer uma análise da empresa – dos recursos humanos, procedimentos, infraestruturas e equipamentos, rede e sistemas de informação – para a preparação de um plano estratégico para o futuro.

Cardoso disse que depois de vários anos sem benefícios para os acionistas, a Timor Telecom pretende em 2026, “distribuir dividendos do ano passado, mesmo sendo um valor pequeno e simbólico” como forma de demonstrar que “a empresa mudou a sua mentalidade e quer, de certa forma, contribuir para o desenvolvimento do país e para o Orçamento do Estado”.

O CEO da operadora explicou que foi já decidido envolver no Conselho de Administração um “acionista histórico da empresa, o senhor Júlio Alfaro”, procurando que participe “nas várias áreas de gestão da empresa, trazendo a memória institucional dos vários anos de atividade da TT”.

A operação recebeu o aval dos reguladores do Brasil e de Timor-Leste, com a Autoridade Nacional de Comunicações (ANC) a formalizar a aprovação a 23 de fevereiro de 2026, tendo o Tribunal brasileiro competente dado igualmente luz verde à alienação da participação da Oi, que se encontra em processo de recuperação judicial.

“Esta aquisição é o resultado de anos de empenho e de uma negociação direta, persistente e responsável com a Oi. Estamos profundamente comprometidos com o futuro da Timor Telecom e com o papel que esta empresa deve ter no desenvolvimento digital de Timor-Leste”, referiu Nilton Gusmão.

“A TT é uma empresa com história, infraestrutura e talento humano – o nosso trabalho a partir de agora é potenciar esses ativos, investir com determinação e posicioná-la para competir num mercado que evoluiu de forma significativa nos últimos anos”, sublinhou.

Vitor Cardoso destacou os desafios estruturais que a empresa enfrenta no domínio da conectividade internacional, salientando que a situação irá evoluir com o avanço do cabo submarino.

Recorde-se que a Timor Telecom foi fundada em 2002, sob a égide da Portugal Telecom (PT), que liderou o consórcio vencedor do concurso internacional lançado pela administração transitória da ONU (UNTAET) para a reconstrução das telecomunicações do país, destruídas na crise de 1999.

A participação da PT, que durante anos foi o acionista maioritário de referência da operadora, passou para a brasileira Oi, quando esta adquiriu a PT.

Enquanto empresa de bandeira nacional, foi criada no contexto do processo de reconstrução nacional após a restauração da independência, tendo sido responsável pelo lançamento e expansão dos serviços de telecomunicações em todo o território nacional.

Em 2012, com a liberalização do mercado das telecomunicações em Timor-Leste e a entrada de dois novos operadores, o setor evoluiu para um ambiente mais concorrencial e dinâmico, impulsionando a inovação, a melhoria dos serviços e o aumento da oferta disponível aos consumidores.

Desde a sua fundação e até aos últimos dados divulgados relativos a 2024, a Timor Telecom realizou investimentos acumulados superiores a USD 220M, direcionados para a expansão da cobertura nacional, modernização da rede, reforço da capacidade internacional.

Paralelamente, a empresa gerou valor para os seus acionistas, tendo distribuído, entre 2006 e 2011, dividendos acumulados no montante de USD 89M.

A questão da alienação desta participação arrastou-se por mais de uma década, com vários processos que nunca chegaram a concretizar-se, incluindo um primeiro concurso em que a própria ETO tinha manifestado interesse.

Em 2023, na reta final do anterior Governo, o Ministério das Finanças chegou a assinar um acordo para que o Estado timorense adquirisse a participação da Oi, negócio que foi posteriormente cancelado pelo atual executivo, entre outras razões pelas questões colocadas quanto ao valor pago e à capacidade do Estado de assegurar uma gestão eficaz numa empresa que opera num mercado crescentemente competitivo e que exige investimentos avultados.

A ETO foi a única empresa a negociar diretamente com a Oi nos últimos anos, fechando o negócio após um processo bilateral que culminou com a aprovação de ambos os reguladores. Com a conclusão da transação, a ETO passa a controlar 57,06% do capital da Timor Telecom, tornando-se acionista maioritária.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!