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Cazã, 17 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão participa hoje e amanhã na Cimeira Comemorativa ASEAN-Rússia em Cazã, com uma agenda dominada pela energia, segurança alimentar, tecnologia nuclear e um novo plano de acção estratégico até 2030.
O encontro que assinala 35 anos de relações entre o bloco regional e Moscovo é o primeiro encontro presencial entre líderes da ASEAN e a Rússia ao nível de chefes de Estado desde a pandemia.
Xanana Gusmão partiu para a Rússia na segunda-feira a convite do Presidente Vladimir Putin.
A participação de Timor-Leste reflete o compromisso do país de estreitar os laços com a região, numa altura em que avança nas preparações para a adesão plena à ASEAN.
A sessão de abertura conta com a presença do Primeiro-Ministro do Vietname, Le Minh Hung, do Primeiro-Ministro do Laos, Sonexay Siphandone, do Primeiro-Ministro do Camboja, Hun Manet, do Primeiro-Ministro da Tailândia e do Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão.
A cimeira é copresidida pelo Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Júnior, na qualidade de presidente em exercício da ASEAN, e pelo Presidente Vladimir Putin, e conta ainda com o Sultão do Brunei e os primeiros-ministros da Malásia e de Singapura.
A Indonésia é representada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Myanmar pelo Secretário Permanente do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A cimeira deverá adotar quatro documentos finais: a Declaração de Cazã sobre o 35.º Aniversário das Relações ASEAN-Rússia, a Declaração Conjunta sobre Cooperação Energética, a Declaração Conjunta sobre Cooperação Cultural e o Plano de Acção Abrangente para a Implementação da Parceria Estratégica ASEAN-Rússia 2026-2030, documentos que orientarão a cooperação nos próximos anos.
O plano de acção servirá de roteiro para a cooperação nos domínios político-securitário, económico e outros.
O programa inclui a sessão plenária, um almoço de trabalho, o fórum empresarial, uma reunião bilateral com Putin, um jantar de gala para líderes e uma conferência de imprensa conjunta.
A cooperação energética, incluindo a energia nuclear civil, ocupa um lugar central na agenda.
Representantes russos afirmaram, na véspera da cimeira, que Moscovo vê a energia nuclear pacífica como “uma área de cooperação de longo prazo com a ASEAN” e que está pronta a partilhar experiência e tecnologias russas para promover o desenvolvimento sustentável e reforçar a segurança energética da região.
Um passo institucional concreto foi a assinatura de um memorando de entendimento entre a corporação estatal russa Rosatom e o Centro de Energia da ASEAN, que prevê o desenvolvimento do diálogo de peritos, intercâmbio de experiências, formação de especialistas e estudo das perspetivas de aplicação de tecnologias energéticas modernas nos países da região.
As discussões sobre segurança energética poderão abranger petróleo, gás natural, energia nuclear e aplicações civis da tecnologia nuclear, com o conflito no Médio Oriente e o seu impacto no abastecimento energético e alimentar global a figurar igualmente nas discussões.
O comércio entre a Rússia e a ASEAN atingiu 18,1 mil milhões de dólares em 2024, um crescimento de 13,2% face ao ano anterior, enquanto o investimento russo nos países da ASEAN cresceu 20,8%.
A Reunião do Comité de Cooperação Conjunta ASEAN-Rússia realizada em Jacarta em abril de 2026 havia já reafirmado os compromissos de expansão da cooperação nos sectores da indústria transformadora, infraestruturas e tecnologias de ponta.
A cimeira realiza-se num contexto em que a maioria dos Estados-membros da ASEAN apoiou resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas a condenar a invasão russa da Ucrânia, mas o bloco mantém a Rússia como parceiro de diálogo, em consonância com a sua doutrina histórica de não-alinhamento e centralidade da ASEAN.
Vários membros – incluindo as Filipinas, a Indonésia, a Tailândia e o Vietname – têm interesses económicos no petróleo bruto russo, o que contribui para esta postura pragmática.
Para Timor-Leste, em processo de adesão plena à ASEAN, a participação na cimeira constitui mais um sinal da crescente afirmação diplomática do país no quadro regional, depois de Xanana Gusmão ter participado na 48.ª Cimeira da ASEAN na Malásia em maio e em vários outros encontros regionais ao longo de 2026.
FIM
Escrito por RafaFM
onde energia nuclear e cooperação estratégica dominam a agenda Xanana Gusmão representa Timor-Leste na Cimeira ASEAN-Rússia em Cazã
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