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Incêndios florestais mobilizam centenas de bombeiros em Portugal, Grécia e Espanha

todayJulho 6, 2026 20

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Lisboa, 06 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Centenas de bombeiros combatiam, no domingo, incêndios florestais em Portugal, na Grécia e em Espanha, com Espanha e Itália a enviar reforços para Portugal, onde um incêndio de grandes dimensões já lavrava há mais de três dias.

Em Portugal, na zona de Vouzela, no centro do país, mais de 1.200 bombeiros, apoiados por cerca de 400 veículos e 15 meios aéreos, combatiam um incêndio que deflagrou na quinta-feira, segundo a Proteção Civil.

De acordo com dados da agência europeia de cartografia por satélite Copernicus, o fogo já tinha consumido, até domingo, uma área de 12.000 hectares.

A Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia informou que Espanha enviou, na sexta-feira, 120 bombeiros e 45 veículos como reforço a Portugal, enquanto Itália e Espanha destacaram ainda três aviões de combate a incêndios para apoiar o país.

Ao final da tarde de domingo, o incêndio dava sinais de abrandamento, com os meios de comunicação social portugueses a citar fontes oficiais segundo as quais já não existiriam frentes ativas de grande dimensão, mantendo-se, ainda assim, alguns focos de calor.

O segundo-comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Ribeiro, alertou, em conferência de imprensa no domingo, para “condições excecionais relativamente à velocidade de propagação” de eventuais novos incêndios no interior do país, nomeadamente na zona das Beiras, devido à persistência de vento forte nas terras altas.

Segundo o responsável, a instabilidade atmosférica prevista para os próximos dias, que deverá atingir praticamente todo o território continental, traz ainda o risco acrescido de trovoadas secas, um fenómeno que preocupa as autoridades por poder originar novos focos de ignição sem chuva associada.

A ANEPC admitiu que os próximos dias se afiguram “complexos”, face à manutenção de condições meteorológicas severas.

Dados citados pela imprensa portuguesa e por entidades do sector apontam para uma área ardida em Portugal já próxima do dobro da registada no mesmo período do ano passado, num verão marcado por temperaturas elevadas, baixa humidade e forte acumulação de combustível florestal.

As autoridades gregas apelaram aos residentes de várias zonas de Salónica, a segunda maior cidade do país, para permanecerem em casa e manterem portas e janelas fechadas, devido ao fumo tóxico proveniente de um incêndio que atingiu uma unidade de reciclagem.

Um outro incêndio de grandes proporções deflagrou no domingo à tarde a oeste de Atenas, a capital grega.

O serviço de bombeiros indicou terem sido mobilizados 210 bombeiros, apoiados por voluntários, equipas especializadas e 29 meios aéreos, entre aviões e helicópteros de combate a incêndios, para combater as chamas que lavravam num pinhal na área de Mandra. As autoridades tentavam controlar o incêndio antes do anoitecer, altura em que os meios aéreos deixam de poder operar.

Em Espanha, um incêndio ativo desde sexta-feira na região nordeste de Girona já tinha consumido cerca de 2.200 hectares, segundo a agência noticiosa EFE.

O responsável pelas operações do Serviço de Bombeiros da Catalunha, Eduard Martinez, disse à EFE que o incêndio tinha um perímetro de 40 quilómetros e que os bombeiros poderiam não conseguir dominá-lo ainda no domingo.

Na Grécia, um incêndio de propagação rápida numa unidade de reciclagem deflagrou no sábado à noite, junto à localidade de Oraiokastro, nos arredores de Salónica, tendo desencadeado alertas de evacuação em três localidades e numa instituição que acolhe 157 pessoas com deficiência. Fortes ventos alimentaram as chamas, e cerca de 160 bombeiros foram mobilizados para combater o fogo durante a noite, até que os meios aéreos pudessem descolar ao amanhecer, segundo o serviço de bombeiros.

O presidente da câmara de Oraiokastro, Pandelis Tsakiris, afirmou, à televisão pública grega ERT, que vários comércios e habitações sofreram danos, mas que um balanço mais detalhado só seria conhecido após avaliação das autoridades.

Um homem de 76 anos foi detido, suspeito de ter provocado o incêndio por negligência, ao gerar faíscas com o seu veículo que terão incendiado vegetação junto à estrada, segundo o serviço de bombeiros. O suspeito deveria ser presente a um procurador no domingo.

Este incêndio surge poucos dias depois de um outro fogo, numa zona próxima, ter causado a morte de um rapaz de 12 anos e do seu pai.

O porta-voz do serviço de bombeiros grego, o brigadeiro Ioannis Artopoios, afirmou, na televisão pública ERT, no domingo, que cerca de 85 por cento dos incêndios florestais na Grécia são causados por negligência, incluindo faíscas geradas por maquinaria agrícola, beatas de cigarro mal apagadas e utilização de churrascos ao ar livre. “Isto significa que a maioria poderia ter sido evitada”, afirmou.

A Grécia sofre, com frequência, incêndios devastadores durante os seus verões quentes e secos. Em 2018, um incêndio a leste de Atenas matou mais de 100 pessoas, e um fogo de grandes dimensões em 2023, que destruiu uma reserva natural remota no nordeste do país, foi o maior incêndio florestal alguma vez registado na União Europeia.

O país tem recorrido cada vez mais à tecnologia para enfrentar a ameaça dos incêndios, agravada pelas alterações climáticas, integrando uma rede de quatro satélites, lançados para órbita baixa em maio, destinados à monitorização de incêndios florestais.

Até ao momento, este verão a Grécia tem sido poupada às vagas de calor que têm assolado grande parte da Europa Ocidental nas últimas semanas, mas tem registado, ainda assim, dezenas de incêndios em todo o território, tanto no continente como nas ilhas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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