Destaque

Timor-Leste estreia-se no Festival de Filme da ASEAN com três curtas-metragens sobre património imaterial

todayAgosto 19, 2026 46

Fundo
share close

Hong Kong, 19 de agosto  de 2026 (RAFA) – Timor-Leste estreia-se este ano no Festival de Filme da ASEAN, que começa quinta-feira em Hong Kong, com uma sessão que inclui três documentários curtos dedicados ao património cultural imaterial timorense.

A participação integra a quarta edição do AFF, organizada pela Hong Kong-ASEAN Foundation (HKAF), que decorre até 27 de setembro.

O festival apresenta mais de 30 filmes, a maior seleção desde o seu início, reunindo obras dos 11 países-membros da ASEAN – incluindo, pela primeira vez, o mais recente Estado-membro, Timor-Leste – a par de produções da China (Hong Kong e território continental) e de outros países como a Austrália, o Bangladeche, a Bielorrússia, o Cazaquistão, o Nepal, o Paquistão e a Rússia.

O AFF é uma iniciativa sem fins lucrativos lançada em 2023, quando decorreu a primeira edição, entre 4 e 19 de agosto, com 21 sessões destinadas sobretudo a jovens e estudantes de Hong Kong.

Desde então, o festival tem crescido em dimensão: a edição de 2025 apresentou 24 filmes e incluiu, pela primeira vez, obras de países da Rota da Seda; a de 2026 é já a maior de sempre, segundo a organização.

A sessão timorense, intitulada “Intangible Cultural Heritage: Short Films from Timor-Leste” (2024), está marcada para 27 de agosto, quinta-feira, às 19h00, no Asia Society Hong Kong Center.

A mostra foi produzida com o apoio da UNESCO e do Centro Internacional de Informação e Ligação em Rede para o Património Cultural Imaterial na Ásia-Pacífico (ICHCAP).

O programa reúne três curtas-metragens.

A primeira, “The Rise of Genre Tebe-Tebe”, de Domingos Flaviano Belo Correia Freitas, com 15 minutos de duração, aborda a ascensão do Tebe-Tebe, género musical que ganhou expressão a partir do início do século XXI e que combina ritmos e melodias tradicionais timorenses com influências musicais contemporâneas.

Segue-se “Babadok Instrument Production”, de Silvano Rodrigues Xavier, com 13 minutos, sobre o fabrico artesanal do babadok, instrumento de percussão tradicional timorense, cujo processo de construção – a partir de madeira e pele animal – é descrito como moroso e dependente da mestria e dedicação dos artesãos.

Fecha a sessão “Traditional Knowledge of Uma Lulik and Its Cultural Sites”, de Grazela Maria Albino, com 15 minutos, que segue um lia-nain (guardião tradicional do conhecimento) na realização de rituais e cerimónias numa Uma Lulik (Casa Sagrada) e nos respetivos sítios culturais, estabelecendo uma ligação entre o passado e as gerações presentes e futuras de Timor-Leste.

Este último filme detalha o significado cultural e espiritual das Uma Lulik, símbolo da identidade timorense transmitido entre gerações, incluindo características arquitetónicas como os pilares de madeira masculinos e femininos – Ai-rin Mane e Ai-rin Feto – e a distinção destas em relação às Uma Fukun, casas de apoio dos clãs, e às Uma To’os, casas sagradas usadas por comunidades timorenses residentes em áreas urbanas como Díli.

A realizadora já tinha sido distinguida pela UNESCO por um trabalho semelhante: o filme “Preserving Traditional Knowledge of Uma Lulik and Its Cultural Sites” ficou em terceiro lugar num concurso de vídeo da iniciativa ichLinks, da UNESCO-ICHCAP, documentando as tradições vivas em torno das casas sagradas de Timor-Leste.

O tema central da edição de 2026 do AFF é a relação entre cinema e música, presente também na seleção timorense através dos documentários sobre o Tebe-Tebe e o babadok.

O festival abre com o filme filipino “Song of the Fireflies” e inclui títulos como “SuckSeed” (Tailândia), “881” (Singapura), “Babah” (Malásia), “Jumbo” (Indonésia), “Turn Left Turn Right” (Camboja) e “Sound Across the Ocean” (Vietname), entre outros.

O AFF 2026 resulta da colaboração entre a HKAF, os Consulados-Gerais de 18 países em Hong Kong – incluindo o Governo da República Democrática de Timor-Leste, entre as organizações de apoio ao evento – e parceiros dos setores cultural e empresarial, entre os quais o M+, o Asia Society Hong Kong Center e a Cultural and Creative Industries Development Agency do Governo de Hong Kong.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!