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Bloqueio do Estreito de Ormuz ameaça colocar 45 milhões em risco de fome, alerta ONU

todayMaio 12, 2026 31 6

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Díli, 12 de maio de 2026 (RAFA.TL) – A paralisia do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, que está a bloquear o transporte de fertilizantes essenciais à produção agrícola mundial pode empurrar mais 45 milhões de pessoas adicionais para a fome e a inanição, segundo a ONU.

Em condições normais, um terço do comércio global de fertilizantes – bem como 35% do petróleo bruto e um quinto do gás natural liquefeito – passa pelo corredor marítimo a sul do Irão. Com a crise instalada, o tráfego de navios-tanque encontra-se praticamente paralisado.

Economistas da FAO alertaram que o tráfego de navios-tanque no Estreito colapsou mais de 90% em poucos dias após a escalada do conflito. As projeções da organização apontam para que os preços globais dos fertilizantes possam ser em média 15 a 20% mais elevados na primeira metade de 2026, caso a crise persista.

Os preços do azoto subiram 30% e os dos fosfatos entre 5% e 15%, à medida que os compradores competem por fornecimentos limitados – numa altura crítica que coincide com a época de sementeira da Primavera no hemisfério norte.

“Temos algumas semanas pela frente para evitar o que provavelmente será uma crise humanitária massiva”, disse Jorge Moreira da Silva, diretor executivo do Gabinete das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) e líder da força-tarefa, à AFP numa entrevista em Paris.

“Podemos assistir a uma crise que forçará mais 45 milhões de pessoas à fome e à fome.”

O secretário-geral da ONU criou a força-tarefa em março para liderar um mecanismo que permitisse a passagem de fertilizantes e matérias-primas relacionadas, como amoníaco, enxofre e ureia.

Durante semanas, Moreira da Silva tem trabalhado para convencer as partes beligerantes a permitir a passagem de sequer alguns navios, e reuniu-se com “mais de 100 países” para mobilizar o apoio dos Estados-membros da ONU em torno do mecanismo.

Um número crescente de países está a mostrar apoio ao plano, afirmou, mas os Estados Unidos e o Irão, bem como os países do Golfo – que são produtores-chave de fertilizantes – ainda não aderiram totalmente.

Embora a esperança final seja um acordo de “paz duradouro” na região e “liberdade de navegação para todas as mercadorias” através do estreito, “o problema é que a época de plantação não pode esperar”, disse Moreira da Silva, com algumas a terminar nas nações africanas em poucas semanas.

O foco global tem sido nos impactos económicos do comércio de petróleo e gás estrangular, mas as Nações Unidas têm soado o alarme sobre a ameaça que o bloqueio representa para a segurança alimentar mundial, com os países de África e da Ásia provavelmente a serem particularmente afetados.

Entre os países mais expostos à crise contam-se o Sudão, dilacerado pela guerra, a Somália, Moçambique, o Quénia e o Sri Lanka – nações já altamente vulneráveis devido a choques anteriores e fortemente dependentes dos fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico.

O Programa Alimentar Mundial alertou que os sistemas alimentares globais estão sob pressão severa, com mais de 360 milhões de pessoas a enfrentar insegurança alimentar aguda em 2026 e dezenas de milhões em risco de fome.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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