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Três dias entre livros e leitores: Festival Literário 2026 lança um processo para além do evento

todaySetembro 16, 2026 37

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Díli, 16 de setembro de 2026 (RAFA)— O Festival Literário 2026 encerrou hoje, dia 16, depois de três dias a reunir crianças em idade pré-escolar, estudantes, jovens, universitários e adultos em torno dos livros, da leitura e da troca de ideias.

Para além da feira do livro e das atividades desenvolvidas durante o evento, o festival deixou também uma proposta mais vasta: transformar o contacto com a leitura num processo que se estende para além dos três dias.

Entre livros de diferentes áreas e recomendações deixadas pelos próprios participantes, o festival procurou aproximar leitores de diferentes idades e interesses.

Nos cartões espalhados pelo espaço, títulos como “Hello”, de Tere Lyie, “The Wealth of Nations”, “Feminisme dan Sosialisme”, “The Alpha Girls Guide” e “Atomic Habits” mostram a diversidade das escolhas feitas por quem passou pelo evento.

Mais do que uma simples exposição de livros, os cartões revelam as escolhas de leitura dos participantes, os temas que lhes despertam interesse e as obras que consideram importantes recomendar a outros.

Num dos espaços do festival, uma pergunta simples convidava os visitantes a participar: “Qual é o teu livro preferido?”

A resposta podia ser escrita à mão num pequeno cartão e colocada ao lado de outras recomendações. Ao longo dos três dias, os cartões foram-se acumulando, formando uma espécie de biblioteca construída a partir das preferências dos leitores.

Entre os títulos escritos pelos participantes encontram-se “Hello”, de Tere Lyie, “Feminisme dan Sosialisme”, “The Alpha Girls Guide”, “Atomic Habits” e “The Wealth of Nations”, entre outros.

As escolhas abrangem diferentes áreas, incluindo filosofia, feminismo, economia, ciência, literatura, religião e desenvolvimento pessoal.

Alguns participantes deixaram também frases curtas, reflexões e mensagens relacionadas com o que aprenderam ou com questões que consideram importantes.

O resultado é mais do que apenas uma lista de livros. É uma coleção de escolhas individuais que mostra o que os diferentes leitores procuram nos livros e o que querem partilhar com os outros.

Os livros marcaram também presença na Feira do Livro, que juntou várias organizações, bibliotecas, editoras e instituições.

Entre os participantes encontravam-se Movimentos Letras, Sala de Leitura Xanana Gusmão, Associação HAKTUIR AKNANOIK, Biblioteca ABUT, Biblioteca CHEGA, Editora Tio, Comissão Orientadora 25, CODIVA, Instituto Nacional de Linguística e Instituto de São João de Brito, entre outros.

A presença destes diferentes espaços permitiu aos participantes contactar com livros e materiais de diferentes áreas, para além de proporcionar a oportunidade de conhecer organizações ligadas à literatura, ao saber, à memória, à linguagem, aos direitos e à educação.

Para as crianças e jovens estudantes, o contacto com os livros aconteceu num ambiente diferente do escolar. Para estudantes universitários e adultos, a feira representou mais uma oportunidade para descobrir diferentes obras, autores e temas.

A diversidade do público foi uma das características marcantes do Festival Literário de 2026.

Crianças da educação pré-escolar, estudantes, jovens, universitários e adultos participaram nas diversas atividades, garantindo que a literatura estava presente num espaço que transcendia o contexto exclusivamente académico.

Esta diversidade refletiu-se também nos livros escolhidos pelos participantes. As recomendações não se centraram numa única área, mas incluíram temas tão diversos como o feminismo, a economia, a filosofia, a ciência, a literatura e o desenvolvimento pessoal.

A pequena seleção de recomendações tornou-se, assim, um retrato informal dos interesses daqueles que participaram no festival.

Para o coordenador do Movimento LETRAS, Benito Sanches Savio, o Festival Literário não deve ser entendido apenas como um evento de três dias.

Desde a sua abertura, a organização tem apresentado uma visão mais abrangente da importância da iniciativa e da sua relação com a literacia em Timor-Leste.

“O Festival Literário é um programa estratégico do Movimento LETRAS. Unirmo-nos em apoio de uma campanha de literacia em Timor-Leste não é o fim do que queremos, mas o início de um processo.”

Esta declaração coloca a continuidade no centro da iniciativa. Os três dias do festival terminam, mas, para o Movimento LETRAS, o trabalho em torno da leitura e da literacia deve continuar.

A proposta apresentada pela organização é, por isso, mais abrangente do que a realização de uma feira ou de atividades literárias durante alguns dias.

O festival surge no âmbito de um processo que visa contribuir para uma campanha de alfabetização em Timor-Leste.

Neste sentido, os livros apresentados, as recomendações deixadas pelos participantes e o contacto entre leitores de diferentes gerações tornam-se formas de aproximar as pessoas da leitura.

Entre os participantes estava António Fonseca, estudante universitário, que considera importante a realização de iniciativas deste tipo.

Fonseca defende que deveria haver mais programas relacionados com a leitura, criando mais oportunidades para que as pessoas contactem com os livros e desenvolvam o hábito de ler.

Embora acredite que o número de visitantes poderia ainda ser maior, defende a continuidade de programas semelhantes como forma de atrair mais pessoas para a leitura e cultivar este hábito.

Esta observação levanta uma questão que vai para além dos três dias do festival: como garantir que o interesse despertado durante o evento se mantém após o seu término?

Realizar um festival pode aproximar as pessoas dos livros. Mas, para que este contacto se torne um hábito, são necessárias oportunidades para continuar a ler, descobrir novas obras e partilhar conhecimento.

Ao longo dos três dias, os pequenos cartões foram ganhando novas recomendações.

“Hello”, “The Wealth of Nations”, “Feminisme dan Sosialisme”, “The Alpha Girls Guide” e “Atomic Habits” são alguns dos títulos que ficaram registados pelos participantes.

Esta não é uma lista oficial dos melhores livros. São escolhas individuais de leitores de diferentes idades, interesses e origens.

É precisamente esta diversidade que dá sentido à iniciativa. Um leitor não precisa de ser professor, escritor ou académico para recomendar um livro. Basta que tenha encontrado algo importante numa obra e queira partilhá-lo com alguém.

No final do Festival Literário de 2026, mantêm-se os livros apresentados, as atividades realizadas, a feira e as recomendações deixadas pelos próprios participantes.

Mas uma ideia que transcende os três dias do evento também se mantém.

Para o Movimento LETRAS, como afirmou Benito Sanches Savio, o Festival Literário é o início de um processo de alfabetização em Timor-Leste, e não o seu fim.

Assim, quando os livros deixam as bancas e os participantes regressam às suas rotinas, permanece uma questão maior: como fazer com que mais pessoas continuem a ler, a descobrir livros e a partilhar aquilo que aprendem?

Depois de três dias entre livros e leitores, essa pode ser a próxima página a escrever.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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