Justiça e Crime

MP indonésio pede 18 anos de prisão para cofundador do Gojek em caso de corrupção

todayMaio 14, 2026 28

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Díli, 14 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Ministério Público indonésio pediu uma pena de 18 anos de prisão para Nadiem Makarim, cofundador da plataforma de transporte e pagamentos Gojek e ex-ministro da Educação, num caso de corrupção relacionado com a aquisição de computadores portáteis.

Os procuradores alegam que Makarim criou especificações de concurso que só se adequavam ao sistema Chrome, com o objetivo de tornar a Google o “único controlador do ecossistema educativo na Indonésia”.

Os procuradores disseram ainda ao tribunal que Makarim pressionou a Google a investir na PT Aplicasi Karya Anak Bangsa (PT AKAB), a empresa-mãe do Gojek, que acabou por se integrar no grupo GoTo.

O investimento da Google no GoTo, no valor total de cerca de 787 milhões de dólares, seria, segundo a acusação, interligado com a decisão governamental de adquirir os Chromebook.

Os computadores portáteis foram adquiridos apesar de o ministério ter concluído em 2018 que a sua utilização pedagógica exigiria ligação à internet, tornando-os inadequados para a Indonésia, onde o acesso à internet é uma questão maior nas zonas remotas.

Além da pena de prisão, os procuradores solicitaram uma multa de mil milhões de rupias (cerca de 57 mil dólares) e o arresto de bens caso Makarim não restitua 809 mil milhões de rupias (cerca de 48,2 milhões de dólares) ligados ao programa, acrescidos de 4,8 biliões de rupias (cerca de 275,4 milhões de dólares) classificados como riqueza de origem não explicada.

Em caso de incumprimento no prazo de um mês após decisão final, o arguido enfrentaria uma pena adicional de nove anos.

Se decretada, a pena de 18 anos seria uma das mais severas aplicadas a um ex-ministro nos últimos anos.

Em resposta, Makarim negou qualquer irregularidade e criticou o que considerou uma punição excessiva.

“São rendimentos legítimos de construir uma empresa e criar empregos”, afirmou aos jornalistas após a audiência, referindo-se à sua participação no Gojek.

“Estou efetivamente a ser acusado de 27 ou 28 anos de prisão, muito mais do que muitos criminosos violentos.”

Os seus advogados argumentam que alienou a sua participação na PT AKAB ao assumir funções ministeriais e que o seu património diminuiu durante o período em que exerceu o cargo.

O julgamento tem atraído grande atenção pública, com centenas de motoristas de motociclo-táxi “ojek” a comparecerem regularmente no tribunal em solidariedade com o homem que revolucionou a economia de plataformas na Indonésia.

O painel de juízes deverá pronunciar sentença nas próximas semanas.

Makarim foi detido em setembro após investigação ao programa de aquisição, tendo servido como ministro da Educação entre 2019 e 2024.

FIM

Escrito por RafaFM

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