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Timor-Leste defende a liderança feminina como pilar para uma cultura de paz

todaySetembro 4, 2026 33

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Díli, 4 de setembro de 2026 (RAFA) – Timor-Leste defendeu nas Nações Unidas que a construção de uma verdadeira cultura de paz exige justiça, igualdade e participação inclusiva, com especial atenção à liderança feminina e à proteção dos seus direitos.

A posição foi apresentada pelo Representante Permanente Adjunto de Timor-Leste junto das Nações Unidas, Licínio Branco, durante o Fórum de Alto Nível sobre a implementação do Programa de Ação para uma Cultura de Paz, realizado na sede da ONU em Nova Iorque.

Num contexto internacional marcado pela crescente fragmentação, Timor-Leste considerou a promoção de uma cultura de paz cada vez mais necessária.

Segundo o país, a paz, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos constituem uma base indivisível para a estabilidade global.

“Uma verdadeira cultura de paz exige a presença ativa da justiça, da igualdade e da participação inclusiva”, afirmou Licínio Branco, sublinhando que as mulheres e as raparigas devem poder liderar e definir prioridades livremente e em segurança, sem discriminação.

Timor-Leste relacionou também este compromisso com a sua própria história, destacando o papel desempenhado pelas mulheres durante a luta e o processo de construção nacional.

“A base do nosso Estado foi construída sobre a extraordinária resiliência das mulheres: mães, líderes comunitários e construtoras da paz – que transformaram as dificuldades em esperança e reconciliação”, afirmou.

O país destacou ainda o seu quadro legal e institucional para a promoção da liderança feminina, incluindo as garantias constitucionais de dignidade humana, igualdade de direitos e proteção da criança, bem como o reforço da legislação contra a violência doméstica e o tráfico de pessoas.

Timor-Leste enfatizou ainda a representação das mulheres no Parlamento, o segundo Plano Nacional de Ação sobre Mulheres, Paz e Segurança e os mecanismos tradicionais de diálogo, como o “Nahe biti boot”, que colocam as mulheres no centro da mediação comunitária e da coesão social.

Na sua intervenção, Licínio Branco apresentou três prioridades para o reforço da cultura de paz.

A primeira é garantir estruturalmente a liderança feminina através de leis, instituições e financiamento específico, e não apenas através de compromissos voluntários.

A segunda prioridade é tratar o acesso à justiça como um elemento central na construção da paz, garantindo que as mulheres e as raparigas possam obter proteção e reparação sem enfrentar barreiras.

Por fim, Timor-Leste defendeu que o apoio internacional deve ser de longo prazo e baseado na apropriação nacional, fortalecendo o diálogo comunitário e os processos de construção da paz liderados localmente, em vez de iniciativas de curto prazo ou impostas externamente.

“Timor-Leste está pronto para trabalhar com todos os Estados-Membros por um mundo mais pacífico, justo e inclusivo”, concluiu o representante timorense.

Jornalista: Miguel Caldas

 

 

Escrito por RafaFM

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