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UE anuncia investimento de 11,4 MMUSD para construir sete “gigafábricas” de inteligência artificial

todayAgosto 5, 2026 30

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Bruxelas, 05 agosto 2026 (RAFA.TL) – A União Europeia vai disponibilizar dez mil milhões de euros (11,4 mil milhões de dólares) em financiamento para empresas construírem sete “gigafábricas” de inteligência artificial (IA), numa tentativa de reduzir o fosso tecnológico face aos Estados Unidos e à China.

A Comissão Europeia pretende que o financiamento público atraia um investimento privado adicional de 20 mil milhões de euros (22,8 mil milhões de dólares), segundo anunciou a UE.

“O acesso a capacidade de computação em larga escala através das gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa, à medida que o desenvolvimento da IA acelera”, afirmou Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão responsável pela soberania tecnológica.

O esforço de Bruxelas para estabelecer “soberania tecnológica” ganhou urgência face à preocupação de líderes europeus com a dependência de tecnologias de fornecedores estrangeiros, que consideram poderem ser “usadas como arma” contra os europeus.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem criticado duramente a UE devido à sua regulação tecnológica, enquanto a China tem limitado o fornecimento de minerais essenciais para o setor.

As empresas já podem candidatar-se a contratos para construir as gigafábricas, que deverão ter, no mínimo, 100 mil chips de IA de última geração cada, tornando-as cerca de quatro vezes mais potentes do que os centros de dados atualmente em funcionamento na UE.

A capacidade de computação do bloco – atualmente assegurada por uma rede de 19 centros de dados de IA, da Finlândia à Espanha – mais do que duplicará quando as sete gigafábricas entrarem em funcionamento.

Segundo uma avaliação da Reserva Federal dos Estados Unidos de 2025, a Europa está muito atrás dos Estados Unidos e da China em setores cruciais para o desenvolvimento da IA.

A China tem uma enorme capacidade de energia elétrica para centros de dados, enquanto os Estados Unidos captam a maior fatia do investimento privado em IA. A Europa não fabrica grande parte dos milhões de componentes necessários para centros de dados, e a eletricidade na UE pode custar o dobro ou o triplo do preço praticado nos Estados Unidos e na China, segundo um relatório da Comissão apresentado ao Parlamento Europeu em junho.

Esse relatório, que identificou os cinco maiores fornecedores de serviços de computação em nuvem do bloco como sendo todos norte-americanos, alertou que “as empresas e autoridades públicas europeias vão continuar a depender de fornecedores de IA dos EUA, em detrimento dos fornecedores de serviços europeus, que lutam para trabalhar na fronteira tecnológica”.

O documento acrescentou que a dependência de fornecedores de serviços de computação em nuvem e de IA em larga escala, sobretudo em usos altamente críticos, continuará a expor dados ao acesso de países terceiros e a representar riscos para a continuidade dos serviços, colocando em causa a autonomia operacional.

A empresa francesa Mistral gere atualmente um dos maiores centros de dados de IA da UE, no seu campus em Paris.

A Mistral é responsável pelo chatbot Le Chat, mas não tem conseguido acompanhar o ritmo de empresas norte-americanas como a OpenAI, criadora do ChatGPT, ou de rivais chinesas como a DeepSeek.

Enquanto líderes políticos como o Presidente francês, Emmanuel Macron, têm alertado para a falta de empresas europeias de IA de referência, persistem no continente receios profundos sobre a disrupção económica e as implicações para a privacidade associadas a esta tecnologia emergente.

A Comissão Europeia afirmou que os produtos de IA desenvolvidos com a rede crescente de centros de dados vão “seguir as normas da UE em matéria de proteção de dados, segurança e ética”, numa referência que poderá remeter para a Lei dos Serviços Digitais e a Lei dos Mercados Digitais do bloco.

Em junho, 40 autarcas de todo o mundo assinaram um pacto para limitar o impacto negativo da construção de centros de dados de IA nos recursos naturais, nos preços da energia e nas metas climáticas de cidades, de Phoenix a Melbourne.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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