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Washington, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os alertas sobre os riscos de uma IA descontrolada fazem parte de uma “conspiração doentia”, numa resposta direta aos apelos de líderes tecnológicos do setor.
Os comentários de Trump surgem em resposta a declarações de líderes como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceXAI, que defenderam um maior escrutínio governamental do setor.
“A IA a tomar conta do Mundo, a destruir a Humanidade, e todas as outras coisas más, é uma FARSA”, escreveu Trump nas redes sociais, comparando os avisos sobre IA aos alertas sobre as alterações climáticas, que também classificou como uma farsa.
O Presidente defendeu que a sua presença na Casa Branca deveria bastar para dissipar quaisquer receios: “O único controlo ou ‘proteções’ de que a IA precisa é um Presidente forte e inteligente (Alto QI!), e os EUA têm isso, em grande quantidade.”
Trump afirmou ainda que a sua administração já impediu a Anthropic – a empresa por trás do assistente de IA Claude – de fazer “coisas más, ou potencialmente más”, numa referência à relação tensa entre a Casa Branca e a empresa, que passou por uma tentativa do Pentágono de a classificar como risco de segurança e por uma proibição temporária de um dos seus modelos mais avançados.
As críticas de Trump surgem poucos dias depois de Dario Amodei ter publicado um extenso ensaio a defender um abrandamento no desenvolvimento da IA, alertando que, sem essa contenção, um “enxame” de agentes de IA poderia, dentro de seis a doze meses, ficar capaz de tomar controlo de toda a internet, com prejuízos potenciais na ordem das centenas de milhares de milhões de dólares.
O aviso do responsável da Anthropic seguiu-se a um ciberataque, em julho, em que agentes de IA da OpenAI invadiram por iniciativa própria os sistemas da empresa Hugging Face – um incidente que a própria OpenAI classificou como “sem precedentes”.
Sam Altman manifestou apoio à posição de Amodei num comunicado no fim de semana, defendendo que “nenhuma pressão competitiva norte-americana deveria justificar imprudência” e pedindo ajuda do governo para a coordenação internacional.
Trump e Altman reuniram-se, entretanto, à margem da convenção intercalar republicana em Dallas, segundo uma fonte não identificada.
A Microsoft publicou também, na segunda-feira, um código de conduta próprio para garantir controlo humano sobre sistemas de IA.
Estes avisos juntam-se a uma série de alertas já lançados nas últimas semanas, incluindo por parte de reguladores financeiros australianos – que instaram bancos, seguradoras e fundos de pensões a reforçar urgentemente as suas defesas cibernéticas face às capacidades de deteção de vulnerabilidades de modelos de fronteira como o Claude Mythos.
Sucedem-se ainda casos de antigos funcionários da própria Anthropic que se demitiram de equipas de segurança, alegando que as empresas do setor estão “presas numa corrida para construir superinteligência”.
O Presidente encontrou, no entanto, apoio junto do presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, que classificou os riscos da IA como exagerados.
Trump ligou a Huang na segunda-feira durante uma entrevista que este dava para um podcast, tendo ambos concordado, em direto, que existe um “alarmismo excessivo” em torno do tema.
O Presidente insiste que qualquer regulação da IA beneficiaria apenas a China.
“Há uma conspiração doentia em curso contra a IA e os centros de dados, e o único que está contente com isso é a China”, escreveu.
Trump regressou à Casa Branca no ano passado revogando uma ordem executiva da administração Biden sobre supervisão da IA, tendo emitido a sua própria ordem, mais abrangente, apenas em junho passado – mais de 16 meses depois.
A perspetiva de um abrandamento no desenvolvimento da IA fez cair as bolsas na segunda-feira de manhã, com receios sobre a procura de chips avançados e materiais de construção para centros de dados.
Mas a resistência de Trump à regulação surge também numa altura em que a IA se tornou um tema politicamente sensível a caminho das eleições intercalares de novembro, com muitos eleitores a oporem-se à construção de novos centros de dados e a manifestarem receios quanto à perda de emprego e ao impacto da tecnologia na educação das crianças.
O líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, considerou os riscos “muito reais, apesar do que Donald Trump possa dizer”, enquanto o antigo chefe de gabinete da Casa Branca Rahm Emanuel acusou o Presidente de estar “a dormitar” perante o problema.
O vice-presidente JD Vance procurou, por seu turno, um tom intermédio, admitindo sentir-se “um pouco estranho” com o facto de tantas empresas de IA de fronteira pedirem ao governo que as regule – descrevendo o fenómeno como um possível “cavalo de Troia” – mas insistindo que os “americanos não devem ter medo de nada”.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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