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Timor-Leste e Coreia do Sul assinam acordos para florestas e nutrição escolar

todayAbril 8, 2026 105 3

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Díli, 08 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O Governo de Timor-Leste aprovou hoje a assinatura de dois acordos de subvenção com a cooperação coreana, avaliados em 13,2 milhões de dólares, destinados à restauração florestal e a um programa integrado de nutrição e alimentação escolar.

Os acordos, que vão ser assinados pela Ministra das Finanças e por responsáveis em Timor-Leste da Agência de Cooperação Internacional da Coreia (KOICA), segundo anunciou o Governo em comunicado.

O primeiro acordo, no valor de 6 milhões de dólares e com duração de seis anos (2026–2033), destina-se ao projeto de Desenvolvimento da Capacidade de Restauração Florestal e Gestão Sustentável.

Abrange os municípios de Baucau e Manatuto, e prevê a modernização do centro nacional de viveiros, a implementação de programas de reflorestação e a capacitação de instituições públicas e comunidades locais na gestão sustentável das florestas.

O acordo insere-se numa parceria florestal bilateral que tem vindo a aprofundar-se desde 2023. Em abril de 2023, o Serviço Florestal da Coreia estabeleceu uma parceria de cooperação florestal com Timor-Leste.

O Ministro do Serviço Florestal da Coreia, Nam Sung-hyun, deslocou-se ao município de Manatuto para celebrar o 7.º Dia Nacional do Sândalo e Florestas de Timor-Leste, participando numa campanha de plantação de sândalo com autoridades locais.

O Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão manifestou satisfação com a parceria e explicou que o Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas e a Secretaria de Estado das Florestas iriam preparar um plano de desenvolvimento para o projeto. O Ministro sul-coreano sublinhou que a cooperação pretendia partilhar 50 anos de experiência da Coreia em reflorestação e preservação florestal.

No quadro da Organização de Cooperação Florestal para a Ásia (AFoCO), Timor-Leste investiu cerca de um milhão de dólares na restauração de terras degradadas, na promoção do plantio de sândalo e no desenvolvimento de uma economia mais sustentável e diversificada para as comunidades locais, entre 2022 e 2026.

O novo acordo KOICA representa mais um passo neste esforço, multiplicando seis vezes o investimento e alargando o âmbito de intervenção.

A escolha de Baucau e Manatuto não é casual. Manatuto foi cenário das primeiras intervenções florestais sul-coreanas no país e o sândalo – árvore nacional desde 2015 – constitui um dos eixos da diversificação económica que o Governo pretende aprofundar.

O segundo acordo, no valor de 7,2 milhões de dólares e com duração de cinco anos (2026–2030), financia o Programa Integrado de Nutrição e Segurança Alimentar, Alimentação Escolar, Fortificação Alimentar e Infraestruturas Escolares.

Será implementado nos municípios de Baucau, Bobonaro, Manufahi e Viqueque – alargando a cobertura geográfica face ao projeto anterior da KOICA na mesma área.

O programa prevê o reforço das infraestruturas e equipamentos das cozinhas escolares, sistemas de gestão e monitorização, a introdução da fortificação alimentar e o desenvolvimento de cadeias de abastecimento baseadas na produção agrícola local, incluindo formação de professores e comunidades.

Este novo acordo é uma continuação direta de um investimento anterior. Entre 2022 e 2025, a KOICA financiou um projeto de 7,8 milhões de dólares implementado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que beneficiou mais de 300.000 crianças no âmbito do programa “Dizer Não aos 5S” – contra a fome, as helmintíases transmitidas pelo solo, as doenças de pele, o tabaco e as bebidas açucaradas ou alcoólicas.

Nesse projeto anterior, o PAM introduziu arroz enriquecido com minerais e vitaminas no programa de alimentação escolar, abrangendo 79.000 crianças em mais de 400 escolas nos municípios de Baucau, Bobonaro e Manufahi. O novo programa de 2026 retoma e aprofunda esta abordagem, acrescentando Viqueque à lista de municípios abrangidos e integrando o desenvolvimento da agricultura local como cadeia de abastecimento para as escolas.

Quarenta e sete por cento das crianças timorenses com menos de cinco anos sofrem de stunting – atraso de crescimento -, 8,6% padecem de desnutrição aguda e 23% das mulheres em idade reprodutiva são anémicas, segundo dados do PAM.

Timor-Leste é também classificado como um país deficitário em alimentos, com forte dependência de importações, o que coloca a população mais jovem em risco acrescido de doenças.

Os dois novos acordos KOICA somam-se a outros programas sul-coreanos em curso no país. Em março de 2025, a KOICA e a UNICEF lançaram um programa de 6,2 milhões de dólares para apoiar serviços sociais resilientes às alterações climáticas até 2027, abrangendo mais de 30.000 crianças e famílias nos municípios de Díli, Lautém e Viqueque.

FIM

Escrito por RafaFM

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