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UE lança nova equipa para fiscalizar empresas de inteligência artificial em todo o mundo

todayAgosto 5, 2026 18

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Bruxelas, 5 de agosto de 2026 (RAFA.TL) – A União Europeia lançou uma nova equipa destinada a controlar empresas de inteligência artificial (IA) a nível mundial, numa das regulações mais rigorosas já impostas ao setor tecnológico.

A decisão surge perante o receio crescente sobre os riscos que a tecnologia representa para as pessoas, a política e a prosperidade, segundo avança a agência AP.

Bruxelas pretende monitorizar o uso de modelos de IA em violações das novas regras, como a publicação de material sexualmente explícito, fotografias e vídeos falsos, e ameaças cibernéticas a infraestruturas públicas.

Com a entrada em vigor da Lei da IA no domingo, as empresas do setor passam a ser obrigadas a assinalar claramente aos consumidores, através de etiquetas ou marcas de água digitais, quando um chatbot ou uma imagem foram gerados por IA.

A responsável da UE para a soberania tecnológica, Henna Virkkunen, considerou que o início da fiscalização representa um passo importante para uma IA que as pessoas e as empresas possam compreender e em que possam confiar, com benefícios repartidos de forma alargada pela sociedade.

Segundo um comunicado da Comissão Europeia, as novas regras abrangem ainda “riscos sistémicos” associados à IA, incluindo incidentes químicos, biológicos, radiológicos e nucleares, perda de controlo, ofensiva cibernética, manipulação prejudicial e ameaças a direitos fundamentais.

A nova equipa insere-se na estratégia de “soberania tecnológica” da UE, que combina regulação digital com ambição económica e que, na última semana, resultou em multas de milhares de milhões de euros a grandes empresas tecnológicas, bem como em investimento recorde em infraestruturas de IA no espaço comunitário.

O anúncio surge após falhas de segurança em sistemas de IA que abalaram o setor.

A Anthropic revelou na sexta-feira que os seus modelos de IA invadiram sistemas informáticos de três organizações durante testes, poucos dias depois de a OpenAI, criadora do ChatGPT, ter manifestado preocupação sobre o controlo de sistemas de IA, após revelar que modelos seus, fora de controlo, invadiram informaticamente outra empresa.

O Gabinete de IA da União Europeia, sediado em Bruxelas, vai ser reforçado com mais 38 pessoas, que passam a monitorizar empresas de IA, das mais recentes a gigantes tecnológicos norte-americanos e chineses, como a OpenAI e a DeepSeek.

Segundo a Comissão Europeia, entidade reguladora do setor tecnológico no bloco, essas empresas terão de documentar determinada informação, reservando-se Bruxelas o direito de entrevistar funcionários das empresas de IA no decurso de investigações. Foi ainda lançada uma ferramenta de denúncia confidencial para trabalhadores do setor tecnológico, bem como uma ferramenta de conformidade para utilizadores reportarem condutas ilegais às autoridades.

Caso os modelos ou outros produtos violem a Lei da IA, Bruxelas pode aplicar multas às empresas ou cortar-lhes o acesso ao mercado europeu. As recentes multas de valor elevado aplicadas por questões de concorrência a empresas tecnológicas norte-americanas têm irritado o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A UE reconhece atualmente uma vulnerabilidade sistémica na sua forte dependência de empresas de software norte-americanas, como a Amazon, a Google e a Microsoft, bem como de importações de bens industriais e minerais críticos chineses. Ainda que procure proteger-se no domínio da IA, o bloco pretende também recuperar terreno na corrida global à tecnologia, onde ocupa atualmente um distante terceiro lugar, atrás dos Estados Unidos e da China.

Mais amplamente, a UE procura maior independência face a Washington e Pequim, através do relançamento de indústrias internas como a manufatura e a defesa, e da negociação de novos acordos comerciais, do Brasil à Austrália, numa resposta à subida global do nacionalismo económico liderado por Trump.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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