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Díli, 25 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Desde segunda-feira que a residência de Francisco Guterres “Lú-Olo” no Farol deixou de ser apenas a casa da família.
Tornou-se um ponto de encontro para todo o país, que continua a chegar, rezando, chorando e despedindo-se de uma das figuras mais marcantes da história de Timor-Leste.
Neste último dia do velório, as filas mantêm-se longas. As pessoas chegam e partem sem parar. Umas chegam sozinhas, outras em grupo.
Há ministros, vice-ministros, parlamentares, líderes políticos, veteranos, funcionários públicos, estudantes universitários, trabalhadores, jovens e idosos.
Mas também há muitos rostos desconhecidos. Pessoas simples que talvez nunca tenham conhecido pessoalmente o antigo Presidente da República, mas que sentem a necessidade de estar presentes para lhe prestar uma última homenagem.
Um dos momentos mais comoventes do dia ocorreu de manhã, quando grupos de “Aileba” chegaram à residência carregando fruta aos ombros.
Entraram em silêncio, visivelmente emocionados, alguns com lágrimas nos olhos.
Por um instante, muitos dos presentes desviam o olhar para observar a sua entrada.
As imagens do grupo rapidamente começaram a circular nas redes sociais, onde surgiram comentários que resumiam os sentimentos de muitos timorenses: “Lú-Olo é para todos”.
Talvez esta seja uma das imagens que melhor define este velório.
Durante estes dias, a casa recebeu tanto ema boot (figuras importantes) como ema ki’ik (cidadãos comuns).
As autoridades estatais de alto nível entram pela mesma porta que os estudantes, vendedores e cidadãos comuns. Todos esperam pela sua vez. Muitos em oração ou entoando cânticos religiosos.
Todos param diante do caixão. Uns benzem-se. Outros tentam tocar o caixão. Outros dobram a cabeça em sinal de respeito. Alguns tiram fotos com os telemóveis. Todos partilham o mesmo momento de despedida.
Depois cumprimentam a família enlutada. Mãos atrás de mãos num pequeno gesto de saudação, condolências e empatia.
À medida que as pessoas avançam lentamente pela fila, os seus olhares são atraídos pelas centenas de flores e mensagens de condolências que ocupam a entrada da residência, as paredes exteriores e grande parte do jardim.
As homenagens vieram de organismos soberanos, ministérios, instituições públicas e privadas, organizações nacionais e internacionais, embaixadas, grupos comunitários e cidadãos anónimos.
Em muitos locais, quase não há espaço para mais flores.
A atmosfera na residência da casa do Ex-Presidente da República é marcada principalmente pela oração.
Ouvem-se cânticos religiosos, palavras de conforto e momentos de silêncio. Muitos entram com serenidade, mas saem em lágrimas.
Outros não conseguem conter a emoção ao se aproximarem do caixão.
Há abraços discretos, rostos marcados pela tristeza e olhares demorados para o homem que, durante décadas, fez parte da vida política e da história nacional.
Católicos, muçulmanos e membros de outras confissões religiosas unem-se no mesmo gesto de despedida.
Embora rezem de maneiras diferentes, todos chegam com o mesmo propósito: prestar homenagem a um homem que muitos consideram ter pertencido a todo o povo timorense.
À frente do velório permanecem a esposa e os filhos do falecido dirigente.
Um a um, continuam a receber aqueles que chegam para prestar condolências. Nos últimos dias, cumprimentaram milhares de pessoas, mas o fluxo de visitantes nunca cessou.
No exterior da residência, os veículos de comunicação mantêm uma presença constante. Câmaras, microfones e jornalistas acompanham cada momento, registando não só as visitas oficiais, mas também as histórias anónimas que ajudam a compreender a magnitude desta despedida.
Entretanto, nas redes sociais continuam a multiplicar-se fotografias, vídeos antigos, mensagens de condolências e memórias de encontros com Lú-Olo.
Muitos recordam a sua simplicidade, a sua capacidade de escuta, a sua serenidade e a sua constante preocupação com a dignidade e o bem-estar dos timorenses. A sua morte ocorreu há poucos dias, mas as homenagens parecem não abrandar.
A família lembrou a todos que os horários de visita divulgados servem apenas para organizar o fluxo de pessoas e não para limitar a participação do público. E isso é evidente ao longo do dia. As filas continuam. As pessoas continuam a chegar.
Esta quinta-feira marca o último dia do velório no Farol.
Amanhã, Francisco Guterres “Lú-Olo” partirá para o Jardim dos Heróis em Metinaro, onde será sepultado.
Mas, antes disso, permanece a imagem que marcou aqueles dias: uma casa cheia de gente, flores por todo o lado, orações incessantes, lágrimas que continuam a cair e toda uma população que parece não ter pressa em dizer adeus.
FIM
Escrito por RafaFM
Entre lágrimas flores e longas filas: o último dia do velório de Lú-Olo une “ema boot” e “ema ki'ik” em Farol orações
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