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Vaticano declara cisma e excomunga bispos e sacerdotes da Fraternidade São Pio X

todayJulho 2, 2026 26

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Cidade do Vaticano, 02 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Vaticano respondeu de forma contundente, esta quinta-feira, a um grupo tradicionalista que consagrou bispos sem o consentimento do Papa, declarando que a Fraternidade São Pio X (FSSPX) rompeu formalmente com a Igreja Católica.

Nesse sentido, a Santa Sé excomungou os seus bispos e sacerdotes, e advertiu os fiéis de que também eles enfrentam as sanções mais severas previstas pela Igreja.

Ao declarar um cisma e ao alargar as excomunhões a potencialmente milhares de católicos, o dicastério para a doutrina do Vaticano foi além das sanções mínimas previstas pelo direito canónico para responder às consagrações de quarta-feira de quatro novos bispos.

A fraternidade, conhecida pela sigla FSSPX, celebra a antiga missa em latim e opõe-se às reformas modernizadoras da Igreja Católica, que considera repletas de heresias e erros.

Sendo um movimento marginal na ala mais conservadora do catolicismo, a FSSPX tem sido, há cinco décadas, uma espinha atravessada na garganta do Vaticano, por reivindicar ser ainda mais católica do que a própria Santa Sé.

Durante uma missa ritual de cinco horas, celebrada na quarta-feira no seminário da fraternidade em Écône, na Suíça, a FSSPX consagrou quatro novos bispos em desafio direto ao Papa Leão XIV, que tinha pedido ao grupo que adiasse o ato em nome da unidade da Igreja.

Cerca de 15.500 pessoas, incluindo crianças, assistiram à cerimónia, um sinal de que a fraternidade continua a contar com numerosos apoiantes, vindos de várias partes do mundo, cientes de que desafiavam Roma.

Num decreto, o Vaticano excomungou os quatro novos bispos e os dois bispos da FSSPX já existentes que participaram na cerimónia.

Declarou as consagrações um “ato cismático” e considerou que a própria fraternidade criou um cisma, uma rutura intencional com a Igreja.

Os cerca de 750 sacerdotes da FSSPX foram declarados cismáticos e, por conseguinte, excomungados, tendo sido invalidados os sacramentos de confissão e casamento por eles administrados.

O Vaticano avisou os fiéis para deixarem de frequentar as missas da fraternidade, decretando que quem a ela adere formalmente é cismático e está excomungado.

Segundo o Vaticano, a sanção aplica-se aos membros do ramo laical da FSSPX e a quem frequenta regularmente as suas missas e partilha formalmente as suas posições doutrinárias.

As sanções não se aplicam aos católicos que frequentam missas da fraternidade apenas por razões litúrgicas ou espirituais, ou que, mesmo assistindo, aceitam a autoridade e o magistério do Papa.

A FSSPX não dispõe de uma contagem exata, mas estima que entre 400 mil e 600 mil pessoas assistam às suas missas, o que significa que o decreto de quinta-feira pode envolver a excomunhão de milhares de fiéis comuns.

As sanções, sobretudo as que visam os sacerdotes, os fiéis e os sacramentos que estes podem receber, foram particularmente severas, revertendo concessões que o Vaticano tinha concedido à fraternidade nos últimos anos, no âmbito de esforços para a reintegrar sob a autoridade de Roma.

Marc-André Mabillard, responsável de comunicação da fraternidade, manifestou choque com a severidade das sanções, considerando-as injustas.

Segundo disse à Associated Press, a excomunhão alargada aos fiéis é vista como brutal pela fraternidade, algo que não esperavam de um pai a quem se dirigem todos os dias, lamentando a falta de vontade de diálogo por parte da liderança da Igreja.

O prefeito do dicastério para a doutrina da fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, reuniu-se em fevereiro com o superior da FSSPX, padre Davide Pagliarani, propondo um diálogo. Pagliarani pediu, em vez disso, um encontro com o Papa Leão XIV, que recusou, mas escreveu uma carta na terça-feira a pedir à fraternidade que suspendesse as consagrações.

O arcebispo francês Marcel Lefebvre fundou a FSSPX em 1970, em oposição às reformas modernizadoras do Concílio Vaticano II.

Entre outras mudanças, os encontros da década de 1960 conhecidos como Vaticano II revolucionaram as relações da Igreja com outros cristãos, judeus e fiéis de outras religiões, além de terem permitido a celebração da missa em língua vernácula, em vez de latim.

Lefebvre consagrou quatro bispos sem consentimento papal em 1988, tendo o Vaticano excomungado de imediato o arcebispo e os quatro bispos, declarando as consagrações um ato cismático.

O Papa Bento XVI levantou as excomunhões em 2009, no âmbito de um esforço de vários anos para reaproximar o grupo da Igreja.

Contudo, a FSSPX não tem hoje qualquer estatuto legal na Igreja e, com o decreto de quinta-feira, é formalmente declarada em cisma.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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