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Díli, 03 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O café continua a ser a face internacional de Timor-Leste, representando mais de 90% das exportações não petrolíferas do país, mas o setor continua aquém dos níveis record de 2021, segundo o Plano de Ação Nacional para a Indústria Transformadora 2026-2031 (PANIT), publicado esta semana.
O documento aponta, além do café, o coco, a noz-de-candeeiro, o cacau, a baunilha, o sorgo, o abacate, o cravo-da-índia, as algas marinhas e o konjac como produtos agrícolas com “elevado potencial de transformação e exportação”.
De acordo com dados do Banco Central de Timor-Leste (BCTL) citados no documento, o valor total das exportações de café em 2024 foi de aproximadamente 17,8 milhões de dólares – dos quais cerca de 5,1 milhões para os Estados Unidos, três milhões para a Indonésia e 1,6 milhões para a Austrália.
Apesar de representar uma melhoria face aos 14,47 milhões de dólares de 2023, o valor “continua desfavorável” quando comparado com os 27,61 milhões de dólares de 2021 e os 26,1 milhões de dólares de 2022.
O plano recorda que a produção timorense representa “menos de 0,1% do mercado global” de café, mas continua a ser “o produto mais reconhecido internacionalmente do país”.
Cerca de 35% da população timorense vive do café, cultivado sobretudo nos municípios de Ermera, Liquiçá, Ainaro e Aileu, tornando-o “o produto de base mais importante” da economia rural.
O documento aponta, no entanto, para uma produtividade estruturalmente baixa: 62% dos produtores cultivam café em menos de um hectare de terra e 95% em menos de cinco hectares, com uma produção média inferior a 200 quilogramas por hectare, face a uma média mundial de 880 quilogramas.
Entre as causas identificadas estão “cafeeiros envelhecidos, os efeitos das alterações climáticas, a falta de clareza quanto à propriedade dos campos de café e os baixos incentivos à inovação por parte dos agricultores.”
O PANIT recorda que o Governo mantém as metas do Plano Nacional de Desenvolvimento do Setor do Café 2019-2030, que preveem duplicar a produção até 2030 e aumentar as receitas de exportação em até 270%, apostando na modernização e no café de especialidade – segmento que, segundo a Grand View Research citada no documento, deverá crescer a um ritmo anual de 10,4% entre 2025 e 2030 a nível mundial.
Noutro âmbito, o mesmo documento alerta que a produção do têxtil tradicional Tais está em declínio acentuado, ao ponto de já não ser possível considerá-la, “tal como descrita” atualmente, “uma indústria transformadora promissora orientada para a exportação”.
O documento descreve o contraste entre o passado e o presente numa unidade produtora de Tais em Díli, visitada no âmbito de um projeto da UNESCO agora concluído: “já não há muitos funcionários e a maioria das máquinas de costura foi removida, tendo as operações sido significativamente reduzidas.”
Uma cooperativa local que ainda produz e vende Tais num hotel de Díli enfrenta uma situação em que “as mulheres envolvidas na produção de Tais não conseguem sustentar os seus meios de subsistência apenas através desta atividade.”
O PANIT compara a situação timorense com a Indonésia, onde o Batik – reconhecido pela UNESCO como Património Cultural Imaterial em 2009 – enfrenta desafios semelhantes.
“O declínio do artesanato tradicional devido à modernização e à urbanização” e “o número cada vez menor de artesãos, com as gerações mais jovens a demonstrarem pouco interesse na tecelagem tradicional.”
Como caminho possível, o documento aponta para exemplos internacionais de sucesso, como o têxtil japonês Inden, atribuído a “uma estratégia de marca precisa e à utilização ativa do comércio eletrónico”.
Cita ainda o caso da Uniqlo, que vende na Indonésia roupa inspirada em motivos de Batik, sugerindo “o potencial para atrair IDE e criar empregos através da utilização de motivos têxteis tradicionais.”
O PANIT recomenda que, do ponto de vista da revitalização da economia local e da capacitação das mulheres, “as mulheres empresárias desenvolvam estratégias de marca inovadoras para as suas empresas em fase de arranque”, cabendo ao Estado promover um ambiente de negócios que utilize ativamente o comércio eletrónico e preste serviços públicos de consultoria de gestão.
FIM
Escrito por RafaFM
Café continua a ser a face internacional de Timor-Leste mas exportações ainda não recuperaram nível de 2021
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