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Indonésia pondera transformar aeroporto de Kertajati em centro regional de manutenção de aviões Hercules a pedido dos EUA

todayJunho 10, 2026 23

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Jacarta, 10 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – A Indonésia pondera transformar o aeroporto internacional de Kertajati, em Java Ocidental, num centro regional de manutenção de aeronaves militares C-130 Hercules, a pedido dos Estados Unidos.

A proposta, que está a ser analisada pelo Governo, divide analistas entre os potenciais benefícios económicos e os riscos para a tradicional política de não-alinhamento de Jacarta.

O ministro da Defesa indonésio, Sjafrie Sjamsoeddin, revelou a proposta no final de maio perante a comissão parlamentar competente, explicando que o seu homólogo norte-americano, Pete Hegseth, lhe apresentou a iniciativa à margem da reunião dos ministros da Defesa da ASEAN no ano passado.

“Ofereceu centralizar a manutenção dos C-130 em toda a Ásia na Indonésia, às custas dos EUA”, disse, confirmando à CNA que as conversações se encontram “numa fase inicial e exploratória”, sem decisões tomadas sobre o modelo de cooperação, o esquema de financiamento ou os aspetos técnicos.

Inaugurado em 2019 durante o mandato do ex-presidente Joko Widodo, o aeroporto de Kertajati, com 1.800 hectares, nunca conseguiu atrair procura suficiente.

Em 2024, serviu cerca de 413.000 passageiros, apenas 3% da meta de 12 milhões estabelecida para a instalação.

A localização – a 2,5 horas de Jacarta e a 1,5 horas de Bandung – é apontada como um dos fatores do fraco desempenho comercial.

Para um centro de manutenção militar, porém, algumas das fraquezas do aeroporto como infraestrutura de passageiros poderiam tornar-se vantagens: o espaço disponível é considerável, embora ainda sejam necessários hangares e infraestruturas de apoio.

Analistas ouvidos pela CNA salientam que, se a Indonésia se tornar um centro regional de manutenção e reparação de aeronaves C-130J, poderia atrair trabalho técnico de toda a região Ásia-Pacífico, criar empregos qualificados e ajudar as empresas indonésias do sector aeronáutico e de defesa a cumprir padrões internacionais.

“A Indonésia não teria nada a perder se o investimento não fosse suportado pelo orçamento do Estado indonésio e se a indústria local ganhasse capacidade com o acordo”, afirmou Alman Helvas Ali, analista da Marapi Consulting and Advisory.

Para Washington, a lógica também é clara: um centro de manutenção na Indonésia melhoraria a rede logística para as suas aeronaves Hercules na região, reduzindo os tempos de imobilização e aumentando a flexibilidade operacional entre as instalações já existentes no Japão, na Austrália e noutros parceiros regionais.

A proposta gerou, no entanto, reservas significativas.

Chappy Hakim, fundador do Centro Indonésio de Estudos de Poder Aéreo e ex-chefe do estado-maior da força aérea indonésia, alertou que ao aceitar instalações que apoiam claramente o poder militar norte-americano na região, a Indonésia arrisca ser vista como alinhada com os EUA numa altura de crescente rivalidade sino-americana.

“A Indonésia deve ter muito cuidado em manter a soberania operacional, a propriedade das instalações e o controlo sobre o pessoal estrangeiro que trabalhará nessas instalações”, sublinhou Chappy.

Analistas alertam ainda que o acesso militar moderno pode ser construído através de logística, manutenção e acordos técnicos sem que alguma vez seja formalmente designado como “base”, contornando assim a proibição constitucional indonésia de acolher bases militares estrangeiras.

A proposta surge em simultâneo com negociações sobre a concessão de direitos de sobrevoo do espaço aéreo indonésio a aeronaves militares norte-americanas para operações de emergência e exercícios conjuntos – um dossiê que alguns analistas consideram ligado ao processo de Kertajati.

O porta-voz do ministério da Defesa, Rico Sirait, confirmou que não foi tomada qualquer decisão final sobre o sobrevoo, existindo apenas uma carta de intenções não vinculativa que requer discussão adicional.

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Escrito por RafaFM

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