Justiça e Crime

Tribunal decreta prisão preventiva para arguidos em caso de dinheiro falso

todayAbril 18, 2026 133

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Díli, 18 abril 2026 (RAFA.tl) – O Tribunal Judicial de Primeira Instância de Díli (TJPID) decretou a hoje a prisão preventiva a três arguidos suspeitos de estarem envolvidos no caso do dinheiro falso detetado num armazém de Díli.

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A medida de coação foi aplicada aos três cidadãos estrangeiros, todos de nacionalidade chinesa, pela juíza Ana Paula Fonseca no primeiro interrogatório realizado hoje durante o qual o Ministério Público apresentou as provas relativas ao caso.

Os três suspeitos foram detidos no dia 15 de Abril pela Direção do Serviço de Investigação Criminal (DSIC) da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), no âmbito de uma operação de busca e apreensão ao armazém Y&W, na área de Bidau, em Díli.

Os arguidos exerciam funções na empresa Y&W, respetiva como diretora executiva, gestor e chefe de armazém.

Na audiência, o Ministério Público, representado pelo procurador Domingos Goveia Leite, imputou aos arguidos dois crimes: falsificação de documentos ou anotações técnicas, previsto no artigo 303.º do Código Penal timorense, e contrafação de moeda, previsto no artigo 307.º.

A defesa, assegurada pelo advogado privado Pedro Camões, opôs-se à prisão preventiva e solicitou a aplicação de medida de coação patrimonial.

Após a decisão do tribunal, o advogado anunciou que a defesa apresentará recurso no prazo de 30 dias, considerando a decisão inadequada face às circunstâncias do caso.

Camões argumentou que as notas falsas não chegaram a circular no mercado, tendo a polícia agido de forma preventiva, e que o dinheiro se destinava a fins de animação, nomeadamente cerimónias culturais, e não a transações comerciais.

Na sexta-feira o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, defendeu a atuação da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) neste caso, , considerando que a operação era necessária para proteger a população e evitar prejuízos no comércio.

“Temos de proteger a população deste crime”, afirmou, felicitando os serviços de investigação criminal pela apreensão do dinheiro contrafeito, que, segundo disse, poderia circular no mercado e causar perdas significativas a quem o aceitasse como verdadeiro.

Em declarações aos jornalistas no quartel-geral da PNTL- onde foi informado sobre a investigação -, o primeiro-ministro rejeitou a justificação de que as notas se destinavam apenas a práticas culturais.

“Isto não é cultura, é dinheiro para circular”, declarou, sustentando que a dimensão da apreensão – “quatro milhões” – e a forma como o material foi movimentado mostram que não se tratava de um uso meramente simbólico ou ritual.

“Quatro milhões para cultura?” questionou, num tom de manifesta incredulidade.

O chefe do Governo argumentou que a própria investigação aponta para tentativas de introdução das notas no circuito económico, referindo que houve tentativas de usar o dinheiro em lojas, acabando a verificação por confirmar que era falso.

Na mesma ocasião, o chefe do Governo deixou ainda críticas aos serviços de alfândega, que acusou de não ter exercido o controlo necessário à entrada da mercadoria.

Segundo relatou, os artigos foram apresentados sob designações como “bonecos”, “roupa”, “meias” e outros bens correntes, passando assim pelos controlos mediante pagamento de taxas. “A alfândega não pode confiar apenas no que lhe dizem”, afirmou. “Temos de reforçar a alfândega”, acrescentou, defendendo uma revisão dos procedimentos de verificação no porto de Tibar e noutros pontos de entrada.

Na origem da investigação estará uma denúncia de uma tentativa de uso de uma nota falsa de 100 dólares num supermercado em Díli, com a investigação a levar à apreensão de caixas e malas com as notas num armazém na quarta-feira.

A PNTL considera que este caso pode estar relacionado com outros recentes em Timor-Leste em que foram detetadas tanto notas como moedas falsas.

Fotografias divulgadas pela própria PNTL mostram que, neste caso, as notas têm escrito claramente no rosto que são “movie prop use only, not legal tender”, referindo noutro extremo a palavra “cópia”.

Apesar disso, fontes policiais admitem que as notas poderiam estar a tentar ser passadas como verdadeiras, o que representa um risco elevado para a comunidade.

FIM

Escrito por RafaFM

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