Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Mónaco, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – A UEFA está a preparar uma queixa-crime contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, junto dos tribunais suíços, por eventual má gestão financeira relacionada com o plano falhado de venda de lucros futuros do Campeonato do Mundo a investidores privados.
O organismo que rege o futebol europeu anunciou a intenção em documentos apresentados esta quinta-feira num tribunal dos Estados Unidos, onde pede acesso a possíveis provas relacionadas com o plano de venda, retirado após forte contestação da UEFA e de outros dirigentes do futebol mundial.
A decisão aumenta a pressão sobre Infantino, que enfrenta a maior crise dos seus dez anos à frente da FIFA.
A UEFA apresentou documentos num tribunal de Manhattan a solicitar acesso a eventuais provas do fundo de investimento nova-iorquino Thrive Capital Management, fundado por Josh Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A UEFA apresentou ainda um pedido num tribunal do sul da Florida para autorização de acesso a provas “num processo estrangeiro” contra a própria FIFA, que tem escritórios em Coral Gables, nos arredores de Miami.
Segundo o plano revelado no final de julho, a Thrive e Kushner seriam os investidores âncora, com intenção de pagar à FIFA 4.200 milhões de dólares por uma participação de 20% numa subsidiária destinada a gerir os eventos comerciais do organismo, incluindo o Campeonato do Mundo.
“A UEFA e os seus advogados estão a ponderar um processo criminal na Suíça contra Infantino e possivelmente outros responsáveis da FIFA por má gestão criminosa, ao abrigo do artigo 158.º do Código Penal suíço”, afirmam os advogados da UEFA num documento de 56 páginas consultado pela Associated Press.
O documento sugere que o valor de 4.200 milhões de dólares pode corresponder a “um preço fraudulentamente abaixo do mercado, promovido por Infantino para benefício próprio”.
A FIFA deverá contar com cerca de 5.000 milhões de dólares em reservas de caixa depois de o Mundial na América do Norte ter elevado a receita do organismo para um recorde de 15.000 milhões de dólares no ciclo comercial de 2023-26.
“A questão é, por isso, saber por que motivo o presidente da FIFA considerou necessário recorrer a investidores externos para expandir o financiamento ao desenvolvimento”, afirmou a UEFA em comunicado.
Infantino abandonou o plano de venda a 1 de agosto, após fortes críticas lideradas por dirigentes europeus do futebol.
A UEFA já tinha ameaçado avançar com uma ação legal a 3 de agosto, quando alertou a FIFA para não destruir ou ocultar “materiais relevantes” relacionados com o plano.
A decisão de avançar com o processo foi revelada às federações-membro em Mónaco, apenas duas horas antes do início do sorteio da Liga dos Campeões.
Segundo os advogados da UEFA, citados nos documentos, “Infantino afirmou que o plano iria ‘libertar o potencial e as oportunidades comerciais que a FIFA tem’.
Na realidade, era um veículo para Infantino e esse pequeno círculo adquirirem uma participação permanente e lucrarem com os ativos mais valiosos da FIFA, em prejuízo da FIFA, dos seus membros e de outras partes da família do futebol”.
Acrescentam que, “nos termos anunciados por Infantino, esses investidores ficariam com um interesse financeiro permanente no braço comercial da FIFA por 4.200 milhões de dólares, implicando um valor empresarial absurdamente baixo de apenas cerca de 20.000 milhões de dólares, uma cifra que não resultou de um leilão aberto e competitivo, nem foi testada por qualquer avaliador independente”.
A Thrive recusou comentar. A FIFA foi contactada para reagir.
Não é claro se a UEFA enviará uma eventual queixa-crime ao Ministério Público Federal suíço, em Berna, ou ao Ministério Público de Zurique, cidade-sede da FIFA.
O Ministério Público suíço tem tido um histórico fraco na condenação de casos de alegada corrupção ligados à FIFA e a dirigentes do futebol – o antigo presidente da FIFA Sepp Blatter, o antigo presidente da UEFA Michel Platini e o influente presidente catari do campeão da Liga dos Campeões, Paris Saint-Germain, Nasser al-Khelaïfi, foram todos absolvidos por duas vezes em julgamentos na Suíça.
A crise tem levantado dúvidas sobre o futuro de Infantino. Há poucos meses, era amplamente favorito para obter um novo mandato de quatro anos nas eleições da FIFA marcadas para março de 2027, mas um número crescente de federações de futebol em todo o mundo, sobretudo na Europa, retirou o apoio, juntando-se à UEFA no apelo à sua saída, idealmente antes do prazo de 18 de novembro para a apresentação de candidaturas.
“Caso o atual presidente da FIFA procure, ainda assim, um novo mandato, a UEFA vai unir forças com as suas confederações parceiras para garantir que as associações-membro têm uma alternativa credível, comprometida com a integridade, a responsabilização, o desenvolvimento e uma verdadeira mudança institucional”, afirmou o organismo europeu.
FIM
Escrito por RafaFM
UEFA prepara queixa-crime na Suíça contra Infantino por venda falhada de direitos do Mundial
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt