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Jacarta, 30 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Um tribunal indonésio condenou hoje Nadiem Makarim, cofundador da empresa tecnológica Gojek e antigo ministro da Educação, a dez anos de prisão por corrupção, encerrando um dos processos judiciais mais mediáticos da história recente da Indonésia.
Makarim, de 41 anos, sempre negou as acusações, alegando que o processo tem motivação política – posição que tem encontrado apoio entre académicos e ativistas de direitos humanos.
O advogado Todung Mulya Lubis chegou a classificar de “insensato” o pedido inicial da acusação.
O caso, conhecido na Indonésia como “Chromebookgate”, está relacionado com a aquisição, entre 2020 e 2022, de cerca de 1,1 milhões de computadores portáteis Chromebook, no âmbito de um programa lançado durante a pandemia de covid-19, quando as escolas indonésias foram forçadas a recorrer ao ensino à distância.
A acusação alegava que o processo causou perdas ao Estado de 2,18 biliões de rupias (123 milhões de dólares norte-americanos).
Makarim foi ainda condenado ao pagamento de uma multa de mil milhões de rupias (56 mil dólares norte-americanos) e de 809,6 mil milhões de rupias (45 milhões de dólares) a título de restituição, com um acréscimo de cinco anos de prisão caso não cumpra o pagamento.
O Ministério Público tinha pedido inicialmente uma pena de 18 anos de prisão e um pagamento adicional de 5,68 biliões de rupias (320 milhões de dólares), o que, segundo Makarim sublinhou em tribunal, o levaria a cumprir até 27 anos de cadeia caso não conseguisse pagar – mais do que algumas penas aplicadas a homicidas ou terroristas.
O juiz-presidente Purwanto Abdullah, do Tribunal Anticorrupção de Jacarta, declarou Makarim culpado de abuso de autoridade e de causar prejuízos ao Estado, absolvendo-o, no entanto, da acusação de enriquecimento pessoal direto.
O processo, sob investigação da Procuradoria-Geral da Indonésia desde maio de 2025, envolve a aquisição de computadores Chromebook no valor de 9,9 biliões de rupias (601 milhões de dólares) pelo Ministério da Educação.
Além de Makarim, foram constituídos arguidos o antigo assessor especial Jurist Tan – que fugiu do país antes do início dos julgamentos -, o consultor tecnológico Ibrahim Arief e dois antigos diretores do ministério.
Arief foi condenado em maio a quatro anos de prisão, numa decisão que teve dois votos de vencido entre os cinco juízes do painel.
A acusação alegou que o investimento da Google na empresa-mãe da Gojek influenciou a decisão de aquisição dos equipamentos, sustentando que Makarim definiu especificações do concurso público adequadas exclusivamente ao sistema Chrome.
A Google não foi indiciada e os seus responsáveis negaram, em depoimento no julgamento, qualquer ligação ao caso.
Makarim rejeitou sempre as acusações, sustentando não ter havido enriquecimento pessoal e que a redução de custos foi o objetivo do programa de aquisição.
A decisão motivou protestos de apoiantes junto ao tribunal, enquanto alguns analistas e ativistas questionaram a solidez das provas apresentadas, considerando o processo politicamente motivado.
Visivelmente emocionado, Makarim afirmou junto de familiares e amigos que vai recorrer da sentença.
“Fui condenado com base em factos que não fazem qualquer sentido”, declarou, lamentando não ter capacidade para pagar o montante determinado pelo tribunal.
O veredicto surge num momento de fragilidade da confiança dos investidores na Indonésia, com a rupia e as bolsas a registarem quedas este ano na sequência de revisões em baixa por parte de agências de notação de crédito e da possibilidade de o índice MSCI vir a despromover a maior economia do sudeste asiático devido a preocupações com a transparência do mercado.
FIM
Escrito por RafaFM
a dez anos de prisão por corrupção Nadiem Makarim Tribunal indonésio condena fundador da Gojek
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