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Timor-Leste tem “muito foco” na política e devia focar-se mais na economia – Nobel da Economia James Robinson

todayAgosto 24, 2026 515

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Díli, 24 de agosto de 2026 (RAFA) – O economista James Robinson, coautor do best-seller “Why Nations Fail” e Prémio Nobel da Economia 2024, defendeu em entrevista à RAFA que Timor-Leste precisa de dar mais atenção às políticas económicas e menos às questões políticas, para garantir um crescimento económico rápido e sustentado.

Questionado sobre os conselhos que o seu livro pode oferecer a Timor-Leste – frequentemente citado nas redes sociais timorenses como leitura recomendada para políticos -, Robinson começou por sublinhar que a obra não tem “conselhos específicos”.

“O livro tem uma espécie de enquadramento geral para pensar a prosperidade, que sugere que Timor tem de construir instituições inclusivas, que criem padrões alargados de incentivos e oportunidades, tanto na esfera política como na económica”, afirmou, em entrevista à margem da Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026, onde hoje intervém, Robinson

Este é um caminho, disse, que o país “tem vindo a seguir nos últimos 20 anos”.

O economista evitou, no entanto, apontar instituições concretas a construir.

“Há muitos detalhes específicos sobre que instituições precisam de ser construídas que o livro não explica, porque é um enquadramento geral”, disse.

Por isso, afirmou, aplicar as ideias do livro a Timor-Leste exige “uma discussão muito mais detalhada” sobre as possibilidades, condicionalismos e oportunidades económicas do país – uma conversa que, sublinhou, é necessária sempre que se quer aplicar as ideias do livro a um caso concreto.

Sobre o petróleo e o gás timorenses, Robinson rejeitou a ideia de uma “maldição dos recursos” naturais.

“Não creio que a investigação académica mostre que existe algo como uma maldição dos recursos. Tudo depende do que se faz com os recursos, e isso depende das instituições”, afirmou. “Se tiver instituições fortes, pode usar a riqueza dos recursos para investir na sociedade, na educação, nas infraestruturas. Se tiver instituições fracas, os recursos podem ser uma maldição”, disse.

Questionado sobre os três principais conselhos económicos que daria a Timor-Leste – um país jovem, com uma população maioritariamente jovem e vários desafios pela frente, elencados horas antes pelo Primeiro-Ministro Xanana Gusmão na abertura da cimeira -, Robinson admitiu não ter uma lista fechada, centrando a resposta na necessidade de priorizar a economia.

“O que vejo aqui é um foco muito grande em questões políticas – águas territoriais, reconciliação com a Indonésia, adesões a organizações internacionais. Isso é importante, mas o que se vê em todas as experiências bem-sucedidas de crescimento económico rápido é um enorme foco na economia, no que é preciso para a pôr a funcionar, no que se pode aprender com outros casos e em como priorizar e organizar isso”, afirmou.

“Aqui, a minha impressão é que há muito foco na política e, na verdade, não tanto foco na economia.”

Sobre a tradução do livro para tétum, que vai ser lançada esta terça-feira em Díli, Robinson manifestou entusiasmo.

“É muito excitante, extremamente excitante. É a 51.ª tradução, mas parece particularmente invulgar ter um livro em tétum. Estou realmente orgulhoso e feliz”, disse, no final da entrevista.

“Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty” foi publicado originalmente em 2012 por Robinson e Daron Acemoglu, com base em quinze anos de investigação sobre as razões que levam algumas nações a prosperar e outras a falhar.

A obra tornou-se best-seller do New York Times e do Wall Street Journal e está traduzida em mais de trinta línguas, à qual se junta agora o tétum, sob o título “Tanbasá Nasaun Sira Falla”.

Em 2024, Acemoglu, Robinson e Simon Johnson receberam o Prémio Nobel da Economia pelos estudos sobre a forma como as instituições se formam e influenciam a prosperidade dos países.

James Robinson está em Díli para participar na Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026, onde integra o painel “Science and Economic Transformation”.

Na terça-feira, assiste ao lançamento oficial da tradução em tétum de “Why Nations Fail”, na Galeria Memória Viva, no Farol.

A RAFA é parceira de media da cimeira e vai transmitir em direto, com tradução em tétum, todas as sessões do evento, além de garantir um acompanhamento noticioso detalhado.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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