Destaque

Dois timorenses condenados a seis anos por violação de jovem na Irlanda do Norte

todayOutubro 2, 2026 142

Fundo
share close

Downpatrick, 2 de outubro de 2026 (RAFA) – Dois jovens de origem timorense foram condenados na Irlanda do Norte a seis anos de pena de prisão, metade em liberdade condicional, pela violação de uma jovem de 19 anos num parque de estacionamento.

Luis Dos Martins Mariano, de 20 anos, e Alcino Soares, de 21, ambos residentes em Dungannon, no condado de Tyrone, foram sentenciados na quinta-feira no Tribunal da Coroa de Downpatrick. Cumprem três anos de prisão e três em liberdade condicional.

Ambos acabaram por se declarar culpados do crime de violação, depois de se terem revezado na violação da vítima, que levaram para o parque de estacionamento.

No entanto, antes de se declarar culpado, Soares insistiu que toda a atividade sexual foi consensual e que “a queria”.

Contudo, quando o seu pedido de fiança foi negado nas semanas seguintes ao ataque de 2023, um juiz descreveu o incidente como “atividade predatória em grupo”.

Anteriormente, a acusação alegou que os dois sorriram um para o outro durante o ataque a uma vítima vulnerável e embriagada na cidade de Co Tyrone.

Os factos ocorreram a 10 de setembro de 2023, quando os dois tinham 17 anos e já viviam na Irlanda do Norte, para onde se mudaram de Timor-Leste em crianças.

Segundo o tribunal, abordaram a vítima na rua, numa madrugada em que regressava de uma noite de convívio com amigos, e levaram-na para um parque de estacionamento subterrâneo vazio, onde a violaram à vez.

“Ela recorda estar embriagada e a cambalear para a zona”, disse o procurado Adrian Higgins.

As imagens de videovigilância mostram a jovem a ser ajudada, extremamente instável, a caminhar.

O juiz Richard Greene classificou o caso como uma “prolongada e humilhante provação” para a vítima e afirmou que a escolha do local, a altas horas da noite, revelou “um grau significativo de planeamento e premeditação”.

Parte dos acontecimentos ficou registada em imagens que o magistrado considerou “perturbadoras”.

“Devia ter sido óbvio para ambos que ela estava embriagada e que tinha menos capacidade para reconhecer o perigo em que se encontrava, não era capaz de resistir a este ataque cobarde e não conseguia pedir ajuda”, afirmou o juiz.

Os procuradores sustentaram que a vítima estava “embriagada e vulnerável” e que os dois agiram “em uníssono”.

Na audiência de 2023, a acusação descreveu que “os dois agiram em uníssono, um a vigiar enquanto o outro cometia os crimes”.

Os dois foram vistos nas imagens numa rua movimentada antes de identificarem a vítima e a conduzirem para um local isolado.

O tribunal ouviu que Mariano terá violado a jovem “enquanto esta oscilava entre a consciência e a inconsciência”, enquanto Soares vigiava.

Soares assumiu depois o lugar do outro, levando-a para um muro próximo, onde voltou a violá-la. “Os dois homens podem ser vistos a interagir e a sorrir um para o outro”, referiu a acusação numa audiência do Tribunal Superior há três anos, acrescentando que um deles terá feito sinal ao outro “para tirar uma fotografia”.

Os dois ficam sujeitos, para toda a vida, a uma ordem de prevenção de crimes sexuais e ao registo de agressores sexuais.

A sentença foi criticada por deputados da Assembleia da Irlanda do Norte.

Doug Beattie, deputado unionista por Upper Bann, falou de um “crime sexual horrível” e disse não compreender a pena, que considerou “indevidamente branda”.

“Isto irrita-me verdadeiramente e vou escrever ao Ministério Público para que analise esta sentença por ser indevidamente branda”, afirmou.

Jon Burrows, líder do Partido Unionista do Ulster e deputado por North Antrim, também criticou a decisão.

“Seis anos por esta violação perversa e metade em liberdade condicional. Uma sentença absurda que deve ser revista”, disse.

A polícia da Irlanda do Norte (PSNI) classificou o ataque como “horrível e profundamente perturbador” e as ações dos dois como “predatórias e degradantes”.

A inspetora-chefe Steph Finlay prestou homenagem à vítima: “Quero prestar tributo à tremenda coragem que [a vítima] demonstrou ao longo de um processo que foi, sem dúvida, extremamente difícil e traumático.”

“As sentenças de hoje responsabilizam ambos os homens pelos seus atos e espero que deem à vítima alguma tranquilidade, por saber que os responsáveis foram levados à justiça”, acrescentou.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!