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Díli, 10 de setembro de 2026 (RAFA)— O Primeiro-Ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, defendeu que os setores da saúde e da educação devem ser encarados não apenas como áreas profissionais, mas como missões ao serviço da população, durante a 79. ª Sessão do Comité Regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Sudeste Asiático, em Díli.
No seu discurso aos participantes, Xanana Gusmão agradeceu às delegações presentes em Timor-Leste e explicou que o seu regresso ao país foi atrasado devido à erupção vulcânica em Jacarta, onde permaneceu três dias. O Primeiro-Ministro afirmou ter chegado a Timor-Leste apenas no dia anterior, depois de quase duas semanas no estrangeiro.
Apesar da sua agenda preenchida, declarou que considerou importante estar presente pessoalmente para receber os participantes e conhecer em primeira mão os resultados dos trabalhos realizados durante a sessão.
“É uma grande honra estar aqui para vos encontrar pessoalmente, empenhados em dar o nosso melhor para servir o povo de Timor-Leste no setor da saúde”, afirmou.
Xanana Gusmão reconheceu que o país continua a enfrentar problemas no setor da saúde, mas destacou a importância dos encontros realizados durante a sessão, que permitiram aos participantes compreender melhor os esforços, os desafios e a realidade de Timor-Leste.
Segundo o Primeiro-Ministro, existem dois setores que devem ser entendidos de forma diferente das outras atividades profissionais: a saúde e a educação.
“Há duas profissões, dois setores, que consideramos não como trabalho para receber dinheiro, mas como uma missão, uma missão para servir: uma é a saúde, a outra é a educação”, declarou.
Na sua intervenção, explicou que, enquanto noutras áreas uma pessoa pode vender o seu conhecimento e receber um salário pelo trabalho realizado, na saúde e na educação existe uma responsabilidade adicional de servir a população.
Por isso, Xanana Gusmão manifestou a sua esperança de que os resultados da sessão regional contribuam para melhorar o conhecimento e o empenho dos timorenses, em particular dos profissionais de saúde, no serviço à população.
“Espero que todos os resultados desta conferência nos levem a nós, timorenses, sobretudo aos profissionais de saúde, a uma melhor compreensão e a um maior empenho no serviço à população”, afirmou.
O Primeiro-Ministro relacionou ainda a saúde e a educação com a própria visão do desenvolvimento nacional.
“Quando falamos de desenvolvimento, a nossa visão é ter uma população saudável e instruída. Esta é a base para o desenvolvimento de um país”, afirmou.
Xanana Gusmão recordou que Timor-Leste celebrou este ano 24 anos de independência, um período que, segundo o próprio, oferece ao país a oportunidade de refletir sobre o caminho percorrido, incluindo o que foi feito, o que ainda está por fazer, os erros cometidos e os desafios que se apresentam para o futuro.
Neste processo de reflexão, destacou ainda a importância do empenho de todos os que trabalham no setor da saúde em servir a população.
“Conquistamos a independência através do sofrimento deste povo”, afirmou, defendendo que esta experiência deve reforçar o compromisso de fazer mais pela segurança e saúde da população.
O Primeiro-Ministro agradeceu ainda aos participantes por terem vindo a Timor-Leste e por terem contribuído para o desenvolvimento de uma visão sobre o que o país precisa de fazer no setor da saúde.
Xanana Gusmão lamentou, no entanto, não ter podido encontrar-se pessoalmente com o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a sua visita a Timor-Leste.
Referindo-se à adoção da Declaração sobre Recursos Humanos para a Saúde: Equidade nos Cuidados Especializados, destacou um dos desafios que considera particularmente importantes para o país: os elevados recursos financeiros alocados ao envio de doentes para tratamento no estrangeiro.
“O problema é este: gastamos milhões e milhões de dólares todos os anos para enviar os nossos doentes para o estrangeiro”, afirmou.
Para Xanana Gusmão, a continuação dos trabalhos da 79. ª Sessão do Comité Regional deverá permitir a Timor-Leste aprender com as experiências apresentadas pelos participantes e identificar o que o país precisa de fazer para melhorar o seu sector da saúde.
“Lamento não ter tido a oportunidade de vos ouvir, de aprender convosco o que precisamos de fazer no nosso país”, afirmou.
No final do seu discurso, Xanana Gusmão agradeceu novamente a presença dos participantes e deu-lhes as boas-vindas a Timor-Leste.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Xanana Gusmão: A Saúde e a Educação devem ser vistas como missões ao serviço do povo
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