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Díli, 01 de Setembro de 2026 (RAFA) – Timor-Leste acolhe entre hoje e sexta-feira uma reunião do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (PMD), em que 80 representantes de 44 Estados-membros vão preparar uma posição comum a levar às negociações climáticas da COP31, marcada para novembro em Antália, na Turquia.
O encontro foi anunciado pelo enviado especial para os Assuntos Climáticos, embaixador Adão Barbosa, que preside também ao Grupo dos PMD, acompanhado pelo diretor-geral do Ambiente, Domingos Mesquita, e pelo diretor nacional da Alteração Climática, Carlos da Conceição.
A reunião é organizada pelo Ministério do Turismo e Ambiente, em parceria com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.
“O nosso papel é participar nas negociações climáticas em nome destes países no processo das Nações Unidas. Por isso, para falar em nome dos países membros, convidámos representantes dos PMD a reunirem-se em Díli durante três dias, para tentar alcançar uma posição comum entre todos os membros”, afirmou Barbosa.
Segundo o embaixador, as discussões vão centrar-se no reforço do financiamento climático por parte dos países desenvolvidos e na adaptação às alterações climáticas.
“Vamos abordar algumas áreas críticas relacionadas com perdas e danos causados pelas alterações climáticas”, adiantou, referindo ainda que será discutida a mitigação das emissões de gases com efeito de estufa, área em que, segundo Barbosa, ainda não foram tomadas “decisões claras” nos últimos anos.
Entre as prioridades destacadas pelo enviado especial contam-se: limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C; reforçar o acesso dos PMD ao financiamento climático, à capacitação e às tecnologias de adaptação; avançar na definição da meta global de adaptação; e consolidar posições sobre perdas e danos.
“Uma das prioridades é garantir que os países do Grupo dos PMD tenham acesso aos fundos climáticos, para poderem responder às necessidades de adaptação, capacitação e acesso à tecnologia”, sublinhou Barbosa.
Um dos pontos altos da reunião é um encontro ministerial na quinta-feira, dia 3 de setembro, para os ministros aprovarem os resultados técnicos das discussões e adotarem uma declaração ministerial com as mensagens-chave e áreas prioritárias dos PMD a levar para o processo negocial na Turquia.
Os resultados do encontro de Díli serão depois apresentados formalmente na COP31.
As reuniões são dirigidas pelo vice-primeiro-ministro e ministro do Turismo e Ambiente, Francisco Kalbuadi Lay, e coordenadas em conjunto pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito dos Santos Freitas, segundo comunicado oficial divulgado hoje.
O programa está dividido em duas fases: uma reunião estratégica de dois dias, hoje e amanhã, seguida da reunião ministerial, a 3 de setembro.
Nas sessões estratégicas, negociadores e peritos técnicos dos PMD vão reunir-se para debates aprofundados e sessões de trabalho conjuntas destinadas a moldar as posições e prioridades do grupo antes da COP31.
Está prevista uma sessão dedicada à ciência climática e ao Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), com particular atenção ao alinhamento entre o ciclo do Sétimo Relatório de Avaliação do IPCC e o segundo balanço global (Global Stocktake), de forma a garantir que as circunstâncias específicas dos PMD são devidamente refletidas.
Os participantes vão ainda examinar temas emergentes como comércio, saúde, montanhas, oceanos e migrações, a par da Agenda de Ação da COP31 e de iniciativas relacionadas.
Esta não é a primeira vez este ano que Timor-Leste recebe um encontro do género: entre 28 e 30 de abril, o país já tinha acolhido uma reunião do Grupo dos PMD dedicada a rever os resultados da COP30, realizada em 2025 em Belém, no Brasil.
Timor-Leste assumiu a presidência do Grupo dos PMD em 2025, com o apoio unânime dos então 46 países-membros do grupo, depois de o embaixador Adão Barbosa ter destacado o papel do país na formação de outros PMD para a elaboração dos seus planos nacionais de adaptação climática.
O país integra também a categoria de Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, enfrentando riscos climáticos crescentes como secas prolongadas, inundações, aumento das temperaturas e erosão costeira – fatores que, segundo Barbosa, ameaçam a segurança alimentar, os meios de subsistência e as infraestruturas do país.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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