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Díli, 2 de junho de 2026 (RAFA.TL) — O Ministro da Defesa de Timor-Leste, Contra-Almirante Donaciano Gomes, defendeu hoje que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) avance para uma orientação comum em matéria de capacitação militar, com mecanismos de acompanhamento de progressos e avaliação de resultados.
O governante falava durante a 25.ª Reunião de Ministros da Defesa Nacional da CPLP, que decorre em Díli com o país a presidir pro tempore à organização até 2027.
No discurso de abertura, realizado no Quartel-General das F-FDTL, o ministro enquadrou o encontro num momento de “profundas transformações estratégicas”, em que “a segurança internacional se tornou mais complexa, mais imprevisível e mais exigente”. “Aos desafios tradicionais somam-se a criminalidade transnacional, a insegurança marítima, os riscos cibernéticos, a desinformação, os desastres naturais, as alterações climáticas e a pressão crescente sobre recursos essenciais ao desenvolvimento”, afirmou.
Donaciano Gomes apontou três prioridades estratégicas para o pilar de defesa da organização lusófona: a capacitação militar e autonomia institucional, a segurança marítima e proteção de recursos, e a proteção das populações face a crises e catástrofes.
Na primeira prioridade, o governante foi claro sobre o modelo que defende. “Capacitar é deixar capacidade instalada”, disse, elencando como exemplos “formar instrutores nacionais, preparar equipas de manutenção, melhorar o planeamento logístico e reforçar capacidades de comando e controlo”.
Defendeu que os projetos devem ser definidos “com os Estados, e não apenas para os Estados, respeitando as suas prioridades nacionais, a sua cultura institucional, os seus recursos disponíveis e o seu ritmo de desenvolvimento”.
O ministro distinguiu entre assessorias permanentes e projetos de capacitação, considerando-os “instrumentos complementares”: “as primeiras mantêm utilidade em áreas de elevada complexidade técnica ou continuidade institucional; os segundos devem ganhar centralidade sempre que permitam transferir competências, criar autonomia e deixar capacidades instaladas.”
Na área marítima, Donaciano Gomes foi direto: “Proteger o mar é proteger soberania, recursos, comunidades e futuro.” Salientou que “no mar encontram-se recursos naturais, rotas comerciais, comunidades costeiras, portos, cabos submarinos, infraestruturas energéticas e cadeias logísticas essenciais”, mas também ameaças como “a pesca ilegal, o tráfico ilícito, a poluição e a dificuldade de vigilância de espaços marítimos extensos”.
Pela “localização no Indo-Pacífico e vocação marítima” de Timor-Leste, o ministro disse que “a segurança do mar é inseparável da soberania, da proteção dos recursos e do desenvolvimento nacional.”
Sobre a terceira prioridade, a proteção das populações, o governante defendeu que “as alterações climáticas, os fenómenos extremos, as crises sanitárias, os riscos cibernéticos e a desinformação exigem Estados mais preparados, instituições mais coordenadas e Forças Armadas capazes de apoiar as autoridades civis”.
Alertou ainda que “nenhum Estado enfrenta sozinho, com facilidade, ameaças que ultrapassam fronteiras, redes e jurisdições”, considerando esta realidade “particularmente sensível para pequenos Estados, Estados arquipelágicos e países com vastos espaços marítimos e recursos limitados.”
O ministro sublinhou também o valor da língua portuguesa como ativo estratégico: “A língua portuguesa é mais do que um património cultural. É também um instrumento de confiança, formação, interoperabilidade e aproximação entre instituições de Defesa e Forças Armadas.” Mas advertiu que “essa vantagem só produzirá efeitos se for transformada em cooperação prática.”
Na véspera da reunião ministerial, os Ministros da Defesa de Angola, Lúcio Gonçalves do Amaral, e de São Tomé e Príncipe, Horácio Trindade Sousa, bem como o Chefe dos Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa do Brasil, General Alcio Alves de Almeida Costa, realizaram encontros de cortesia com Donaciano Gomes nas instalações das F-FDTL. 
O ministro encerrou o discurso com uma síntese do propósito que Timor-Leste traz à presidência lusófona: “O nosso propósito é simples e ambicioso: transformar a cooperação em capacidade, a capacidade em autonomia, e a autonomia em mais segurança, mais soberania e mais desenvolvimento para os nossos povos.” Apelou ainda a que “de Díli saia uma orientação clara para cooperar melhor, capacitar mais e construir, em língua portuguesa, uma Defesa ao serviço da paz, da soberania e da segurança dos nossos povos”, reiterando a importância da projeção da CPLP no Sudeste Asiático como eixo de afirmação geoestratégica da organização.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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