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Ouagadougou, 29 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O governo militar do Burkina Faso cortou relações diplomáticas com a França com efeitos imediatos, acusando Paris de “ambições neocoloniais flagrantes e apoio ativo a redes subversivas e terroristas”, sem apresentar provas das alegações.
A junta anunciou a decisão em comunicado na sexta-feira.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Pascal Confavreux, lamentou a “decisão hostil e infundada, que ilustra a preocupante deriva das autoridades burquinabés” e anunciou que “as medidas recíprocas necessárias estão em análise”, acrescentando que Paris monitoriza a segurança do seu pessoal e cidadãos no país e os instou a reforçar a vigilância.
“As condições essenciais para fomentar relações baseadas no respeito mútuo, na confiança recíproca e no respeito pelo princípio da não ingerência nos assuntos internos e na soberania nacional deixaram de estar reunidas”, afirmou o ministro das Comunicações burquinabé, Pingdwende Gilbert Ouedraogo.
A rutura era esperada há anos.
A França foi o principal parceiro de segurança do Burkina Faso até ao golpe de 2022, após o qual a junta expulsou centenas de militares franceses destacados para combater os grupos extremistas. Em 2023, o governo militar pediu a Paris a retirada do seu embaixador e declarou persona non grata o coordenador residente e humanitário das Nações Unidas no país.
Em 2024, expulsou três diplomatas franceses por alegadas atividades subversivas.
O Burkina Faso, com 23 milhões de habitantes, enfrenta há anos uma violência crescente perpetrada por grupos extremistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.
O Sahel é a região do mundo com maior mortalidade por extremismo. Apesar das promessas da junta de pôr fim à violência, analistas assinalam que a situação piorou desde o golpe.
Segundo um relatório recente da Human Rights Watch, as forças governamentais são responsáveis por pelo menos 1.200 das 1.837 mortes de civis registadas no país entre janeiro de 2023 e agosto de 2025 – o dobro das atribuídas aos extremistas no mesmo período.
As forças do Estado são frequentemente acusadas de execuções extrajudiciais.
Permanece por esclarecer qual o impacto imediato da rutura diplomática sobre a embaixada francesa em Ouagadougou e as relações bilaterais em curso.
FIM
Escrito por RafaFM
acusando-a de "ambições neocoloniais" Burkina Faso rompe relações diplomáticas com França
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