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Médico que acompanhou Lú-Olo revela que ex-Presidente foi operado a 9 de junho e nunca recuperou nos cuidados intensivos

todayJunho 27, 2026 1082 3 5

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Díli, 27 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O cirurgião que acompanhou o ex-Presidente Francisco Guterres Lú-Olo revelou que o antigo chefe de Estado foi operado a 9 de junho na Malásia e permaneceu 12 dias nos cuidados intensivos sem recuperar, até falecer na noite de 21 de junho.

As informações foram prestadas numa conferência de imprensa por Alito Soares, cirurgião do Hospital Nacional Guido Valadares, que acompanhou Lú-Olo desde Díli até ao fim da sua vida no Prince Court Medical Centre, em Kuala Lumpur.

O médico apresentou-se na conferência simultaneamente na qualidade de representante do Ministério da Saúde e como funcionário do hospital onde Lú-Olo foi seguido antes da transferência.

Alito Soares explicou que, após consultas realizadas pela equipa de cardiologia do Hospital Guido Valadares, foram identificadas várias patologias e o caso foi submetido a junta médica, em particular através do canal destinado aos veteranos.

A aprovação para a transferência foi obtida a 20 de maio de 2026. No dia seguinte, a junta reuniu-se, aprovou o processo e encaminhou-o à ministra da Saúde, que o aprovou de imediato.

A partida estava inicialmente prevista para 22 de maio, mas o próprio Lú-Olo pediu que fosse adiada para o dia seguinte.

A evacuação aérea de emergência realizou-se assim a 23 de maio.

“A viagem para a Malásia decorreu bem”, disse o Dr. Alito Soares.

À chegada, Lú-Olo foi transportado de ambulância para o Prince Court Medical Centre, onde foi internado e assistido por uma equipa multidisciplinar que incluía cirurgião vascular, cardiologista, intensivista, anestesista, pneumologista e nefrologista.

“Essa equipa fez uma avaliação aprofundada e decidiu preparar o pré-operatório. O plano foi avançar para cirurgia, que acabou por ser realizada no dia 9 de junho de 2026”, relatou o médico.

Após a operação, a equipa médica decidiu manter Lú-Olo internado nos cuidados intensivos. Mas o antigo Presidente nunca recuperou.

“Durante cerca de 12 dias nos cuidados intensivos, o saudoso Dr. Francisco Guterres Lú-Olo não recuperou e acabou por falecer na noite de 21 de junho, por volta das 21 horas e alguns minutos”, declarou Alito Soares.

O cirurgião afirmou ter recebido autorização expressa da viúva para tornar públicas estas informações.

“Enquanto médico que o acompanhou, considero-me próximo da família, como um irmão mais novo, e procuro prestar informações gerais, mantendo ao mesmo tempo a confidencialidade do saudoso Dr. Francisco Guterres Lú-Olo e de toda a família”, disse.

Quanto à causa da morte, o Dr. Alito invocou a deontologia médica e o dever de confidencialidade, pedindo que a questão não fosse objeto de exposição pública.

“Peço a compreensão de todos para que esta questão seja tratada com respeito, atendendo também ao contexto de tristeza em que nos encontramos. Peço igualmente que este tema não seja exposto ao consumo público para além do que é apropriado”, declarou.

O representante do Ministério da Saúde presente na conferência precisou ainda que a organização do evento foi previamente coordenada com a família e com a viúva, que autorizou a sua realização desde que fossem abordados apenas assuntos gerais, sem incidência sobre os detalhes do tratamento clínico.

Na mesma conferência de imprensa, o embaixador de Timor-Leste na Malásia, Lisuardo Gaspa revelou que a Embaixada acompanhou Lú-Olo em consultas de controlo realizadas antes da evacuação de maio, prestando “sempre o máximo apoio e assistência possível durante a sua estadia em Kuala Lumpur”.

Quando chegou a informação de que Lú-Olo viajaria em voo especial a 23 de maio, a Embaixada preparou a receção no aeroporto, mas o hospital não comunicou qual dos dois aeroportos de Kuala Lumpur seria utilizado.

“A distância entre eles não é pequena; se a pessoa não souber qual é, facilmente se perde”, explicou o embaixador, acrescentando que o hospital recomendou que a receção fosse feita diretamente na unidade hospitalar”, explicou.

“Na qualidade de Embaixador, fui esperar Sua Excelência no hospital e fui eu próprio quem o recebeu à chegada, na noite do dia 23”, afirmou.

Após a cirurgia de 9 de junho, o embaixador visitou pessoalmente Lú-Olo nos dias 10 e 12 de junho.

O diplomata descreveu ainda o papel da Embaixada após o falecimento: coordenou com a família, articulou com as autoridades malaias e com o Ministério da Saúde da Malásia o processo de trasladação do corpo, e estabeleceu contacto com a companhia AeroDili e com o Ministério das Comunicações e dos Transportes da Malásia para obter a autorização do voo especial de repatriamento.

O próprio embaixador acompanhou o corpo de Lú-Olo até Díli, no dia 22 de junho.

O diplomata respondeu ainda a perguntas relativas à ausência de uma bandeira nacional a cobrir o caixão à chegada a Díli.

O embaixador esclareceu que o transporte internacional de restos mortais obriga a procedimentos específicos impostos pelo Ministério da Saúde da Malásia, que incluem inspeção, selagem e embalamento em plástico do caixão.

“Aquilo que o público viu foi precisamente isso: o caixão vinha selado e já envolto em plástico. Foi por isso que, saindo da Malásia, não vinha coberto com bandeira, mas sim envolto no plástico que muitos viram no aeroporto. Esse é um requisito para o transporte internacional de restos mortais”, explicou, acrescentando que, após a chegada a Díli, a situação ficou a cargo da comissão organizadora das cerimónias.

O embaixador encerrou a sua intervenção com uma homenagem ao antigo Presidente.

“Os últimos dias mostraram claramente que Timor-Leste perdeu um filho, um pai, um herói veterano e um bom líder. Um líder humilde, que amava o seu povo. As muitas homenagens que lhe foram prestadas, sobretudo pelo povo simples e humilde, mostram bem como todos sentimos a perda de Sua Excelência Francisco Guterres Lú-Olo”, afirmou.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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