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Deputados despedem-se do primeiro Presidente do Parlamento, Lú-Olo, recordando o homem e o seu legado

todayJunho 26, 2026 50

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Díli, 26 de junho de  2026 (RAFA.TL) – O primeiro Presidente do Parlamento Nacional timorense, Francisco Guterres Lú-Olo, foi hoje homenageado na última viagem à casa da democracia que ajudou a construir, num momento solene marcado pelo pesar, em recordação do homem que conduziu os trabalhos constitucionais.

A cerimónia no Parlamento Nacional foi um dos momentos solenes da jornada fúnebre de hoje, depois de vários dias de velório que levaram milhares de pessoas à residência do ex-Presidente da República.

Duarte Nunes, vice-presidente do Parlamento Nacional, iniciou o protocolo, conduzindo um minuto de silêncio, relembrando a história de Lú-Olo como “servidor do Estado”, mantendo um “compromisso firme com a independência” nacional.

“Neste momento, todos nós temos o coração triste, em luto nacional. Estamos também nesta casa sagrada para prestar a última homenagem ao nosso herói, ao nosso irmão, ao nosso camarada saudoso Dr. Francisco Guterres Lu-Olo”, disse o deputado do CNRT.

“Ao longo da sua vida, dedicou-se por inteiro à amada terra de Timor-Leste. Passou por uma longa luta, durante muitos anos de combate, para que nós alcançássemos a liberdade. Ao longo de toda a sua vida, o Dr. Lu-Olo demonstrou verdadeiramente coragem, patriotismo e um compromisso firme com a independência de Timor”, vincou.

Duarte Nunes disse que a obra de Lú-Olo “continuará viva na memória do povo” e que a história continuará a contá-la, de geração em geração.

“Irmãos, neste momento de despedida final, com profundo respeito, todos nós nos inclinamos e permanecemos em silêncio como sinal de respeito, gratidão e reconhecimento pela sua obra e pelo sacrifício que ofereceu a esta terra e a este povo”, conclui.

Coube depois à Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, dar início formal à sessão solene, solicitando à secretária da Mesa do Parlamento a leitura do voto de pesar aprovado por unanimidade esta semana.

“Francisco Guterres “Lu Olo” foi um lutador incansável pela causa da independência nacional, dedicando-se sem reservas à frente de combate desde 1974 até ao ano de 2000. Pertenceu ao restrito e histórico grupo de apenas quatro comandantes que permaneceram ininterruptamente no mato durante os longos e duros 24 anos de resistência armada contra a ocupação indonésia”, refere o texto, lido por Virgínia Ana Belo.

“A sua caminhada política confunde-se com a própria história da luta pela independência”, leu, mostrando-se emocionada na reta final do texto.

Depois, uma por uma, as bancadas parlamentares dedicaram curtas mensagens de homenagem, recordando o homem que liderou os trabalhos da feitura da Constituição, na Assembleia Constituinte (entre 2001 e 2002).

Patrocínio dos Reis (CNRT) manifestou em nome do partido um sentimento de “tristeza pela perda de uma figura verdadeiramente muito importante”, agradecendo “todo o sacrifício e todo o legado que o Maun-Bo’ot Dr. Francisco Guterres Lú-Olo ofereceu à amada terra de Timor-Leste, ao povo timorense”.

Uma dedicação manifestada “na fase da resistência pela autodeterminação, e também no tempo da consolidação das instituições do Estado democrático neste Estado soberano da República Democrática de Timor-Leste”.

“Acreditamos também que a sua memória jamais se extinguirá em toda a história da caminhada desta nação. Rezamos para que Deus lhe conceda um bom lugar, para que continue a velar por todos nós, e para que possamos continuar a servir a nossa terra e o nosso povo segundo o sonho que vós, os mais velhos, sonhastes primeiro e nos transmitistes”, disse.

Aniceto Guterres (FRETILIN) recordou os vários cargos que Lú-Olo exerceu, tanto no período da luta como no período antes e desde a restauração da independência, com “paciência, soberania e idoneidade”.

“A bancada parlamentar da Fretilin sente uma dor muito profunda pela perda de um grande líder timorense, o Dr. Francisco Guterres Lú-Olo”, disse, antes de destacar os principais momentos da sua biografia.

“Como Presidente da República, honrou e dignificou a pátria em todos os seus atos, cumpriu e fez cumprir a Constituição, orientou a sua ação com humildade e permaneceu sempre como promotor do diálogo, com um coração que amava profundamente o povo timorense”, afirmou.

Aniceto disse que Lú-Olo “dedicou toda a sua vida à autodeterminação e à construção do Estado de direito democrático”.

“A sua abnegação incomparável como homem de Estado, a sua pureza e integridade, o seu espírito de unidade nacional e o seu serviço dedicado fizeram dele um líder insubstituível, que continuará para sempre no coração da Fretilin e na memória de todo o povo de Timor-Leste”, afirmou.

“Como herói, Lú-Olo nunca morre. O seu legado de determinação, coragem, sacrifício e fé num Timor-Leste próspero, bem como a sua luta contra a corrupção, a colusão e o nepotismo, continuarão a inspirar a nossa geração e as gerações futuras a prosseguirem, dia após dia, o serviço à pátria e ao povo. A partir de hoje, o nome de Lú-Olo permanece no coração do povo maubere: nos campos, nas casas pobres, entre o povo humilde, nos sonhos dos mais jovens.

Camarada Presidente Lú-Olo, tu não morreste; a tua luta não acabou”, disse.

E num voto que antes tinha sido repetido na sede do partido, disse: “Lú-Olo Presente. Presente. Presente. A luta continua”, conclui.

Sancha Margarida Tilman (PD) disse que Francisco Guterres Lú-Olo foi “um líder e um pai no Parlamento Nacional e na nação timorense”, que hoje merece ser honrado “com firmeza interior e humildade” pela sua “dedicação extraordinária na luta brutal e longa contra a invasão e a ocupação durante vinte e quatro anos”.

“O Camarada Presidente regressa a esta casa sagrada do Parlamento Nacional, não para servir o povo e o Estado de Timor-Leste, mas, em silêncio, para lhe ser prestada homenagem nesta sessão plenária solene, e para repousar eternamente no Parlamento Nacional e na nação timorense”, afirmou.

Antonio Verdial (KHUNTO) disse que a homenagem a Lú-Olo “não pode ficar apenas por belas palavras de retórica parlamentar”, devendo “transformar-se em ação com dignidade.

E, nesse sentido, pelo a maior atenção do Estado, por “obrigação moral e histórica, para garantir que a viúva e os órfãos do saudoso ex-Presidente Lú-Olo vivam com dignidade, recebam sustento e apoio para as suas vidas, e recebam a segurança e o respeito que merecem”.

Cuidar das famílias daqueles que deram a sua vida pela autodeterminação não é uma ajuda nem um favor; é um dever sagrado do Estado soberano de Timor-Leste”, afirmou.

“O saudoso deixou-nos a base e o fundamento legal e político da nossa nação. Deixou-nos a lei-mãe, a Constituição da República Democrática de Timor-Leste. O saudoso não se limitou a conduzir debates; recebeu de todos nós o reconhecimento como guia da Constituição da RDTL. O legado que nos deixou foi o respeito e a profunda lealdade às regras democráticas, à separação de poderes e à estabilidade institucional”, afirmou.

E depois deixou o que disse ser uma lição deixada por Lú-Olo, sobre “a essência do serviço público e da integridade”.

“O que queria ele verdadeiramente dizer com essas palavras? Primeiro, controlar a ganância; segundo, combater o abuso de poder; terceiro, fazer um apelo à comunidade”, disse.

Finalmente, Angelina Sarmento (PLP) marcou o momento em que os timorenses, dentro e fora do país, estão “com o coração triste e em luto nacional” e a “chorar, com lágrimas nos olhos, a perda de uma figura notável e de um estadista”.

“Hoje, todos os timorenses se reúnem numa atmosfera de profunda tristeza, mas também cheia de orgulho e respeito. Todos acompanharam o percurso do Dr. Francisco Guterres Lú-Olo como verdadeiro homem de Estado, figura que dedicou toda a sua vida e todo o seu pensamento à construção de um Estado de direito democrático e de uma sociedade inclusiva”, disse.

Considerando o ex-presidente “uma figura central na história contemporânea de Timor-Leste”, Sarmento quis “reconhecer a sua contribuição para a construção do Estado e das instituições democráticas, bem como o seu papel na promoção da reconciliação nacional e na defesa da unidade do povo timorense”.

“O saudoso deu sempre prioridade aos interesses do povo e da nação acima dos interesses privados. Cada passo que deu, cada fundamento que defendeu, cada decisão que tomou, tudo foi orientado por um espírito de patriotismo e de entrega pessoal para transformar Timor-Leste em bem-estar para o povo”, considerou.

“O saudoso foi um dos arquitetos das muitas mudanças na sociedade democrática, a voz do povo sem voz, e uma rocha firme na defesa da soberania nacional. Assim, mostrou firmeza e inteligência na vida como líder, como político e como membro de uma sociedade democrática”, disse ainda.

Membros do Governo, outros responsáveis nacionais e convidados acompanharam a cerimónia de Estado.

A cerimónia no Parlamento Nacional foi a última antes do funeral, que decorre ao início da tarde no Jardim dos Heróis e de Mártires da Pátria, em Metinaro, para onde o cortejo segue agora.

José Ramos-Horta preside a essa cerimónia, onde se prevê a participação de vários líderes nacionais e muitos anónimos.

Durante a manhã, Lú-Olo foi homenageado com cerimónias no Comité Central da FRETILIN (CCF), no quartel das forças de defesa, F-FDTL, e no Palácio Presidencial, antes de uma missão de corpo presente, onde estiveram vários dos líderes nacionais, incluindo o chefe de Estado, José Ramos-Horta.

Atrás do cortejo fúnebre, uma longa fila de motas e carros, algumas com as bandeiras nacionais e outras com bandeiras da FRETILIN.

Pouco depois das 12:00 o cortejo fúnebre chegou ao portão principal do Parlamento Nacional, onde se aglomeravam centenas de pessoas, ouvindo-se vivas a Lú-Olo.

Um longo tapete vermelho, ladeado por militares e polícias timorenses, a marcar o percurso até à sala de plenário.

A viúva e os filhos, acompanhados por Mari Alkatiri, secretário-geral da FRETILIN abriram o cortejo à frente do caixão com o corpo de Francisco Guterres Lú-Olo que continua coberto com as bandeiras de Timor-Leste, da FRETILIN e das FALINTIL.

O caixão percorreu depois lentamente os corredores do parlamento, ladeados pelos funcionários do órgão de soberania e outros convidados, antes de entrar na sala do plenário onde os deputados aguardavam de pé.

Um último adeus ao homem que proclamou a restauração da independência de Timor-Leste, ás 00:24 de 20 de maio de 2002.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

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