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BANGUECOQUE, 23 de abril de 2026 (RAFA.TL) – O ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, reafirmou esta semana em Banguecoque o compromisso timorense com a solidariedade multilateral e a justiça climática.
O compromisso foi deixado numa intervenção na 82.ª Sessão da Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (ESCAP), que decorreu na capital tailandesa, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC).
Na intervenção – numa agenda dedicado aos Países Menos Desenvolvidos (PMD), aos Países em Desenvolvimento Sem Litoral e aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento -, o ministro sublinhou que o mundo atravessa um momento de sobreposição de crises globais.
Conflito, volatilidade económica, insegurança alimentar, pressão da dívida, catástrofes climáticas e incerteza geopolítica crescente continuam a afetar de forma desproporcionada os países mais vulneráveis, alertou, defendendo que o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) deve assentar na solidariedade, na equidade e numa cooperação multilateral efetiva.
O ministro destacou o novo papel de Timor-Leste como Presidente do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos sobre Alterações Climáticas para 2026-2027, sublinhando que a acção climática é um imperativo de desenvolvimento imediato.
Nesse quadro, apelou a uma advocacia coletiva mais forte pela justiça climática, ao aumento do financiamento para adaptação, à operacionalização de mecanismos de perdas e danos eficazes, e a uma maior solidariedade internacional para com as nações mais vulneráveis ao clima.
E reafirmou que a diplomacia climática é um dos pilares centrais da política externa timorense e um elemento essencial da implementação do Programa de Acção de Doha.
Refletindo sobre a Revisão Intercalar Ásia-Pacífico, realizada recentemente em Phnom Penh, o ministro identificou três prioridades estratégicas para os PMD incluindo a aceleração da transformação económica estrutural, passando de um modelo assente no consumo para um modelo orientado para a produção.
Defendeu ainda o reforço da capacidade institucional doméstica para a resiliência de longo prazo e a garantia de parcerias de desenvolvimento previsíveis, coerentes e de titularidade nacional.
Bendito Freitas defendeu ainda uma visão mais ambiciosa do processo de graduação dos PMD, recusando que este seja encarado apenas como uma transição técnica entre categorias. “A graduação deve ser vista como uma via estratégica para a resiliência, a dignidade e a prosperidade sustentável”, afirmou, apelando ao reforço da cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular para que nenhum país fique para trás.
Na conclusão da sua intervenção, o ministro sintetizou a mensagem central de Timor-Leste:
“Não deixar ninguém para trás exige que nenhum país seja deixado para trás”, reafirmando o empenho timorense num multilateralismo inclusivo e numa arquitectura de desenvolvimento que responda verdadeiramente às realidades das nações mais vulneráveis do mundo.
A 82.ª Sessão da Comissão Económica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico decorre entre 20 e 24 de Abril no Centro de Conferências das Nações Unidas em Banguecoque, Tailândia, reunindo ministros de toda a região Ásia-Pacífico e outras partes interessadas para trocar pontos de vista sobre oportunidades e soluções para um futuro sustentável.
A sessão foi orientada pelo tema “Não deixar ninguém para trás: avançar para uma sociedade para todas as idades na Ásia e no Pacífico”, proporcionando uma plataforma para debater as tendências demográficas e as prioridades socioeconómicas da região, incluindo emprego digno, envelhecimento ativo, empoderamento económico das mulheres e integração social.
A abertura da sessão foi marcada por apelos a uma acção mais forte para garantir que ninguém seja deixado para trás num mundo em rápida mudança, num momento de pressões crescentes sobre a região, incluindo incerteza económica, tensões geopolíticas, riscos climáticos e rápida mudança tecnológica, a par de grandes transformações demográficas.
A vice-secretária-geral da ONU, Amina J. Mohamed, alertou que “a crise no Médio Oriente agrava os choques globais e afeta os países da Ásia e do Pacífico de formas diferentes, recaindo frequentemente de forma mais pesada sobre os mais vulneráveis”, reafirmando que o desenvolvimento sustentável continua a ser a melhor estratégia para reforçar a resiliência.
A presidência da 82.ª sessão foi assumida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov.
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Escrito por RafaFM
Timor-Leste reafirma solidariedade com países menos desenvolvidos e justiça climática
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