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Batabanó, Cuba, 03 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Irisleydis Tristá, de 34 anos, mãe de um adolescente de 13 anos, está há sete meses sem conseguir fazer uma tomografia computorizada para saber se o tumor que a atinge cresceu ou se espalhou, depois de duas cirurgias e várias sessões de radioterapia nos últimos quatro anos.
O aparelho de tomografia do Hospital Hermanos Ameijeiras, em Havana, Cuba, o principal centro hospitalar do país, está avariado.
Segundo relatou à Associated Press (AP), os médicos disseram-lhe que, por falta de recursos, não podem voltar a operá-la em Cuba.
Tristá afirmou sentir que a sua vida está em risco, dizendo desconhecer se o tumor cresceu por não haver forma de o verificar.
O sistema de saúde pública gratuita e universal de Cuba, outrora apontado como modelo, tem sofrido uma deterioração acentuada.
Analistas referem que a crise foi agravada pela escassez de combustível, atribuída ao reforço das sanções norte-americanas ao sector energético da ilha, numa economia já fragilizada há vários anos.
Hospitais em todo o país enfrentam falta de material, incluindo seringas, gaze, vacinas e anestésicos, além de peças sobressalentes para reparar equipamentos como máquinas de hemodiálise e de tomografia computorizada, deixando doentes como Tristá sem cuidados essenciais.
A escassez de alimentos tem também dificultado o cumprimento da dieta prescrita pelos médicos. Numerosos especialistas e técnicos de saúde têm abandonado o país.
Cuba já enfrentava uma crise económica na sequência da pandemia de covid-19 e do reforço das sanções norte-americanas.
A situação agravou-se após a captura, por autoridades dos Estados Unidos, do então Presidente venezuelano Nicolás Maduro, no início de janeiro, privando Cuba de um dos seus aliados mais próximos. A Casa Branca ameaçou depois países que vendessem combustível à ilha e intensificou a pressão sobre empresas e cidadãos estrangeiros para cessarem relações comerciais com Havana.
O resultado foram cortes de energia prolongados, com mais de 20 horas seguidas, racionamento de gasolina e quebras na produção industrial e alimentar, entre outros efeitos.
Mario Cruz Peñate, representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) na ilha, considerou chocante a situação de um país com indicadores de saúde comparáveis aos de nações desenvolvidas, nomeadamente baixa mortalidade, elevada esperança de vida, ampla cobertura vacinal e cuidados pré-natais generalizados.
Segundo Cruz Peñate, a escassez de combustível tem provocado perturbações consideráveis nos serviços de saúde, afetando não só o atendimento em si, mas todo o processo de continuidade dos cuidados.
Acrescentou que a própria OPAS e a OMS enfrentaram dificuldades na distribuição de ajuda humanitária. As Nações Unidas, de que ambas dependem, lançaram em março um plano de emergência de 94 milhões de dólares para responder à crise humanitária previsível resultante do bloqueio energético.
Um relatório governamental divulgado em junho indicou que a taxa de sobrevivência de crianças com cancro caiu de 85% para 65% desde o início das restrições energéticas, em janeiro.
Yolainy Romero, especialista do Instituto Nacional de Oncologia e Radiobiologia, em Havana, relatou, durante uma visita à ala pediátrica, que já morreram duas crianças este ano devido à situação, que classificou como terrível.
Segundo Romero, algumas crianças, sobretudo as de províncias distantes, precisam de regressar ao hospital a cada 21 dias para tratamento, havendo casos em que decorrem uma ou duas semanas antes de conseguirem viajar, por falta de combustível.
Adriana Felipe García, cuja filha de 4 anos, Nashly Zerquera, está a ser tratada no hospital, percorreu cerca de 350 quilómetros desde Sancti Spíritus, a leste de Havana, para a levar a tratamento, descrevendo a situação como muito difícil.
FIM/AP
Escrito por RafaFM
com crianças entre as mais afetadas Falta de combustível e sanções agravam colapso do sistema de saúde em Cuba
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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