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Balanço de mortos sobe no desastre na fronteira Nepal-China, novo lago ameaça provocar mais cheias

todayAgosto 28, 2026 4

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Katmandu, Nepal, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – O balanço de mortos nas cheias na fronteira entre o Nepal e a China subiu para 469, informou esta sexta-feira a polícia nepalesa, enquanto um novo lago formado pelo desastre ameaça provocar mais inundações.

O número de mortos no Nepal aumentou face aos 390 registados um dia antes, enquanto a China mantém o balanço de apenas três mortos no Tibete.

No total, os dois países contabilizam mais de 1.500 desaparecidos, dois dias depois de a cheia repentina ter devastado a região montanhosa do Himalaia.

As autoridades nepalesas e chinesas alertaram para o risco de novas inundações provocadas por um lago formado a montante depois do desastre de quarta-feira, que já se encontra em transbordo, tendo pedido à população em zonas potencialmente afetadas que se desloque para terrenos mais seguros.

O Ministério dos Recursos Hídricos chinês informou na quinta-feira que o lago continha cerca de dois milhões de metros cúbicos de água, com previsão de receber mais três milhões de metros cúbicos nos três dias seguintes.

A televisão estatal chinesa CCTV noticiou esta sexta-feira de manhã que a barreira natural do lago se situa a mais de dez quilómetros da passagem fronteiriça de Gyirong, submersa por lama e água das cheias, adiantando que o lago se encontra a uma altitude de 2.950 metros, cerca de mil metros acima de Gyirong.

O exército nepalês enviou uma equipa à zona fronteiriça para inspecionar o rio Bhotekoshi, face ao risco de novas cheias.

Segundo a Autoridade Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres do Nepal, 3.253 pessoas foram já retiradas por helicóptero da zona afetada.

Sobreviventes, incluindo feridos, foram transportados para Katmandu e outras localidades.

Entre os desaparecidos contam-se estrangeiros de vários países, muitos deles caminhantes e peregrinos.

O porta-voz do exército nepalês, brigadeiro-general Raja Ram Basnet, disse à Associated Press que uma equipa foi enviada esta sexta-feira ao projeto hidroelétrico Upper Trishuli-1, perto da fronteira entre o Nepal e a China, na sequência de informações de que haveria pessoas presas dentro de um túnel.

“É complicado encontrar os pontos de entrada e saída do túnel porque tudo ficou coberto de lama. A nossa prioridade é resgatar as pessoas presas”, afirmou.

Rajan Tamang, dono de um restaurante em Nova Iorque, disse ter sabido através de familiares em Katmandu que a mãe e a irmã morreram nas cheias, permanecendo desaparecidos vários outros parentes e amigos.

“A minha família estava a acordar e nem sequer teve informação, e de repente veio esta cheia. Alguns estão desaparecidos, outros perderam a vida e só alguns sobreviveram”, disse, após uma vigília em Nova Iorque.

Cientistas que analisaram imagens de satélite concluíram que a rocha subjacente a um glaciar, numa zona elevada do Himalaia, colapsou, arrastando parte do glaciar consigo. As rochas e a água do degelo fizeram inchar os rios nos vales abaixo, provocando a torrente que arrastou edifícios, pontes e terra rio abaixo.

FIM

Escrito por RafaFM

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