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Timor-Leste entre países da CPLP com maior retrocesso na vacinação infantil, alerta OMS

todayJulho 15, 2026 19

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Díli, 15 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Timor-Leste figura entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com maiores retrocessos na cobertura vacinal infantil, segundo as mais recentes estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

As estimativas conjuntas da OMS e da Unicef relativas à cobertura nacional de vacinação, conhecidas pela sigla WUENIC (WHO and UNICEF Estimates of National Immunization Coverage), são revistas e atualizadas anualmente, com base em dados reportados pelos países, inquéritos de cobertura e literatura científica, sendo a revisão mais recente divulgada a meio de julho.

Segundo o documento, Timor-Leste registou a maior queda de cobertura da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1) em toda a região da Ásia e do Pacífico, passando de 72% para 61%.

Essa quebra traduziu-se num “maior abandono”, com 31% das crianças que receberam a primeira dose da vacina combinada contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP1) a não completarem a vacinação contra o sarampo.

Timor-Leste teve ainda a menor percentagem de vacinas – apenas 8% – que atingiram uma cobertura de 90% em 2025, um valor inferior ao registado em 2019, antes da pandemia de covid-19.

Juntamente com Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, Timor-Leste integra o grupo de quatro países da CPLP com nível baixo de cobertura da terceira dose da vacina combinada contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP3), indicador considerado central para avaliar a robustez dos sistemas nacionais de vacinação infantil.

Na CPLP, Angola surge como o país lusófono com a situação mais crítica: é o quarto país africano com mais crianças não vacinadas e apresenta uma cobertura de apenas 67% na primeira dose da DTP, o que significa que 454 mil crianças angolanas não têm qualquer imunidade contra estas doenças.

Na vacina contra o sarampo, Angola ocupa a sétima pior posição do continente africano, com 399 mil crianças não vacinadas.

Guiné-Bissau mostra sinais de recuperação parcial, com a cobertura de DTP3 a aproximar-se dos 80%-85% em 2025, enquanto Moçambique, apesar de oscilações, atingiu uma cobertura entre 70% e 75% no mesmo indicador, ainda que surja em quinto lugar entre os países africanos com mais crianças não vacinadas contra o sarampo – 439 mil.

Cabo Verde mantém-se como referência entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), com cobertura “alta e estável”, próxima ou acima dos 90%.

O Brasil também tem vindo a aproximar-se dessa fasquia, ainda que mantenha 50 mil crianças por vacinar contra doenças do plano nacional e 250 mil por vacinar contra o sarampo.

Já São Tomé e Príncipe está “em declínio”, tendo descido de uma cobertura próxima dos 95% em 2010 para menos de 90% em 2025.

Quanto à vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), central na prevenção do cancro do colo do útero, a Guiné-Bissau ainda não a tinha introduzido no plano nacional de vacinação até 2025, ao contrário de Moçambique, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, que já a integraram nos respetivos calendários.

A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, citada no relatório, destacou que “os governos e os profissionais de saúde ajudaram a recuperar as taxas globais de vacinação após uma queda significativa durante a pandemia da covid-19”, alertando, no entanto, que “milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocações e pobreza”. Russell defendeu que é preciso chegar a “todas as crianças”, sublinhando que nenhuma delas “deve sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir”.

A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau – atualmente suspensa na organização na sequência do golpe de Estado no país -, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

FIM

Escrito por RafaFM

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