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Vozinha, o guarda-redes criado pela avó que fez história no seu primeiro Mundial aos 40 anos – sem a mãe nas bancadas por problemas de visto

todayJunho 16, 2026 89

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Atlanta, 16 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O nome na camisola diz “Vozinha”. Não é o apelido, não é o primeiro nome – é uma alcunha nascida na ilha de São Vicente, Cabo Verde, que atravessou Angola, Portugal e chegou agora ao palco mais importante do futebol mundial.

O verdadeiro nome do guarda-redes é Josimar José Évora Dias, mas poucos o conhecem assim.

“A alcunha ficou por causa dos meus avós”, contou numa entrevista recente.

“Nunca vivi com os meus pais. Quando nasci, o meu pai estava no serviço militar e a minha mãe tinha de trabalhar muito, por isso cresci sempre com os meus avós.”

Foi nesse ambiente, na cidade de Mindelo, que o rapaz ganhou o nome pelo qual o mundo inteiro o conhece hoje.

Na segunda-feira, aos 40 anos, Vozinha tornou-se protagonista de um dos momentos mais surpreendentes do Campeonato do Mundo de 2026, ao suster o ataque de Espanha durante 90 minutos e garantir um empate sem golos na estreia histórica de Cabo Verde numa fase final do torneio, em Atlanta.

Realizou sete defesas no total, tornando-se o guarda-redes mais velho da história dos Mundiais a manter a baliza a zero na sua estreia na competição.

A Espanha, campeã europeia em título, produziu 27 remates ao longo dos 90 minutos, sem conseguir furar uma defesa de Cabo Verde disciplinada e determinada.

Mas a vitória histórica foi ensombrada por uma ausência dolorosa.

Vozinha revelou que a sua mãe não pôde estar presente nas bancadas por problemas com o visto de entrada nos Estados Unidos e pelos custos financeiros associados ao processo.

As lágrimas vieram ao rosto quando foi eleito melhor jogador da partida.

“Chorei porque cresci com os meus avós. Infelizmente eles já não estão cá. A minha mãe também não pôde estar aqui por causa de um problema com o visto e do dinheiro que tínhamos de pagar. Não conseguimos tratar disso a tempo”, disse.

Os problemas de vistos tornaram-se um tema recorrente neste Mundial.

O médio do Ghana Thomas Partey viu o seu visto recusado no Canadá, e o árbitro somali Omar Artan não pôde participar no torneio após problemas de entrada nos EUA.

Cabo Verde foi um dos países cujos adeptos foram afetados pela política de vistos norte-americana, que levantou barreiras significativas à presença de apoiantes de várias seleções africanas.

Apesar da dor, Vozinha deixou uma mensagem de gratidão ao seu país.

“Esta é uma mensagem de obrigado a toda a gente em Cabo Verde. Estamos muito felizes. Este grupo de jogadores trabalhou muito para viver este momento. É um dia para ser orgulhosos e satisfeitos.”

A prestação de Vozinha tornou-se viral nas redes sociais, com imagens e comentários em várias línguas a saudar o veterano cabo-verdiano.

Antes do apito inicial do árbitro, Vozinha tinha pouco mais de 20.000 seguidores na sua conta de Instagram.

Durante o próprio jogo, o número começou a disparar de forma vertiginosa: ao intervalo já ultrapassava os 350.000, impulsionado em parte pelo apelo do comentador brasileiro Casimiro Miguel aos seus espectadores para seguirem o guarda-redes cabo-verdiano.

Horas depois do apito final, a contagem já havia ultrapassado os quatro milhões de seguidores.

A explosão nas redes sociais é mais um exemplo do poder transformador de uma única atuação num Campeonato do Mundo: uma exibição memorável no maior palco do futebol pode mudar tudo numa questão de horas.

A carreira de Vozinha fora de Cabo Verde começou em Angola, onde jogou no Progresso.

Foi aí que a alcunha ganhou nova dimensão: havia outro guarda-redes chamado Josimar no clube e ele recusou-se a ser identificado como “Josimar II”.

“Se toda a gente em Cabo Verde me conhecia como Vozinha, era assim que ia ficar”, contou.

O guarda-redes joga atualmente no Chaves, no segundo escalão do futebol português, depois de uma carreira nómada com passagens pela Eslováquia, Angola, Moldávia e Chipre.

Estreou-se na seleção há 14 anos e soma mais de 80 internacionalizações pelos Tubarões Azuis. Participou em quatro edições da Taça das Nações Africanas, em 2013, 2015, 2021 e 2023.

Cabo Verde integra o Grupo H juntamente com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita.

A NTV/ETO Telco detém os direitos de transmissão do Mundial 2026 para Timor-Leste.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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