Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Lisboa, 22 jun 2026 (RAFA.TL) – Xanana Gusmão defendeu hoje em Lisboa que a CPLP deve aproximar-se da ASEAN, bloco regional de que Timor-Leste é membro de pleno direito desde 2025, fortalecendo os laços entre as duas organizações.
“Reafirmámos o nosso compromisso com a unidade na diversidade e reforçamos os laços históricos, culturais e políticos que unem os nossos povos de língua portuguesa. Hoje, temos ainda a oportunidade de refletir sobre a importância do multilateralismo, do diálogo e da cooperação para o desenvolvimento dos nossos povos, num contexto internacional marcado por incertezas e instabilidade”, disse o Primeiro-Ministro depois de uma visita à sede da CPLP em Lisboa.
“Abordamos temas centrais para os nossos cidadãos, em particular a mobilidade no espaço da CPLP, a nossa vontade em aprofundar a união e cooperação económica, bem como a vontade em fortalecer a cooperação para os oceanos e aproximar a CPLP de outras regiões estratégicas do mundo, particularmente com a região da ASEAN”, disse.
Xanana Gusmão, que já hoje manteve uma reunião de cortesia com o Presidente da República, António José Seguro, falava aos jornalistas depois de uma visita ao secretariado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde se reuniu com a secretária-executiva Maria de Fátima Jardim e com representantes permanentes dos Estados-membros.
“A CPLP, com os seus milhões de cidadãos, tem um papel relevante de defesa da dignidade humana, da paz, da justiça e da proteção do planeta”, disse.
O chefe do Governo disse que Timor-Leste assumiu a presidência pro tempore da CPLP, em substituição da Guiné-Bissau “porque acredita nestes princípios e na força coletiva dos cidadãos em prol do bem comum global”.
Motivo pelo qual, disse, se renova o “compromisso em trabalhar com todos os Estados-membros e observadores”, e a vontade de “acolher com amizade e hospitalidade a reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que se realizará em Díli no próximo mês de agosto de 2026”.
“O [período de presidência] ‘Pro Tempore’ é o período que pertenceria à Guiné-Bissau. Depois da Guiné-Bissau somos nós. Portanto, o próximo somos nós”, declarou o primeiro-ministro aos jornalistas.
A Guiné-Bissau presidiu à CPLP entre agosto e dezembro de 2025, tendo sido suspensa da organização, bem como da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), na sequência do golpe militar.
A junta proclamou o general Horta Inta-a chefe de um governo de transição de um ano, com eleições previstas para dezembro. O líder do PAIGC e ex-secretário-executivo da CPLP (2008-2010), Domingos Simões Pereira, encontra-se em prisão domiciliária.
Questionado sobre a situação na Guiné-Bissau, Xanana reconheceu que se trata de uma “questão complicada,” mas salvaguardou o princípio da não-interferência.
“Há o princípio de não-interferência, mas deve haver também o princípio de obedecer, seguir os princípios universais de direitos humanos, da Democracia”, afirmou.
O líder histórico timorense mostrou-se confiante numa resolução, ainda que sem prazo definido. “Eu não posso dizer quando, mas acredito que os guineenses vão compreender quanto custa a nós perceber e quanto custa a eles viver numa sociedade em que os direitos humanos não são uma regra, uma norma”, disse.
“É uma questão complicada. Se fosse uma destruição de uma casa, se fosse uma situação de desastre natural, podemos ver o que é que é preciso fazer, o que é que se deve complementar, mas em situações políticas é difícil fazer-se uma previsão. O que temos para dizer é que vai haver todo o esforço para podermos ajudar a mudar a situação ali”, disse ainda.
Finalmente, já na reta final da entrevista, Xanana Gusmão foi questionado pelos jornalistas portugueses sobre a morte do ex-Presidente Francisco Guterres Lú-Olo, no domingo na Malásia.
“A vida é assim. Quando nascemos, temos uma certeza, absoluta certeza, que iremos morrer. A incerteza está só em quando, onde e como”, afirmou.
A visita de Xanana Gusmão a Lisboa tem como eixo central o reforço da cooperação na área da justiça.
Na terça-feira, o PM reúne-se com o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Juiz Conselheiro João Cura Mariano, e com o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra.
O objetivo é sensibilizar estas entidades para a necessidade de apoio a Timor-Leste, sem que esteja prevista a assinatura de grandes acordos, com Xanana Gusmão a sublinhar que “um dos maiores problemas” do país é a língua portuguesa no sistema judicial.
Na quarta-feira, o Primeiro-Ministro participa numa mesa-redonda organizada pelo g7+ sobre o impacto da guerra no Médio Oriente nos Estados afetados pelo conflito.
Na quinta-feira, reúne-se com reitores e diretores das universidades Católica e Nova de Lisboa e das faculdades de Direito do Porto, Coimbra e Braga, encontra-se com estudantes timorenses de Direito na Embaixada de Timor-Leste, e recebe ao final do dia o Prémio Professor Doutor Jorge Miranda, na Aula Magna da Universidade de Lisboa.
Na sexta-feira, Xanana Gusmão participa na 5.ª Conferência Anual do Instituto Português de Direito do Mar, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, antes de encontros com a imprensa portuguesa e timorense.
O chefe do Governo regressa parte de Lisboa no dia 27 de junho.
FIM
Escrito por RafaFM
Xanana quer CPLP mais próxima da ASEAN no 30.º aniversário da organização lusófona
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt